<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981</id><updated>2012-02-19T19:42:48.566-02:00</updated><category term='Viena'/><category term='Firenze'/><title type='text'>O GOZO DA LETRA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>59</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-6526176933538246527</id><published>2011-12-23T19:02:00.000-02:00</published><updated>2011-12-23T19:02:51.886-02:00</updated><title type='text'>BOAS FESTAS E UM FELIZ ANO NOVO!</title><content type='html'>Inequecível especial de Natal do Portal Cronópios, de 2005, do qual tive a honra de participar, confiram:&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Sfkl05BDm0Q/TvTsbqbnwGI/AAAAAAAAAaI/lPD08oSlQ_I/s1600/IMG_1026.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-Sfkl05BDm0Q/TvTsbqbnwGI/AAAAAAAAAaI/lPD08oSlQ_I/s1600/IMG_1026.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=851"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=851&lt;/a&gt;&lt;span id="goog_727631398"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_727631399"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-6526176933538246527?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/6526176933538246527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/12/boas-festas-e-um-feliz-ano-novo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6526176933538246527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6526176933538246527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/12/boas-festas-e-um-feliz-ano-novo.html' title='BOAS FESTAS E UM FELIZ ANO NOVO!'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Sfkl05BDm0Q/TvTsbqbnwGI/AAAAAAAAAaI/lPD08oSlQ_I/s72-c/IMG_1026.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-9212889754424549945</id><published>2011-10-30T21:51:00.000-02:00</published><updated>2011-10-30T21:51:21.348-02:00</updated><title type='text'>O GOZO DA LETRA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--Kc3zabLooI/Tq3g_72GDII/AAAAAAAAAZM/r1FqW_Won8I/s1600/663092_old_books.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/--Kc3zabLooI/Tq3g_72GDII/AAAAAAAAAZM/r1FqW_Won8I/s1600/663092_old_books.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Sem nenhum ritual de alfabetização, longe de qualquer testemunha, já lia aos quatro anos de idade. Tendo começado pelos cabeçalhos, logo me atirava, embora tateando, ao corpo das notícias de revistas e jornais. Percebia o quanto me fascinavam textos pouco ilustrados, justo o oposto do que crianças dessa faixa etária exigiam. Consumia com avidez as letras, seus arranjos, no que resultavam. E, à medida que ia captando – ou não – os significados, destilando-os, queria mais. Cedo divisei que é por cima de vastos espaços de ignorância, de uma realidade tectônica, nas entrelinhas, que se aprende. Antes que tivessem notado minha conquista, sorvi o Monteiro Lobato do meu irmão pouquíssimo manipulado. Ah o cheirinho de papel novo, afrodisíaco feito um bom vinho! No colégio, alguns professores me incentivavam a assistir aulas de séries mais adiantadas. Eram unânimes em afirmar: vá aonde o seu coração mandar, o desejo é soberano, o que for passível de compreensão será absorvido, o que não, expelido ou posto em reserva para um tempo futuro. Mais tarde, lendo numa língua estrangeira, não empacava se desconhecesse o que queria dizer uma palavra, continuava e interpretava pelo conjunto, deixando para esclarecer o detalhe depois – não foi Aristóteles quem disse que o todo é anterior às partes? Nicholson, curador do museu JJ, tem a mesma opinião. &lt;em&gt;Ler&lt;/em&gt; (Joyce) &lt;em&gt;é participar de uma corrida de cavalos: se houver um obstáculo, você pula e segue em frente. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Perguntava feito louca. Um dia, bem pequena, disparei: o que é fotossíntese? Minha mãe estranhou isso vindo de uma pirralha, não teve paciência para responder, ignorou. Eu tinha lido num encarte da floricultura e ficado curiosa, além de impressionada, com a sonoridade do vocábulo. O que é ressurreição da carne? Dessa vez tinha sido num opúsculo de catecismo, trazido da igreja. &lt;em&gt;Deixe de ouvir conversa de adulto!&lt;/em&gt; Ela levantava a mão e eu me calava. Como se tudo o que quisesse saber fosse proibido. Teria, desse modo, atiçado minha sede de conhecimento? Papai, ao contrário, se estivesse presente (porque sempre fora, viajando a trabalho) sorria e me explicava. Quando não, dizia: vou me informar e lhe falo. Jamais deixou de cumprir o prometido. Estaria aí a origem do meu amor à literatura, às viagens e aos homens? (Não necessariamente nessa ordem) Ler me dá tanto prazer que muitos dizem invejar o desligamento, o abandono, a expressão de satisfação quando o faço. Considero, inclusive, um erro ensinar o bê-á-bá somente com objetivo pedagógico e não para a simples fruição. Lembro-me de pré-adolescente, com a mão esquerda segurar um livro e com a outra me masturbar. Nada de pornografia, sequer erotismo, não era nem – ainda – Lolita, de Nabokov ou a trilogia de Henry Miller, embora esses também sejam de boa safra. Podia ser um conto do Rosa, um romance de Machado, um poema de Pessoa. Com isso, talvez (quem sabe?) um palco seminal para a escrita estivesse sendo montado, pois as colheitas não tardariam: muito cedo começaria a escrever. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não tinha sido apresentada aos dicionários, nem desconfiava de sua existência, e eis que, por acaso, xeretando na biblioteca, os vislumbrei. Agora, além dos óbvios rótulos, seria possível desarrolhar os mistérios da língua, experimentar seu &lt;em&gt;bouquet &lt;/em&gt;e paladar, degustá-la até a última gota? (Tornou-se um hábito, consulto-os sempre, em vários idiomas, várias vezes ao dia) Conferia, satisfeita: “construção de grandes proporções” era mesmo “mole”, conforme tinha aparecido ao fazer palavras cruzadas (outra paixão) quando a empregada repreendeu-me: &lt;em&gt;cuidado, não vá rasgar a página, não é caderno pra colorir!&lt;/em&gt; Saí correndo para contar a novidade, queria partilhar a descoberta com os meus amigos, mas – ó decepção – ninguém &lt;em&gt;estava nem aí.&lt;/em&gt; De todo modo, o achado representou dois coelhos sob cajadada única: comecei a resolver sozinha minhas indagações etimológicas, parei de amolar os outros. Sim, pois querer saber sobre certos fenômenos, seu funcionamento, causava, no mínimo, embaraço. Escutava &lt;em&gt;é porque é&lt;/em&gt; e pronto, tinha que calar a boca, sem maiores questionamentos. O não também era &lt;em&gt;porque não&lt;/em&gt;, restava obedecer, mesmo na falta de um argumento lógico para a proibição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 64, conscientizei-me do quanto a arte literária pode incomodar. Sob suspeita de serem subversivos, vi preciosos exemplares jogados no chão para serem apreendidos. Tive de refrear o reflexo de apanhá-los de volta e devolvê-los ao seu lugar na estante. E, embora impactada com aquela batida policial, sua brutalidade, o absurdo da situação (selvagens uniformizados de censores), enquanto eles armavam a patética cena, eu divagava... Alberto Manguel, em Uma história da leitura, relata um fato contado por Borges. Em 1950, em meio a manifestações contra a censura, populares gritavam nas ruas &lt;em&gt;sapatos sim, livros não&lt;/em&gt;. Ao que os intelectuais respondiam &lt;em&gt;sapatos sim, livros sim&lt;/em&gt;. Mas parece que não convenciam, como se o conflito entre realidade e ficção tivesse que ser mantido. Na verdade, o que se teme é o pensar que do ato de ler advém. O poder está na mente, e o leitor, tão ameaçador quanto o autor. Dar um sentido, quer dizer, o seu, pessoal, intransferível (quiçá provisório) e não aceitar um imposto como verdadeiro e eterno: coisa incompatível com certos regimes políticos. Raciocinar por conta própria, talvez diferente da maioria, pode desestabilizar o sistema, a história tem nos mostrado, às vezes é crime que se pune com banimento, exílio, prisão, tortura e até morte. Nossa família que o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-9212889754424549945?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/9212889754424549945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/10/o-gozo-da-letra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9212889754424549945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9212889754424549945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/10/o-gozo-da-letra.html' title='O GOZO DA LETRA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/--Kc3zabLooI/Tq3g_72GDII/AAAAAAAAAZM/r1FqW_Won8I/s72-c/663092_old_books.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-4604562188476312910</id><published>2011-09-25T20:03:00.001-03:00</published><updated>2011-09-25T20:04:30.681-03:00</updated><title type='text'>FESTA DIFERENTE</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7sbeVN3pla0/Tn-yZ83cj7I/AAAAAAAAAZI/O0YjnpTJfuc/s1600/1337639_shooting_stars.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hca="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-7sbeVN3pla0/Tn-yZ83cj7I/AAAAAAAAAZI/O0YjnpTJfuc/s1600/1337639_shooting_stars.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sem luzes&lt;br /&gt;sem câmera&lt;br /&gt;só ação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem velas, apenas &lt;br /&gt;o brilho das estrelas&lt;br /&gt;e a música dos grilos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;despidos&lt;br /&gt;famintos&lt;br /&gt;sem gala&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se quis comida &lt;br /&gt;e sim saída &lt;br /&gt;para uma parte: a arte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;isso ainda nos resta&lt;br /&gt;– uma fresta –&lt;br /&gt;é dessa festa que falo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já publicado em &lt;a href="http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=p05/p051003.htm&amp;amp;tipo=poesia"&gt;http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=p05/p051003.htm&amp;amp;tipo=poesia&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-4604562188476312910?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/4604562188476312910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/09/festa-diferente.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4604562188476312910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4604562188476312910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/09/festa-diferente.html' title='FESTA DIFERENTE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7sbeVN3pla0/Tn-yZ83cj7I/AAAAAAAAAZI/O0YjnpTJfuc/s72-c/1337639_shooting_stars.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7752198356481357970</id><published>2011-09-10T22:19:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T22:36:37.256-03:00</updated><title type='text'>A FÉ NA FICÇÃO*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C2hOT7AZKUw/TmwKYVDnggI/AAAAAAAAAZE/dfnamei-XCo/s1600/Fotos+Viagem+Europa+2005+115.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" nba="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-C2hOT7AZKUw/TmwKYVDnggI/AAAAAAAAAZE/dfnamei-XCo/s320/Fotos+Viagem+Europa+2005+115.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;“&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pra sonhar não é preciso fechar os olhos e sim ler&lt;/span&gt;”&lt;/em&gt; - &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Foucault&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À parte as qualidades intrínsecas de cada um, a despeito de méritos literários, qualquer texto me seduz (como Cervantes, lia até nos papéis rasgados das ruas). Um livro sempre foi o meu melhor companheiro, alguém em quem podia confiar; um porto seguro, ou sólido navio na tempestade. Tormentas grassavam ao redor e, no entanto, quando começava a folheá-lo, tudo cessava, tudo se calava, tudo fazia sentido. Estimulantes desafios surgiam. Ora adentrava romances de cavalaria, lutava contra moinhos de vento, ora enfrentava poderosos jagunços. Temer algum mistério, terror ou sobrenatural &lt;em&gt;nevermore&lt;/em&gt;, pelo menos não a ponto da paralisia. Desse modo, ia ampliando o campo do conhecimento, já que o que é conhecido não pode ser senão por palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui aprendendo a relativizar, a me rebelar contra o habitual e dominante pensamento maniqueísta, a conviver com características complexas e organicamente opostas. A escutar e aceitar a polifonia do mundo: vozes, à primeira vista, irreconciliáveis. A trocar toscas certezas por infinitas dúvidas, porém vivificantes. A interpretar &lt;em&gt;n&lt;/em&gt; personagens, como se reencarnasse &lt;em&gt;n&lt;/em&gt; vezes. &lt;em&gt;Pari passu&lt;/em&gt;, ia desfolhando a cebola até chegar ao miolo (qual?), ao que sou ou quero/posso ser. Ousava perguntar: preciso seguir a rota que me foi imposta? Satisfeita ao ver, sobretudo, como eu, viajante, me modificava durante a travessia: partia sendo uma e voltava sendo outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciava habitar as entranhas monstruosas da fantasia. Tanto, que via mais verdade aí do que nos fatos, pessoas, relacionamentos. Crianças (suas brincadeiras), adolescentes (seus jogos), adultos (suas conversas), todos desinteressantes perto dessas viagens onde podia me soltar, soltar a imaginação – um exercício libertário por excelência. Parodiando Foucault: eu não condeno as pessoas à morte, simplesmente suponho que já estejam mortas. No mínimo, anestesiadas, em coma. Por outro lado, observo que o oposto da vida não é a morte, mas o medo. Viver é perigoso, poucos querem correr o risco de soltar as amarras, velas ao vento. Por que não reagir (ao menos) com arte às tragédias? Deveriam elas nos paralisar, bloquear nossa sensibilidade? Teríamos que nos curvar aos traumas que nos acometem? Rendermo-nos à afirmação de Adorno, segundo a qual escrever poesia após Auschwitz é obsceno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mínimo grau de dispersão ao ler era – e ainda é - motivo de riso. Certa vez, entretida nos Pequenos poemas em prosa, de Baudelaire, nem percebi que o cachorro de uma amiga, procurado à exaustão, tinha se instalado sob a minha poltrona. E quando um incêndio se alastrou numa casa de saúde próxima ao nosso prédio? Os vizinhos passaram a tarde assistindo a operação retira-doentes ser filmada pela tv, enquanto eu só fui ser informada do ocorrido à noite, pelo noticiário, lendo que estava, numa sentada, o Alienista, de Machado de Assis. Paixão não compartilhada, não compreendida: &lt;em&gt;Larga esse livro, menina, vá brincar lá fora, tomar sol, fazer um esporte!...Vem ajudar aqui, já que você está à toa. (?) É trabalho escolar? Senão, pára pra fazer isso assim, assim... Trate de sair, ver gente, ir a festas! &lt;/em&gt;Rogo, até hoje, que respeitem meu jeito solitário de ser, sempre com um exemplar à mão (mesmo em trânsito), dois ou três iniciados na mesinha de cabeceira, e uma pilha deles, novinhos em folha, na estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria de se esperar, sou ambivalente em relação a hóspedes. &lt;em&gt;Aqui damos de beber e comer, mas não de dormir&lt;/em&gt;: sábio lema dos albergues que abrigam os peregrinos em Santiago de Compostela, ao longo do caminho. Apesar de curtir o ambiente aquecido pela conseqüente troca de afeto, pelos &lt;em&gt;causos&lt;/em&gt; contados por quem nos visita, pelas novidades, fico indócil, escrava de polidas sociabilidades, ansiando pela alforria do tempo que, inutilmente, escoa. Tal qual uma bailarina se exercitando, necessito de muitas horas diárias para me dedicar ao mal de Montano do qual padeço, meu vício, desde o início. Mas afinal, pra que serve tanta literatura? Nenhuma finalidade ou intenção, puro ludismo. Embora não deixe de ser um ato de esperança, pois a fantasia é a sustentação do desejo, é ver a mais graciosa das mocinhas onde há apenas um atleta peludo, brincou Lacan. Nem &lt;em&gt;divertissement&lt;/em&gt;, nem evasão – uma outra forma de examinar a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-me afetar pelo que leio. Assim como Borges, sinto que as letras, esse espaço da biblioteca entre os significantes – &lt;em&gt;locus&lt;/em&gt; diabolicamente divino, que tanto prazer proporciona – se impõem a mim como um sonho que, ao despertar, temos necessidade de verbalizar e associar a partir dele. Dialogo com o autor, em intensa e constante interlocução, por vezes exaltando-o (na maioria), por vezes corrigindo-o (que pretensão!) tal qual um escriba da Idade Média. Grifo palavras, sublinho expressões, trechos, faço anotações em suas margens. Gostava de lê-los para alguém depois, compartilhar meu Eldorado, mas nem sempre era bem-vinda. Além do mais, o ouvinte se liga se quiser, pára de acompanhar, pensa em outra coisa (pelo olhar ele se trai), se fixa mais em você, no seu jeito de ser, do que no que está sendo dito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti. Uma ilusão pensar poder passar aquilo que sentira lendo (a emoção) através da leitura em voz alta. Era um gesto desesperado, reconheço, para ressuscitar os zumbis. Como naquele ditado, eu apontava a lua e eles só viam o meu dedo. Se tanto. Recordo-me de um ensaio de Montaigne, onde ele fala que devemos morar num lugar com vista para um cemitério porque mantém as prioridades da vida em perspectiva. Pois bem, meu lar voltado para a ficção me fez prestar mais atenção à realidade. Interna e externa. E, muito cedo ainda, permitiu descobrir-me além de sujeito, mulher, esse conceito impermeável a todo saber que se produza a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Já publicado em &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2108"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2108&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7752198356481357970?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7752198356481357970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/09/fe-na-ficcao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7752198356481357970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7752198356481357970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/09/fe-na-ficcao.html' title='A FÉ NA FICÇÃO*'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-C2hOT7AZKUw/TmwKYVDnggI/AAAAAAAAAZE/dfnamei-XCo/s72-c/Fotos+Viagem+Europa+2005+115.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5960892906993378834</id><published>2011-08-14T18:26:00.012-03:00</published><updated>2011-08-15T01:58:44.549-03:00</updated><title type='text'>DEPOIS DA MORTE* - uma homenagem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EWGX0fC8gL8/Tkg6M-ZDCzI/AAAAAAAAAY8/4KSK_xgcZTk/s1600/457513_father.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-EWGX0fC8gL8/Tkg6M-ZDCzI/AAAAAAAAAY8/4KSK_xgcZTk/s1600/457513_father.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Hoje é a terceira vez que venho ao apartamento depois da morte de meus pais, há quinze dias mais ou menos. Nas duas primeiras não tive tempo sequer de olhar com mais atenção ao redor, preocupada que estava em pegar documentos com urgência para procedimentos burocráticos da ocasião. Agora&amp;nbsp;venho também atrás de mais alguns, só que vou procurá-los com calma, não tenho idéia de onde estejam nem estou afogada na pressa de encontrá-los. Na verdade, aproveito para saborear ecos do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz de um abajur (a de cima, do lustre, queimou), tomo fôlego para embarcar nesse túnel do tempo, suportar as vertigens que me esperam ao me deparar com lembranças e reminiscências que povoam o espaço, hora solitária que não posso nem quero dividir com mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sala arrumada como se esperasse visitas, um inebriante e familiar cheiro de comida caseira sendo refogada na vizinhança quase me faz perguntar: o que é que vai ter pro jantar? Na cozinha, o silêncio. Tampa de fogão arriada. Tudo&amp;nbsp;limpo como a faxineira deixou, só um pó fino que teima em penetrar pelas frestas das janelas e em tudo se depositar. O insistente e delicioso aroma que me invade as narinas transporta-me às delícias culinárias de minha mãe, nosso único ponto de identificação, mesmo assim tardio e com atritos: ela nunca se conformou com a invasão, senão superação de seus domínios pela filha mais afeita aos livros do que a qualquer outra coisa, que quando se casou nada sabia dessa prática e em pouco tempo a dominava, entregando-se de corpo e alma à culinária, fora os outros interesses que permaneceram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perco-me em memórias olfativas e gustativas que logo carreiam as visuais: o peixe frito da feira de 4ª feira, até hoje no mesmo lugar e no mesmo dia. Os incomparáveis bifes acebolados. O pernil de porco assado no Natal. O bacalhau da Páscoa. Sonhos polvilhados com açúcar e canela do lanche no meio da tarde. O imbatível bobó de camarão das festas de aniversário. Era uma cozinheira &lt;em&gt;de mão cheia&lt;/em&gt;, daquelas que só sabem cozinhar com fartura, embora gostasse de alardear que era econômica porque considerava isso uma virtude e gostava de ser – ou de se pensar, ou ainda de ser vista como – virtuosa. E só usava ingredientes de qualidade, ficava &lt;em&gt;doente &lt;/em&gt;quando dava sua receita a alguém e via esse alguém modificá-la, adulterá-la, visando um menor gasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto pelo corredor, com todo o barulho interno contrastando com o silêncio exterior, e no meu antigo quarto de solteira abro a escrivaninha com a fechadura emperrada, detendo-me em papéis que há muito não são mexidos. A poeira me faz espirrar sem parar. Um gaiato, de algum lugar, grita &lt;em&gt;saúde&lt;/em&gt;. Respondo &lt;em&gt;amém&lt;/em&gt;, rindo, em meio a mais espirros. De uma grande caixa amassada de papelão saem reclames os mais diversos, guardados não sei para que, os números de telefone ainda com sete algarismos. Meu convite de formatura, um santinho da&amp;nbsp;primeira (e quase última) comunhão, uma tela desbotada, pintada por mim na aula de arte, uma tapeçaria não terminada, retratos em preto e branco. Na estante, minha coleção de Monteiro Lobato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empurrando com o dedo a porta apenas encostada, sinto-me como uma criança invadindo o quarto dos pais na sua ausência, violando sua intimidade. Quase posso me ver menina, brincando de mulher adulta, sapatos de salto alto, colares, batom vermelho borrado na boca infantil, bolsa maior do que eu (de couro de cobra morta na fazenda do meu avô), uma echarpe de plumas ainda não ecologicamente incorreta. Tudo isso está aqui, na minha frente, quieto, mudo, mas falando tanto!... remetem a um tempo até anterior a mim, quando só se ia ao centro – à cidade, como se dizia – de chapéu, luvas e meias finas. E de bonde. Era chic. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No armário de mamãe, entre cabides de &lt;em&gt;soutache&lt;/em&gt;, velhos óculos de grau e uma pesada bola de marfim para cerzir meias descubro um baú cheio de cartas de amor de um para o outro. Jamais soube de sua existência, e minhas mãos se revestem de um respeito inimaginável ao tocá-las. Tamanho, que depois de ler o primeiro parágrafo da primeira resolvo fechá-la e ficar só – por enquanto – contemplando os envelopes sobrescritados. Aqui se trata da correspondência entre duas pessoas distintas, um homem e uma mulher, e não mais de meus pais. Recoloco com reverência o baú, como se fosse uma urna mortuária com&amp;nbsp;cinzas dentro, no fundo da gaveta onde estava, como um tesouro escondido. Mais pra frente virei redescobri-lo. Não se pode viajar por vários países de uma só vez, a cabeça rodopia e você confunde tudo. Muita informação ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cômoda de papai, apetrechos masculinos largados, com displicência,&amp;nbsp;como se o dono fosse ali e já voltasse: um barbeador prateado em seu estojo original, com nota fiscal, garantia e instruções de uso. Um pente de osso. Uma velha câmera &lt;em&gt;kodac &lt;/em&gt;em excelente estado. Moedas as mais diversas, num saquinho de feltro. Uma calçadeira e uma piteira. Dessa me lembro bem: um amigo a presenteara, recomendando que a usasse com freqüência para reduzir a assimilação das substâncias nocivas contidas no cigarro. E junto com elas o gosto, o prazer de fumar, brincava papai. E o que ele fazia? Era só o amigo chegar de surpresa (é, isso acontecia), e ele pegar a bendita piteira e aparecer na sala como quem não quer nada,&amp;nbsp;fumando seu cigarrinho devidamente encamisado, quer dizer, protegido. Impostura? Fraude? Não. Mentira que dizia a verdade. Um agrado, um mimo ao amigo, que ficava superfeliz e agradecido, crente que fizera uma boa ação. Que o presente &lt;em&gt;emplacara&lt;/em&gt;. Que fora de muita utilidade. E fora, só que de outro jeito, para diverti-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ele não queria ser poupado dos estragos do fumo. Da pulsão de morte agindo, desse gozo. Que acabara, inclusive, conduzindo-o a um enfisema pulmonar progressivo que o faria passar, mesmo sem mais fumar, os últimos anos de sua vida dependente de uma bala de oxigênio instalada à cabeceira da cama. E quando ficava algum tempo sem, era horrível. A boca aberta como um peixe fora d’água, se debatendo, tentando respirar, com a gente impotente à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrindo o emperrado gavetão inferior, no meio de tantos postais por ele recebidos, sinto a pele arrepiar&amp;nbsp;e rodopiar a cabeça, precisando sentar-me para ler um amarelado cartão, datado de &lt;em&gt;priscas eras.&lt;/em&gt; Na frente, um desenho de uma criança com um bebê de proveta nas mãos. Dentro, os seguintes dizeres, com minha letra miúda: pai, já sei&amp;nbsp;como se faz um filho! É só criá-lo com o mesmo amor com que você me criou. Feliz dia dos Pais, sua filha querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Já publicado em&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.saldaterraluzdomundo.net/literatura_contos_.htm"&gt;http://www.saldaterraluzdomundo.net/literatura_contos_.htm&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=temdomes/2006/08/pai/tempro02.php&amp;amp;tipo=prosa"&gt;http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=temdomes/2006/08/pai/tempro02.php&amp;amp;tipo=prosa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5960892906993378834?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5960892906993378834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/08/depois-da-morte-uma-homenagem.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5960892906993378834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5960892906993378834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/08/depois-da-morte-uma-homenagem.html' title='DEPOIS DA MORTE* - uma homenagem'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EWGX0fC8gL8/Tkg6M-ZDCzI/AAAAAAAAAY8/4KSK_xgcZTk/s72-c/457513_father.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-4392413407010764507</id><published>2011-08-09T21:02:00.003-03:00</published><updated>2011-08-09T21:39:38.832-03:00</updated><title type='text'>LONDRES ANTES DAS CHAMAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/DM_2EdyytaU/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DM_2EdyytaU&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/DM_2EdyytaU&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare, Virginia Woolf, Charles Dickens, Oscar Wilde, Lewis Carroll, Isaac Newton, Charles Darwin, Chaplin, Beatles, Fred Mercury, Mary Quant. Parodiando Woody Allen em &lt;em&gt;Meia-noite em Paris&lt;/em&gt;, andar por Londres é &lt;em&gt;esbarrar &lt;/em&gt;em personalidades inglesas de outras épocas sempre vivas na memória, para no final rendermos tributo ao presente ao constatarmos que a cidade, dona de irresistível charme, é uma metrópole moderna que soube resistir ao tempo, preservar seu incalculável legado histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heathrow é um &lt;em&gt;senhor&lt;/em&gt; aeroporto: organização, atendimento e limpeza impecáveis. O metrô, detentor de um prêmio de design, eficiente. Os célebres ônibus de dois andares e as cabines telefônicas vermelhas, imperdíveis. Os tradicionais táxis pretos ultra-espaçosos valem uma corrida. Com um bom mapa nas mãos consegue-se caminhar sem tropeço nas ruas, mas lembre-se de que a mão é invertida, os carros andam pela esquerda, cuide de olhar nas duas direções antes de atravessar. Não deixe de conhecer a palpitante Oxford (com intenso comércio), as lendárias Baker Street (que abriga o museu Sherlock Holmes) e Abbey Road (onde o famoso quarteto posou para a capa do penúltimo disco da banda) e &lt;em&gt;um lugar chamado Notting Hill&lt;/em&gt;, sua feira de antiguidades aos sábados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos domingos, o Hyde Park no trecho perto do Marble Arch transforma-se no Speaker’s Corner: qualquer um em cima de um caixote pode fazer o discurso que quiser. Embora a maioria interprete como exercício de democracia, de liberdade de expressão parece que o costume remonta há séculos atrás quando prisioneiros sentenciados à morte proferiam suas últimas palavras antes de serem enforcados num patíbulo instalado nesse exato local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principais pontos turísticos: o Parlamento e seu relógio, o Big Ben, emblemático da cidade. A Torre de Londres. A ponte sobre o rio Tâmisa. A Catedral de St Paul. A Abadia de Westminster. A troca da guarda do Palácio de Buckingham, residência oficial da monarquia. A Tate Gallery. O museu de cera Madame Tussauds. London Eye (a roda-gigante). Trafalgar Square (a praça mais importante da City). Piccadilly Circus. Marisfield Garden, 20 (um ilustre endereço, a casa onde Freud viveu e trabalhou depois que, foragido, deixou Viena ocupada pelos nazistas). E o mais deslumbrante: o colossal acervo do museu Britânico, com preciosidades tais como a Rosetta Stone (a pedra a partir da qual Champollion traduziu os hieróglifos), a bíblia de Gutenberg (o primeiro livro impresso), a sala de leitura da Biblioteca (frequentada por Bernard Shaw, Lenin e outros notáveis) e vasta coleção de antiguidades gregas, egípcias e romanas (o espólio do império foi grande, até hoje fonte de atrito entre os governos que exigem a devolução das relíquias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversos entretenimentos noturnos estão à disposição do visitante: ópera, balé, sinfônicas, grandes espetáculos teatrais. Se a obra de arte há muito deixou de ser só objeto de contemplação para tornar-se também motor de inquietude, perco-me nesse redemoinho de imagens, deixo-me inundar por uma chuva de impressões que logo sulcam e fertilizam todo o meu ser, culminando numa verdadeira experiência estética de abandono e pacificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim vou às compras na Harrods, loja de departamentos com 90 mil metros quadrados de espaço de venda, cujo lema é &lt;em&gt;Omnia Omnibus Ubique&lt;/em&gt; (todas as coisas, para todas as pessoas, em todo lugar). Dizem que a primeira escada rolante apareceu aqui, em 1898, e os clientes eram esperados no topo com uma bebida, para acalmá-los; o Food Hall é uma atração à parte. Aliás, contrariando o estereótipo, a gastronomia muito tem a oferecer: fish&amp;amp;ships, chá das cinco e pubs, típicas e deliciosas instituições inglesas. Os restaurantes étnicos também são dos melhores, sendo a comida indiana a mais popular entre as estrangeiras, talvez porque a Inglaterra seja a segunda pátria dos hindus. Aproveite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-4392413407010764507?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/4392413407010764507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/08/londres-antes-das-chamas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4392413407010764507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4392413407010764507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/08/londres-antes-das-chamas.html' title='LONDRES ANTES DAS CHAMAS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3619271691486609851</id><published>2011-07-30T22:11:00.001-03:00</published><updated>2011-07-30T22:11:35.614-03:00</updated><title type='text'>POEMAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-I-yhHJRIQR0/TjSqTUBZWlI/AAAAAAAAAY4/_8iyPAT1Zkc/s1600/img_1842.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-I-yhHJRIQR0/TjSqTUBZWlI/AAAAAAAAAY4/_8iyPAT1Zkc/s1600/img_1842.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;FORÇA DE VONTADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força&lt;br /&gt;se faz&lt;br /&gt;para não se entregar&lt;br /&gt;logo&lt;br /&gt;(como o coração)&lt;br /&gt;um seio&lt;br /&gt;à mão&lt;br /&gt;para que o aperte&lt;br /&gt;muito&lt;br /&gt;pouco&lt;br /&gt;importa &lt;br /&gt;que queira&lt;br /&gt;ou não&lt;br /&gt;apertá-lo&lt;br /&gt;para sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse limite&lt;br /&gt;invisível&lt;br /&gt;palpável&lt;br /&gt;entre a intenção &lt;br /&gt;e a contenção&lt;br /&gt;da vontade&lt;br /&gt;(pura hesitação)&lt;br /&gt;vive-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daria as vidas&lt;br /&gt;que lhe restam&lt;br /&gt;por minutos &lt;br /&gt;em seus braços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinderela&lt;br /&gt;sem queixume&lt;br /&gt;à meia-noite&lt;br /&gt;de volta pro borralho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher-gato&lt;br /&gt;retornaria, todo dia,&lt;br /&gt;só pra lamber sua boca&lt;br /&gt;de Batman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cravaria o gatázio&lt;br /&gt;em sua carne:&lt;br /&gt;quem sabe alcançaria&lt;br /&gt;um coração, no peito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois quem gateia é ele&lt;br /&gt;foge&lt;br /&gt;negaceia&lt;br /&gt;brinca de gato e rato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso&lt;br /&gt;ela se contenta&lt;br /&gt;em gatafunhar&lt;br /&gt;seus escritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOCÊ E EU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não passamos&lt;br /&gt;de fios&lt;br /&gt;encaracolados&lt;br /&gt;aos demais&lt;br /&gt;não tecemos &lt;br /&gt;mantas&lt;br /&gt;agasalhos&lt;br /&gt;sapatinhos&lt;br /&gt;nem somos varais&lt;br /&gt;estendidos&lt;br /&gt;secando roupa&lt;br /&gt;só nos enroscamos&lt;br /&gt;e formamos&lt;br /&gt;nós&lt;br /&gt;quando muito juntos&lt;br /&gt;como finos cordões &lt;br /&gt;de ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já publicados&amp;nbsp;aqui: &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1842"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1842&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3619271691486609851?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3619271691486609851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/07/poemas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3619271691486609851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3619271691486609851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/07/poemas.html' title='POEMAS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-I-yhHJRIQR0/TjSqTUBZWlI/AAAAAAAAAY4/_8iyPAT1Zkc/s72-c/img_1842.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-519607551268417217</id><published>2011-07-23T22:19:00.000-03:00</published><updated>2011-07-23T22:19:01.742-03:00</updated><title type='text'>ADIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Todos os excessos são condenáveis, até mesmo os da abstinência&lt;/em&gt; (Voltaire)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus companheiros &lt;br /&gt;de ilusão&lt;br /&gt;quem são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o que combate&lt;br /&gt;o horror à solidão&lt;br /&gt;e tenta esquecer &lt;br /&gt;que não tem mais sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lidar com o real&lt;br /&gt;cada vez mais &lt;br /&gt;avassalador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mal estar&lt;br /&gt;você soma&lt;br /&gt;a dependência&lt;br /&gt;de algum paraíso artificial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crê precisar &lt;br /&gt;de subterfúgios&lt;br /&gt;para criar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só assim&lt;br /&gt;as portas da percepção vão se abrir&lt;br /&gt;céu e inferno &lt;br /&gt;se intercambiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a literatura pode &lt;br /&gt;(meio ou fim)&lt;br /&gt;significar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que modo atravessa&lt;br /&gt;o crespo do seu sertão&lt;br /&gt;esse deserto da alma:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o liso do Sussuarão&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se embriaga&lt;br /&gt;se entorpece&lt;br /&gt;quando não consegue &lt;br /&gt;dizer não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que veredas percorre&lt;br /&gt;em busca da fantasia &lt;br /&gt;de completude? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-me onde te abasteces&lt;br /&gt;e dir-te-ei &lt;br /&gt;quem não és&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca de fumo?&lt;br /&gt;Num &lt;em&gt;Mc da vida&lt;/em&gt;? (a droga do &lt;em&gt;junkie food&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;Na farmácia?&lt;br /&gt;No botequim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o ajuda a encarar&lt;br /&gt;a falta, o excesso&lt;br /&gt;o lusco-fusco da alma&lt;br /&gt;seu &lt;em&gt;Diadorim&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal linha de fuga&lt;br /&gt;que prazeres &lt;br /&gt;proporciona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estados alterados lhe dão (ou tiram)&lt;br /&gt;vontade de que?&lt;br /&gt;Que tonalidades o mundo perde&lt;br /&gt;ou adquire?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, o que suas sábias vísceras&lt;br /&gt;denunciam?&lt;br /&gt;Espasmos de culpa ou remorso&lt;br /&gt;&lt;em&gt;revém&lt;/em&gt;? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-519607551268417217?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=X_2aGXifKeg' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/519607551268417217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/07/adicao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/519607551268417217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/519607551268417217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/07/adicao.html' title='ADIÇÃO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-2196688512448546631</id><published>2011-06-06T10:43:00.013-03:00</published><updated>2011-06-14T03:07:22.397-03:00</updated><title type='text'>BRUXELAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-hglmS1Yi5Sk/TezWtfRewnI/AAAAAAAAAYA/ZubSD6ul2so/s1600/800px-Grand_place_brussels_WQ3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="146" src="http://1.bp.blogspot.com/-hglmS1Yi5Sk/TezWtfRewnI/AAAAAAAAAYA/ZubSD6ul2so/s320/800px-Grand_place_brussels_WQ3.jpg" t8="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Pense numa linda praça. Pensou? Piazza San Marco, em Veneza? Plaza Mayor, em Madrid? Place de Vosges, em Paris? A Grand Place, também chamada de Grote Markt, em Bruxelas, proclamada patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, em 1998 é a mais bonita do continente, Victor Hugo tinha razão. Assim que cheguei, parti para conhecê-la e não me decepcionei. Em minha estadia na capital da Bélgica, para lá ia todo dia, nem que fosse só para beber um café ou degustar uma cerveja Du Vell, mais forte do que as que estamos acostumados a tomar no Brasil, devido ao seu alto teor alcoólico (as produzidas por seis mosteiros trapistas também são especiais) com as célebres &lt;em&gt;patats frites&lt;/em&gt; embaladas em um cone de papel. Exuberantes prédios antigos de estilo barroco em perfeito estado de conservação resplandecem ao sol, extasiando os visitantes. Mercadores, artesãos e ourives foram seus proprietários, competindo entre si construindo fachadas decoradas em ouro, um verdadeiro esplendor. No século XII ela era o centro político e econômico da cidade, hoje ainda abriga órgãos do governo, museus e lojas. À noite &lt;em&gt;ferve&lt;/em&gt;, com apresentações culturais e shows de luzes e música. Já o Manneken-pis, a cem metros daí, não justifica a fama: trata-se de uma pequena estátua de bronze de um menino urinando, datada de 1619 (no Mourisco, no Rio, há o Manequinho, certamente nele inspirado, maior e bem mais expressivo).&lt;br /&gt;Era fim de junho, o tempo estável e a temperatura amena, estimulando passeios a pé (com calçados confortáveis para andar em ruas com paralelepípedos). No início as placas confundem um pouco por causa dos&amp;nbsp;dois idiomas utilizados, o francês e o flamengo, mas depois você se acostuma e outras belezas podem ser apreciadas. A Cathedrale Saint-Michel, em estilo gótico. O &lt;em&gt;Atomium&lt;/em&gt;, planejado&amp;nbsp;para a Expo 58, sobreviveu tornando-se visita obrigatória,&amp;nbsp;um símbolo nacional. O Mini-Europe, um parque com miniaturas dos pontos turísticos mais famosos do mundo. O Royal Museum of Fine Arts e o Royal Palais. A Place Grand-Sablon. Murais com quadrinhos são encontrados em vários quarteirões, fazem parte da cultura belga, mas o museu dedicado a eles, a 30 quilômetros, na vizinha Louvain-la-Neuve, vale uma visita. Quem não conhece &lt;em&gt;Tintin&lt;/em&gt;, desenho em quadrinhos criado por Georges Remi, mais conhecido como Hergé, um trocadilho com as iniciais do seu nome, considerado o Walt Disney europeu? O herói Asterix, dos gibis da minha infância, também é originário daqui. &lt;br /&gt;Maravilha gastronômica, a Rue de Boucheurs é muito freqüentada graças aos&amp;nbsp;excelentes restaurantes; mexilhões pescados no mar do Norte são a especialidade do lugar. Outro alimento típico, ideal para um lanche, é o &lt;em&gt;waffle&lt;/em&gt; (originalmente produzido como hóstia, para missa), mais volumoso e macio do que o tradicional por ser muitas vezes fermentado, assim me explicaram. E o chocolate é um capítulo à parte, trazido pelos espanhóis quando estavam sob o domínio dos Habsburgos e depois aperfeiçoado quando o cacau era transportado da colônia africana Congo Belga; deliciosos são os pralines (recheados). &lt;br /&gt;Não deixe de ir a Bruges, cidade medieval, em seus primórdios com poderosa indústria têxtil e fértil contato comercial com a Inglaterra. Reza a lenda que no fim do século XV chegou a ter o dobro dos habitantes de Londres, porém o canal que a conectava ao mar estrangulou, deixando-a isolada, paralisando-a por mais ou menos quatrocentos anos. Os guias contam a seguinte história: turistas ingleses começaram a chegar depois de &lt;em&gt;Waterloo&lt;/em&gt;, (ali perto, onde Napoleão perdeu a guerra, lembra?) e depois também que um romance foi publicado (Bruges, a morta). Tudo isso acabou por ressuscitar o turismo que a movimenta até hoje.&lt;br /&gt;Um intelectual quando ouve falar em charuto, pensa em Freud. Quando ouve “cachimbo” pensa no surrealista Renée Magritte, pintor belga cuja tela-ícone é de um cachimbo com a inscrição “isso não é um cachimbo”, lembrando que não se trata de um cachimbo real e sim de sua representação. Ele salientava que não importa o quão perto a arte realista chegue,&amp;nbsp;nunca alcança &lt;em&gt;a coisa&lt;/em&gt; propriamente dita. “&lt;em&gt;As pessoas que procuram significados simbólicos não conseguem captar a poética e o mistério inerentes à imagem. Ao perguntar ‘O que isso significa?’, elas expressam o desejo de que tudo seja compreensível”&lt;/em&gt;. Quem quiser procurar, o quadro se chama A traição das imagens. E a quem interessar possa, a taverna Greenwich é uma parada obrigatória, ele costumava frequentar o local para jogar xadrez. No Musée d’Art Modern encontra-se a extensa coleção de obras do pintor.&lt;br /&gt;Uma homenagem a um dos meus artistas preferidos, mais especificamente à minha pintura favorita, denominada O Filho do Homem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dnZ1S0nqVUo/TezY6K8qGOI/AAAAAAAAAYE/ovliyd7QX4c/s1600/filho-de-um-homem+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-dnZ1S0nqVUo/TezY6K8qGOI/AAAAAAAAAYE/ovliyd7QX4c/s1600/filho-de-um-homem+2.jpg" t8="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O FILHO DO HOMEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conserva alguma lucidez&lt;br /&gt;– só alguma –&lt;br /&gt;na hora de criar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não te queixes de condições adversas&lt;br /&gt;elas são um bom fermento&lt;br /&gt;e a liberdade&lt;br /&gt;o único fanatismo permitido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mima a tua loucura &lt;br /&gt;não encarcerada:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o filho do homem &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(veio para nos salvar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para que ela te renda bons frutos&lt;br /&gt;tapa a boca &lt;br /&gt;de todo controle exercido pela razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-2196688512448546631?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/2196688512448546631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/06/bruxelas.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2196688512448546631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2196688512448546631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/06/bruxelas.html' title='BRUXELAS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-hglmS1Yi5Sk/TezWtfRewnI/AAAAAAAAAYA/ZubSD6ul2so/s72-c/800px-Grand_place_brussels_WQ3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8617770246907537400</id><published>2011-05-01T19:39:00.001-03:00</published><updated>2011-05-01T19:40:28.816-03:00</updated><title type='text'>NOME DO PAI</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tX6TyxsL2Gc/Tb3fFe1PGUI/AAAAAAAAAX8/sohB2DDPfWc/s1600/jld2005textos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-tX6TyxsL2Gc/Tb3fFe1PGUI/AAAAAAAAAX8/sohB2DDPfWc/s1600/jld2005textos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Um pai – disse Stephen, batalhando contra a desesperança – é um mal necessário.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Joyce&amp;nbsp;- Ulisses)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em que a arte pode desmanchar o que se impõe pelo sintoma?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Lacan&amp;nbsp;- Seminário James Joyce, o Sintoma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me falte, senão enlouqueço. Preciso de um corte. De barreira que me segure. De fronteira, pra cruzar. Limite, pra transgredir. Regra, pra fazer exceção. Necessito de um nó pra me sustentar, do contrário descosturo. De um ponto de basta pra por termo a tanto &lt;em&gt;revirão&lt;/em&gt;. De lei, que determina o desejo: foi proibido, eu quero. Dela me sirvo pra não ficar à deriva. Minha âncora, quando desgarrado.&lt;br /&gt;Deixo-me interrogar, uma vez que a ignorância tem um preço e é alto. Entrego-me a essa &lt;em&gt;dolor, douleur, pain.&lt;/em&gt; Ela resulta de estímulos pulsionais que irrompem na mente, atestando o fracasso das instâncias protetoras, só isso. Tudo isso, quando dói, e é quase sempre. Dor também é desafio, em espanhol: &lt;em&gt;duelo&lt;/em&gt;, derivado do latim: &lt;em&gt;duelum&lt;/em&gt;. Se parece que não agüentamos mais é porque aí &lt;em&gt;está quente&lt;/em&gt;, estamos perto de algo que nos concerne, de um lugar sensível qualquer, nevrálgico, ali onde o Real nos reclama se lhe damos dignidade de chamada e ousamos responder. Se assim não for ele fica solto, e com o imaginário longe periga correr fora do enlace da palavra. Sem sutura. Sem sentido.&lt;br /&gt;Você não veio, eu escrevo. Produzo meu próprio nome. Teço ali onde o tecido está esgarçado, cirzo. As linhas arrancadas da carne, feito Bispo do Rosário que desfazia o uniforme para com os fios coser o seu manto. Estou nu. Despi um santo ego para vestir outro, de autor, pois apontar toda a verdade não equivale a bem dizê-la, como se pensa, ao contrário, dessa forma ela está mal dita. Maldita! Ela tem que ser parcial para ser bem-dita, senão é o caos, suporto até certo ponto, a partir daí me desestruturo.&lt;br /&gt;Éramos bestas, e a evolução (o sopro divino) – com a dádiva da construção do pensamento e seu corolário, a linguagem – nos humanizou. Resta, porém, um &lt;em&gt;gap &lt;/em&gt;entre enunciado e enunciação. Penso, "logro sou" é a crítica ao &lt;em&gt;cogito&lt;/em&gt; de Descartes, esse engano. Somos sujeitos letrados, mas a letra é quem nos soletra. Tive que traçar muita leitura pra saber, ao menos, quem não sou. Quem sou sigo (des)cobrindo pela vida afora, cada texto re-vela (vela de novo) minha identidade, ao mesmo tempo em que a expõe, em diferentes escritas de imagem. Num constante endereçamento a um outro ausente, faltoso, ainda que presente.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escrevim&lt;/em&gt;. Vim, vi e escrevi. Só assim venci: através da literatura, artifício que compensa aquela falha, suplência à falta do &lt;em&gt;nome-do-pai&lt;/em&gt;, ao seu rateio. Trançado graças ao qual não sucumbo. Um achado, onde me encontro e me &lt;em&gt;autor’izo &lt;/em&gt;por mim mesmo. Laço finalmente dado. Simbolização alcançada ainda que tardia e fadada ao insucesso, já que escrever é um ato impossível. O que não impede que se continue tentando, como Beckett: &lt;em&gt;Fail. Fail again. Fail better&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto já publicado em: &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=2506"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=2506&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8617770246907537400?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8617770246907537400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/05/nome-do-pai.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8617770246907537400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8617770246907537400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/05/nome-do-pai.html' title='NOME DO PAI'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tX6TyxsL2Gc/Tb3fFe1PGUI/AAAAAAAAAX8/sohB2DDPfWc/s72-c/jld2005textos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8978722966985023480</id><published>2011-04-17T20:52:00.013-03:00</published><updated>2012-02-19T00:35:00.522-02:00</updated><title type='text'>AMSTERDAM</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0uMsQyMk1zg/Tat8KkCTkzI/AAAAAAAAAX0/ilxwNC1EEQA/s1600/Fotos+Viagem+Europa+2005+073.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-0uMsQyMk1zg/Tat8KkCTkzI/AAAAAAAAAX0/ilxwNC1EEQA/s320/Fotos+Viagem+Europa+2005+073.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;AMSTERDAM&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O pintor persegue a linha e a cor, mas sua meta é a Poesia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. (Rembrandt)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a Holanda esteja mais associada a tulipas, moinhos de vento, tamancos e ao delicioso queijo lá produzido, jurei conhecer Amsterdam no dia em que li &lt;em&gt;Anne Frank, o Diário de uma jovem&lt;/em&gt;, escrito por uma garota judia da minha idade no tempo em que ficou escondida junto com a família para não ser deportada para os campos de concentração da Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Décadas depois, cá estou eu, nem acredito, na capital e maior cidade dos Países Baixos! Seu nome é derivado de uma represa (dam) no rio Amstel. &lt;br /&gt;A chegada foi no aeroporto de Schipol, cujas pistas ficam a cerca de cinco metros abaixo do nível do mar. Sua funcionalidade se traduz no trem que o liga à Estação Central, construída numa ilha artificial. Saindo daí, olhando-se de frente, o traçado da cidade é feito por cinco semicírculos concêntricos de canais por onde se navega (algumas embarcações servem como moradia). Podem ser vistas&amp;nbsp;elegantes mansões&amp;nbsp;bem preservadas que ricos mercadores construíram às suas margens, na época de ouro para esse porto considerado o mais próspero do mundo, no século XVII. &lt;br /&gt;A dica de um amigo foi valiosa: hospedagem no pequeno e simpático Leidse Square Hotel, localizado em uma tranqüila zona residencial a poucos metros das principais atrações, leia-se museus, pois aqui é o país com o maior número deles por metro quadrado do planeta, dois de reconhecimento internacional: o Rijksmuseum e o Vicent Van Gogh Museum. &lt;br /&gt;O primeiro, fundado em 1808, exibe, além de obras de grandes mestres da pintura como Rembrandt, Vermeer e outros, uma vasta coleção de esculturas, gravuras, desenhos, móveis, cerâmicas e antiguidades. O segundo, com o maior acervo de Van Gogh, apresenta por ordem cronológica e temática os períodos holandês e francês (o estilo sombrio das telas do início gradualmente substituído por pinceladas de cores vibrantes), além de trabalhos de artistas que tanto o influenciaram quanto foram influenciados por ele.&lt;br /&gt;Para os amantes das belas-artes um terceiro é imperdível: o Rembrandt, numa casa restaurada, onde o pintor viveu. As águas-fortes – desenvolvidas por quem pensava a gravura como meio artístico independente, ao qual dedicou anos de experimentação – e os numerosos auto-retratos valem cada hora despendida.&lt;br /&gt;Com reverência e emoção contida chego ao museu administrado pela Fundação Anne Frank, uma organização que combate o anti-semitismo, o fascismo e o nazismo. Percorro o espaço onde exposições em áudio e vídeo, com fones em várias línguas, revelam os detalhes da história. Vejo com os meus próprios olhos, agora em lágrimas, o refúgio onde a menina escreveu o diário (é possível ver os originais), a crônica da perseguição aos judeus por Hitler: uma falsa estante dava acesso ao pequeno cômodo onde ela e a família se escondiam até que foram encontrados, em 4 de agosto de 1944, presos e enviados a Auschwitz; só seu pai sobreviveria para publicá-lo (o livro foi traduzido para mais de cinqüenta idiomas). &lt;br /&gt;Sonho realizado, parto para novas conquistas. Visito a badalada Dam Square (antigamente os pescadores vinham negociar produtos, hoje é um agitado cruzamento). Caminho pelo Begijnhof (um pátio cercado por casas antigas). Compro &lt;em&gt;souvenires &lt;/em&gt;na Kalverstraat (a rua para pedestres). Faço um piquenique no Vondelpark (49 hectares de área). Passeio de barco para apreciar a arquitetura dos armazéns e residências com as características fachadas estreitas (há atracadouros por todo lado, placas indicam os horários das excursões). Relembro meu tempo de criança no Rio, andando de bonde. Degusto uma de minhas cervejas preferidas, a Heineken (sob explicações detalhadas sobre o processo de fermentação, nas instalações da fábrica e no museu dedicado a ela). Perco-me nas ruelas do Jordaan (outrora povoado pela classe trabalhadora, nos anos 70 tomado por estudantes e artistas). Rendo-me à beleza das tulipas de todas as cores.&lt;br /&gt;Come-se muito bem em qualquer estabelecimento, inclusive, se tiver pressa, nas ruas, em carrinhos ambulantes. O turista encontra pratos que cobrem quase todas as geografias, mas a comida Indonésia parece ser a dominante (prove um jantar &lt;em&gt;rijstaffel&lt;/em&gt;, com mais de vinte pratos diferentes bem temperados e servidos em pequenas tigelas). Se gostar de doces, peça como sobremesa &lt;em&gt;poffertjes&lt;/em&gt; (panquequinhas) ou &lt;em&gt;oelie bols&lt;/em&gt; (sonhos) com os mais diversos recheios e coberturas.&lt;br /&gt;Não busquei conhecer o processo de lapidação de diamantes. Não fui a nenhum café marrom (assim chamado pela cor das paredes por causa do fumo em seu ambiente; o consumo de &lt;em&gt;cannabis&lt;/em&gt;, a popular maconha, é legalizado em lugares credenciados) nem ao bairro da luz vermelha (onde mulheres ficam expostas em vitrines, para prostituição). Não pedalei (as bicicletas são o meio de transporte favorito dos cidadãos, e, cuidado, elas tem preferência). Mas se você se interessa por algum desses itens, será fácil encontrar o que procura. &lt;br /&gt;Por fim, aceitei um convite para desfrutar de uma visita à pitoresca zona rural, Zaanse Schans, linda vila a 24 quilômetros ao norte de Amsterdam, onde se pode observar o lado tradicional do país: vacas no pasto, moinhos (é permitido conhecê-los por dentro, se assim desejar) e fábricas mostrando o passo a passo da confecção dos famosos tamancos. Seus habitantes vestem ainda o traje nacional. Mais à frente, Volendam, pequeno vilarejo com colorido casario histórico de madeira, à margem do maior lago holandês, o Ijselmeer, procurado por velejadores e praticantes de pescaria. &lt;br /&gt;O vento constante que sopra desde que cheguei já apagou qualquer rastro de solidão, e não há lamento que tenha resistido. Ressuscito a alegria, canto o meu contentamento. Abraço estranhos. Dou informações recém-adquiridas com&amp;nbsp;a maior paciência, ludicamente, até.&amp;nbsp;Por tudo isso, constato, ao menos em parte, a sabedoria do conhecido ditado: &lt;em&gt;Em Rotterdam, trabalha-se; em Haia, governa-se; em Amsterdam, vive-se. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8978722966985023480?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8978722966985023480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/04/amsterdam.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8978722966985023480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8978722966985023480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/04/amsterdam.html' title='AMSTERDAM'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0uMsQyMk1zg/Tat8KkCTkzI/AAAAAAAAAX0/ilxwNC1EEQA/s72-c/Fotos+Viagem+Europa+2005+073.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-6998945742481862449</id><published>2011-03-30T21:26:00.005-03:00</published><updated>2011-04-01T21:51:54.460-03:00</updated><title type='text'>VOCÊ JÁ FOI A PARIS, NÊGA? NÃO? ENTÃO VÁ.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cBYtT_GXLwo/TZPHdDbMrNI/AAAAAAAAAXs/-lcqyNWAeUc/s1600/Fotos+Viagem+Europa+2005+118.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-cBYtT_GXLwo/TZPHdDbMrNI/AAAAAAAAAXs/-lcqyNWAeUc/s320/Fotos+Viagem+Europa+2005+118.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Placa no lado direito da parede exterior da Livraria Shakespeare&amp;amp;Company, com um dos versos mais famosos do poeta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar é como ler, sempre nos acena com promessas de mudança de ponto de vista. Sobre o outro, sobre nós mesmos. Aumenta a tolerância com o diferente. Demove estratificações de mitos. Derruba preconceitos tão tenazes quanto ocultos. Restabelece a pluralidade do ser. Porém, mal começo a organizar as recordações de Paris em forma de narrativa hesito diante da questão que me acossa: você tem coragem? Será que o fato de tê-la visitado em duas ocasiões apenas a autoriza a escrever sobre uma cidade desse porte, dessa importância?&lt;br /&gt;Sim, não tardo em responder, porque ela é como a escrita de Joyce: ninguém pode dizer que a conhece, no máximo consegue-se captar alguns traços característicos e se deixar impregnar, enfeitiçar, surpreender. No máximo, posso falar da ‘minha’ Cidade Luz (assim chamada por sua efervescência durante o Iluminismo). Mesmo amparada em depoimentos de viajantes que me antecederam, em fotos, filmes, livros que poderiam passar uma ilusão de verdade, de exatidão fiz a castração do saber e aceito que o desejo de total conhecimento está condenado ao fracasso. &lt;em&gt;Uno cree conocer París, pero no hay tal; hay rincones, calles que uno podría explorar el día entero, y más aún de noche&lt;/em&gt; (Julio Cortazar, em Rayuela).&lt;br /&gt;Às vésperas da primeira ida à charmosa capital, refletia: o estudo de mais de sete anos de francês, nunca mais exercitado, serviria para alguma coisa? Sempre que estou em lugares cuja língua não domino, logo que surge uma dúvida pergunto se o interlocutor fala inglês (um pouco menos enferrujado), mas disseram-me que isso seria considerado ofensivo pelos parisienses, cuja fama já é de antipáticos e impacientes com estrangeiros. Não foi o que vivi, ao contrário, quando o &lt;em&gt;tatibitate&lt;/em&gt; me traía esforços não pareciam ser poupados para que eu fosse bem compreendida e atendida.&lt;br /&gt;Tanto vindo de trem de Londres por debaixo do canal da Mancha, o Eurostar, quanto pousando no Aeroporto Charles de Gaulle, num vôo de Bruxelas, confusa, rodopio como um pião, contudo ambos os locais mantém pequenos escritórios de informação que auxiliam os turistas. Entre janeiro (pleno inverno) e início de julho (quase verão) uma grande diferença, com vantagem para a temporada com termômetros em torno dos cinco graus. Como diz o alemão, nunca está frio demais, você é que não está bem agasalhado. Temos que nos embalsamar como múmias, mas o investimento compensa: menos filas, atendimento qualificado, ambientes devidamente climatizados. &lt;br /&gt;Em 2000 hospedei-me na Place de la Republique, o que resultou em deliciosos jantares ali no Leon de Bruxelas. Em 2005, na Place de la Madeleine, da igreja com o mesmo nome e da Fauchon. À porta dessa outra perdição gastronômica, na manhã da chegada, cruzo com ilustre escritor carioca. &lt;em&gt;Un encuentro casual es lo menos casual en nuestras vida&lt;/em&gt; (Cortazar). Vendo nossos calçados imundos pela chuva que caía, lembro-me de fragmentos de um texto seu, O suor e a lágrima: “... Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão”. Sem pensar, o interpelo como se nos conhecêssemos: Cony, você por aqui? E ele, mesmo surpreso, responde afetuoso, apertando-me a mão, sinalizando o guarda-chuva: &lt;em&gt;oui, en Paris, sous le parapluie&lt;/em&gt;! A epifania de um breve instante. Instantâneo que não empalidece com o tempo. Cada um pro seu lado, mas colhi a flor daquele encontro fortuito como bom agouro da minha estadia.&lt;br /&gt;No mapa oferecido na recepção do hotel, o &lt;em&gt;layout &lt;/em&gt;da cidade mostra &lt;em&gt;arrondissements&lt;/em&gt; (bairros) marcados de 1 a 20, no formato de uma espiral, começando pelo centro velho em torno do &lt;strong&gt;Louvre&lt;/strong&gt;. É pra lá que eu sigo. A entrada, uma enorme pirâmide de vidro de design arrojado (desenhada pelo arquiteto chinês I. M. Pey, projeto aprovado pelo então presidente Miterrand e realizado em 1989) não se choca com as clássicas linhas de sua arquitetura. Quer você privilegie trabalhos, autores ou períodos quer apenas aja como &lt;em&gt;flanêur&lt;/em&gt;, passeando nas galerias, o esplendor é o mesmo (a Mona Lisa, a Vênus de Milo e as antiguidades do Egito &lt;em&gt;acenaram-me&lt;/em&gt;, nas duas vezes em que lá estive, para &lt;em&gt;conferi-las&lt;/em&gt;). Fique o tempo que puder. Volte, se assim desejar, nunca é demais (diz-se que se a gente permanecer cinco minutos apreciando cada obra desde o momento da abertura até o horário do fechamento precisará de dez anos para ver tudo). Saindo, encontra-se o &lt;strong&gt;Jardin des Tuileries&lt;/strong&gt;, assim denominado pela terra argilosa usada para fabricar telhas, tuiles. O entardecer aí é extraordinário, o olhar quase não suporta o impacto dessa visão. &lt;br /&gt;Mais três museus devem ser incluídos em qualquer itinerário: o &lt;strong&gt;d’Orsay &lt;/strong&gt;(situado numa antiga estação ferroviária, contém uma extraordinária coleção de arte da segunda metade do século XIX), o &lt;strong&gt;Picasso&lt;/strong&gt; (numa belíssima mansão que abriga o maior acervo do artista) e o &lt;strong&gt;Rodin&lt;/strong&gt; (além de O Pensador, várias obras-primas do mestre e de Camille Claudel, sua discípula nas artes e no amor; o jardim das esculturas é lindo e propicia boas fotos).&lt;br /&gt;Seus principais ícones são: &lt;strong&gt;Torre Eiffel&lt;/strong&gt;, construída para a Feira Mundial de 1889, acabou tornando-se o símbolo de Paris. &lt;strong&gt;Arco do Triunfo&lt;/strong&gt;, monumento dedicado a Napoleão. &lt;strong&gt;Catedral de Notre-Dame&lt;/strong&gt;, imponência gótica erguida numa época em que a maioria da população era analfabeta, conta histórias bíblicas através de seus portais, pinturas e vitrais. &lt;strong&gt;Sainte Chapelle&lt;/strong&gt;, não perca a &lt;em&gt;chapelle haute&lt;/em&gt; (capela superior): cenas do Velho e do Novo Testamento são retratadas em quinze janelas de vitrais. &lt;strong&gt;Basílica de Sacre-Coeur&lt;/strong&gt;, no topo de uma escadaria ou, se preferir, vá de funiculaire, a vista é soberba; no em torno há exposições de pintores e caricaturistas. &lt;strong&gt;Centre Pompidou&lt;/strong&gt;, de linhas arrojadas: o exterior coberto de um emaranhado de tubos coloridos e escadas rolantes que levam de um andar a outro. O rio &lt;strong&gt;Sena&lt;/strong&gt;, por onde se pode navegar de &lt;em&gt;bateaux mouche&lt;/em&gt; ou descansar em suas margens.&lt;br /&gt;Outras atrações: o Cemitério de &lt;strong&gt;Père-Lachaise&lt;/strong&gt; (Chopin, Oscar Wilde e Isadora Duncan, embora aqui não tenham nascido foram enterrados ao lado de Molière, Proust e Edith Piaf). O &lt;strong&gt;Panthéon&lt;/strong&gt; (encomendado por Luis XV após recuperar-se de grave doença, em tributo à Santa Genoveva, padroeira de Paris) também abriga os túmulos de Voltaire, Rousseau e Zola. &lt;strong&gt;Conciergerie &lt;/strong&gt;(uma prisão durante a Revolução Francesa; Maria Antonieta esteve aí detida). &lt;strong&gt;Hotel des Invalides&lt;/strong&gt; (hospital e residência para os feridos de guerra, hoje comporta vários escritórios e um museu que expõe toda a parafernália militar).&lt;strong&gt; Les Egouts de Paris&lt;/strong&gt; (os esgotos: há quem goste de apreciar essa maravilhosa obra de engenharia). &lt;br /&gt;Vagabunda andarilha, caminho sem cessar por ruas, passeios cobertos, praças, parques e bairros e, incrível, são eles que me deixam suas pegadas. Parodiando Mario de Andrade, adoçam-me que nem verso de Rilke. Place de la Concorde. Champs-Elysées. Boulevard Saint-Germain. Place de Vosges (a mais antiga e a mais bonita, com a singela casa número seis, onde morou Victor-Hugo). Parque Bois de Bologne (no passado, floresta e reserva de caça da realeza). Quartier Latin. Marais. St-Germain-des-Près. Montmartre. Jardin du Luxemburg (o preferido das crianças). Place Vendome (um dos endereços mais sofisticados, com o hotel Ritz e lojas de grife). Se quiser compras mais econômicas procure Galeries Lafayette, La Samaritaine, Printemps ou ainda visite o Marché aux Puces (mercado de pulgas). &lt;br /&gt;Os aficionados por literatura tem de marcar ponto na Livraria &lt;strong&gt;Shakespeare&amp;amp;Company&lt;/strong&gt;, outrora freqüentada por Hemingway, Fitzgerald, Gertrude Stein e outros eruditos; no comando de Sylvia Beach foi responsável pela primeira edição do Ulysses, de James Joyce.&lt;br /&gt;Na &lt;strong&gt;Comédie Française&lt;/strong&gt; clássicos são encenados. Se gostar de ópera: &lt;strong&gt;Bastille &lt;/strong&gt;é seu principal palco. Um tanto decadentes, cujos dias de glória lá se vão, mas ainda há quem não perca seus espetáculos: &lt;strong&gt;Lido, Folies Bergère e Moulin Rouge&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Nos arredores, a 23 quilômetros de Paris encontra-se o &lt;strong&gt;Château Versailles&lt;/strong&gt;, palácio edificado por Luis XIV, o Rei-Sol, patrimônio mundial da Unesco, com seu famoso Hall dos Espelhos, local em que foi assinado o acordo para o fim da segunda guerra mundial. Prepare-se para um dia inteiro de visita, guiada, de preferência.&lt;br /&gt;Cidade-sedução. Histórica. Romântica. Sua graça, beleza e mistério penetram nos catres mais escuros do meu ser, iluminando-os. É “voltar aos dezessete anos, depois de viver um século”, como cantava Mercedes Sosa a composição de Violeta Parra. Razão e sensibilidade juntos muito podem: transpassa-me a ilusão de paz e completude. Canto, desde então. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sem a melancolia dos instantes perfeitos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;sem os rios de luz colorindo os cristais, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;sem a agonia luminosa do fugaz&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;é impossível cantar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Bruno Tolentino)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-6998945742481862449?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/6998945742481862449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/voce-ja-foi-paris-nega-nao-entao-va.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6998945742481862449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6998945742481862449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/voce-ja-foi-paris-nega-nao-entao-va.html' title='VOCÊ JÁ FOI A PARIS, NÊGA? NÃO? ENTÃO VÁ.'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cBYtT_GXLwo/TZPHdDbMrNI/AAAAAAAAAXs/-lcqyNWAeUc/s72-c/Fotos+Viagem+Europa+2005+118.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-1481435235681533106</id><published>2011-03-24T22:18:00.004-03:00</published><updated>2011-03-25T16:08:43.720-03:00</updated><title type='text'>O ESCRITOR E O KAXINAWA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-vpoUjhQ08ko/TYvsagZAteI/AAAAAAAAAXc/apcAnuPEPG0/s1600/imagesCAU95GKY.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-vpoUjhQ08ko/TYvsagZAteI/AAAAAAAAAXc/apcAnuPEPG0/s1600/imagesCAU95GKY.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que faz, afinal, um escritor quando escreve? Um kaxinawa, tribo do Alto Rio Purus, na Amazônia, quando faz um desenho no próprio corpo é um agente produzindo outro sujeito. Mediado por imagens gráficas, outro kaxinawa surge no ritual de passagem de criança para adulto, via contornos mais finos e delicados, diferentes dos traços grossos que antes o adornavam - assim registram etnógrafos que estudam esses índios. Mesmo não sendo considerado de bom tom explicar o que se passa na cabeça de alguém se ele não se deitou no nosso divã, já nos advertia Lacan ao estudar Joyce e sua obra, pois só temos acesso ao que sobra do ato criativo, a produção final, os restos, as ruínas que tombam na folha em branco, sabemos que um escritor quando escreve sai de uma protetora estagnação estéril em que estava imerso para lamber, sem risco de vida (ou de morte, como modernamente se diz), a total falta de fixidez que o ameaça; o meio-termo é a escrita, fronteira entre sanidade e sandice. Libertador parto sem dor, mas também carícia sem toque, um abraço em quem não pode mais ser abraçado. Aí, indivíduo e autor realizam trocas com relativa segurança em seus respectivos lugares, o que era antes e o que passa a ser durante e depois se interpenetram, à total anarquia sucede uma temporária organização: o “desenho verdadeiro” começa a ser delineado. O que parecia só tautológico (O que faz um escritor? Escreve, ora!), é mais: o escritor se escreve e se inscreve no mundo. Linha por linha, alinha o que lhe parece/soa desalinhado, na nova leitura de si. Ao contrário do detetive, nada procura: acha, se encontra. Na voluntária óbvia primeira pessoa (aí talvez seja aonde ele menos se revela) ou refugiado no aparente distanciamento da(o) terceira(o), ele, ainda que de maneira inconsciente, sensível aos ruídos internos, ainda que em atenção flutuante (a escuta atenta, objetiva é surda), desova suas dores, exorciza o horror pelo qual se sente atraído, seu lado b, aquele insalubre da vida, do que poderia ser, mas não é. Sem esquecer a multiplicidade de vozes que perfazem o seu território cultural, até porque elas que o constituíram, primordialmente. Embora alguns pensem que produzem efeito sem causa, que criam do nada!... (Essa, muitas vezes, costuma ser sua teimosa versão). Quanto mais racional, mais ‘profissional’: mais pesquisas, projetos, roteiros, e nobres influências declaradas fixam residência em suas letras. Não adianta: um romance é o mais autobiográfico dos textos (&lt;em&gt;Madame Bovary c’est moi&lt;/em&gt;, dizia Flaubert). Sem correspondência linear, não confundir, apenas cartografia peculiar de outras trajetórias possíveis. Eis um depoimento contemporâneo: em entrevista recente, à pergunta O que existe do protagonista em Silviano Santiago, ele assim respondeu: "Tudo e nada. Se eu descrever o personagem por substantivos abstratos (sedutor, ambicioso, perdulário, canalha, etc.), tudo. Se descrever o personagem pelas ações concretas que ele vivencia no romance, praticamente nada. Ficção é o salto do abstrato da experiência para o concreto da trama romanesca. Entre um e outro, a imaginação em delírio”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem aceita frustração, espera. Quem espera, pensa, Quem pensa, sente. Quem sente, vive o tempo e sabe que ele está passando, portanto, fica mais velho” (O fazedor de velhos, de Rodrigo Lacerda). A literatura enganaria o tempo ou, ao contrário, por fazer as pessoas pensar as faria envelhecer de fato? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-1481435235681533106?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/1481435235681533106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/o-escritor-e-o-kaxinawa.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1481435235681533106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1481435235681533106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/o-escritor-e-o-kaxinawa.html' title='O ESCRITOR E O KAXINAWA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-vpoUjhQ08ko/TYvsagZAteI/AAAAAAAAAXc/apcAnuPEPG0/s72-c/imagesCAU95GKY.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7496168110655912137</id><published>2011-03-16T23:12:00.001-03:00</published><updated>2011-03-16T23:13:02.660-03:00</updated><title type='text'>NUM PISCAR DE OLHOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-zIjzJBJmnBQ/TYFtTPm6Q8I/AAAAAAAAAXQ/a78KtiwnN3k/s1600/490604_screams.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-zIjzJBJmnBQ/TYFtTPm6Q8I/AAAAAAAAAXQ/a78KtiwnN3k/s1600/490604_screams.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sagitário, seu verbo é ver, me informa a &lt;em&gt;astróloga de plantão&lt;/em&gt; sem que eu nada pergunte ou informe, em pleno elevador comercial vazio, só ela e eu. Você enxerga as coisas de longe, como uma águia, com precisão. Cuide da responsabilidade de ter olhos quando outros os perderam, como Saramago observou em Ensaio sobre a cegueira. E continua, bla-bla-bla.&lt;br /&gt;Um &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt; e começo a divagar. Perco-me numa sucessão de reflexões e associações-livres de sentido contrário: preciso é exercitar o não ver. Usar mais as pálpebras que quando baixadas servem para a não visão, tão essencial quanto o próprio sentido. Não escurecemos um cômodo para dormir? Relaxar? Meditar? Revelar fotos? Para confessar, na penumbra do confessionário? Não sonhamos dentro das brumas do sono? Não precisamos do contraste do &lt;em&gt;chiaroscuro &lt;/em&gt;para definir, conceituar? &lt;br /&gt;Ver menos significa ser menos amargo, menos crítico, menos observador da realidade do mundo para melhor suportá-la. Compreender menos e aceitar mais. A visão excessiva mata os afetos incipientes, acaba com a poesia, com a ilusão. Cria céticos, cínicos, pessimistas. Tem coisa melhor do que acreditar piamente em alguém? Entrar nos relacionamentos às escuras, sem idéias preconcebidas? Arriscar se enganar inclusive, ser ingênuo, morder a isca, sem se importar em ser fisgado, em ser pescado. Cair como um patinho. Cair no conto do vigário. O conto já não é uma ficção? E o que é a vida senão uma sucessão de ficções, de versões, oficiais ou não?&lt;br /&gt;Que mania de verdade! Dela só se pode chegar perto, bordeá-la talvez, e novamente, pelo escuso, pelo sombrio, pelo pouco inteligível. Através do negativo, do engano, da mentira. Deixar-se guiar de olhos fechados, não é assim com a justiça? A fé também não é cega, não é o que se diz? Olhar só na justa medida para desculpar, perdoar, abençoar. O bom olhado, aquele que engorda. Olhar em demasia afasta, separa, é artificial. Olhando pouco, modifico e sou modificada. Não de fora, de dentro. Influenciando, sendo influenciada. Enovelada naquilo que observo. &lt;br /&gt;Melhor ainda trocar a voz do verbo, de ativo para passivo: ser vista, me expor sem medo do ridículo, aceitar ser tola aos olhos alheios. E aprender com quem me olha, às vezes torto, com quem não gosta de mim. Com quem critica, aponta, vê algo de que talvez precise me conscientizar. Se o mantiver à distancia, o ignorar, perco essa chance de clarear o horizonte com a lanterna tão fundamental do olhar do outro, do diferente. Porque o igual, o conhecido, o amigável é a paralisia. O &lt;em&gt;dejà-vu.&lt;/em&gt; A morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7496168110655912137?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7496168110655912137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/num-piscar-de-olhos.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7496168110655912137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7496168110655912137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/num-piscar-de-olhos.html' title='NUM PISCAR DE OLHOS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-zIjzJBJmnBQ/TYFtTPm6Q8I/AAAAAAAAAXQ/a78KtiwnN3k/s72-c/490604_screams.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-231509555591787267</id><published>2011-03-09T21:09:00.001-03:00</published><updated>2011-03-09T21:10:39.222-03:00</updated><title type='text'>CINZAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-4hy69pUTyFM/TXgVmbufhsI/AAAAAAAAAWw/j5Hkt2UKzQ8/s1600/1063490_carnival_mask.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-4hy69pUTyFM/TXgVmbufhsI/AAAAAAAAAWw/j5Hkt2UKzQ8/s1600/1063490_carnival_mask.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando o dia&lt;br /&gt;parecia um deserto&lt;br /&gt;e à noite&lt;br /&gt;desperto&lt;br /&gt;esperando&lt;br /&gt;em caravana seguia&lt;br /&gt;você chegou&lt;br /&gt;trazendo folia&lt;br /&gt;música&lt;br /&gt;fantasia&lt;br /&gt;lançando perfume&lt;br /&gt;às minhas cinzas&lt;br /&gt;que rubras ficavam&lt;br /&gt;e renasciam&lt;br /&gt;O carnaval acabou&lt;br /&gt;seu bloco passou, se foi&lt;br /&gt;deixei de brincar&lt;br /&gt;e me pus a dormir&lt;br /&gt;para não mais sonhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-231509555591787267?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/231509555591787267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/cinzas.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/231509555591787267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/231509555591787267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/cinzas.html' title='CINZAS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-4hy69pUTyFM/TXgVmbufhsI/AAAAAAAAAWw/j5Hkt2UKzQ8/s72-c/1063490_carnival_mask.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-6607199891235669523</id><published>2011-03-04T16:04:00.002-03:00</published><updated>2011-03-04T22:18:57.632-03:00</updated><title type='text'>SAMBA-ENREDO*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-vDVtT-_yQ3Q/TXE3IKIzK0I/AAAAAAAAAWs/NZkvi4jDSME/s1600/478627_carnival_1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" l6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-vDVtT-_yQ3Q/TXE3IKIzK0I/AAAAAAAAAWs/NZkvi4jDSME/s1600/478627_carnival_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tantos abraços abracei&lt;br /&gt;(hoje me quedo a lembrar)&lt;br /&gt;poucos carinhos refutei&lt;br /&gt;amor foi mesmo feito pra se dar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ano após ano me envolvi&lt;br /&gt;sempre com mais alguém&lt;br /&gt;meu coração só entende de adição&lt;br /&gt;divisão não, de visão sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre visionário&lt;br /&gt;São Tomé ao contrário:&lt;br /&gt;crer pra ver tudo acontecer&lt;br /&gt;o que sonho logo realizo, fazer o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antes que a morte surja mascarada&lt;br /&gt;num de seus disfarces infinitos&lt;br /&gt;mais fantasias terei eu criado&lt;br /&gt;pra brincar na folia dessa vida&lt;br /&gt;muito carnaval terei pulado&lt;br /&gt;entre a porta de entrada e a de saída &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Já publicado em imperdível edição pelo portal Cronópios, confiram: &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/carnaval/"&gt;http://www.cronopios.com.br/carnaval/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-6607199891235669523?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/6607199891235669523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/samba-enredo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6607199891235669523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6607199891235669523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/03/samba-enredo.html' title='SAMBA-ENREDO*'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-vDVtT-_yQ3Q/TXE3IKIzK0I/AAAAAAAAAWs/NZkvi4jDSME/s72-c/478627_carnival_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-9046019895787620878</id><published>2011-02-26T11:36:00.003-03:00</published><updated>2011-02-26T11:40:09.244-03:00</updated><title type='text'>COISA DE LOUCO*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-z-nCVfWHXaM/TWkOLJ7x4fI/AAAAAAAAAWk/JO1d7PgAXd4/s1600/1020206_fastest_writer_on_the_world.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" l6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-z-nCVfWHXaM/TWkOLJ7x4fI/AAAAAAAAAWk/JO1d7PgAXd4/s1600/1020206_fastest_writer_on_the_world.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Escrever é uma maluquice. Quem – senão um louco – pegaria numa pena (ou num teclado) e criaria&amp;nbsp;outro mundo ao invés de se adaptar a esse já criado? Criado desse imundo, não! Subalterno de imposições, nunca! Quando se é exilado de si mesmo parte-se logo para &lt;em&gt;outras praias&lt;/em&gt;, as do desterro da ficção. Ou não. De todo modo, não se trata de qualquer tipo de escrita, evidentemente, mas daquela que tem valor de escritura do traço que marcou primordialmente o sujeito. De uma autoria. E, conseqüentemente, do gozo obtido com isso. Escrevo para me estabilizar. Meus personagens são vis para que eu não precise sê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura é uma tampa de ralo de banheira que se coloca, rapidamente, para que a água não escoe toda e deixe a gente a seco, nu, tremendo de frio, com a sensação de que o líquido amniótico se foi, escorreu (não se diz que o tampão se rompeu?) e o parto começou: vamos ter que respirar por conta própria, pagar essa conta, o ar entrando, queimando os pulmões. Sangue, suor e (ainda por cima) sem cerveja&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;Sem ser, veja. Dor. Separação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma rolha que tampona o buraco que é sempre mais embaixo – ou acima, não importa. O que há é que não se consegue determinar o lugar, seu espaço, seu diâmetro, o que se sente é a espessura de sua borda. É um risco que se borda (e se corre), que se segue, de um bordado, uma abordagem, no máximo. Um recorte num mapa, litoral. Literalmente. Sempre mente, só aí se chega (próximo, e olhe lá) à verdade: pela mentira. Literariamente também. E principalmente. É quando mais se mente: pela letra, essa inscrição de nossa mentira primeira, a fantasia. Literatura não é isso? Ilusão. Elisão da verdade. Qual? Essa. Todas. Que a vida não tem sentido, não tem objeto, não tem closura, boa forma, gestalt. &lt;em&gt;A relação sexual não há&lt;/em&gt;, nada de metade da maçã, nem nirvana. Só uma banda, de cada lado: você pra lá eu pra cá, até quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se não há nada que tampone esse furo, essa falta, nada que sossegue o leão, o facho, acho, então deveria servir literalmente (de novo) tudo. Mas nem com isso me satisfaço, com esse desfilar metonímico de objetos na cadeia significante. Que situação, que prisão, eu não! Prefiro a liberdade do criar. Do pensar. Do re-significar. Do inventar. Uma outra vida, mesmo que seja só no papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo era dia de pescaria. Hoje em dia, é dia de virtual. Todo dia era dia de índio, agora, de aldeia global. Sem pajé. Falo de Internet. O falo da Internet. A Internet como falo. (Como falo, putz, pareço uma matraca!) Cair na rede (como peixe) pra não se sentir muito solto. Algo que dê lastro a essa insuportável leveza do ser. Domingo é dia nacional, internacional, cósmico de angústia, como se sabe. Se como – mastigando ou só engolindo – o ‘se sabe’ fico com o saber que angustia, esse despertar para a possibilidade de liberdade. Sem a prisão do trabalho, do estudo, de (alguns dos) relacionamentos obrigatórios. Com a soltura do tempo escorrido. Da alforria. E, tal qual um escravo, não sei o que fazer com isso. Ainda. Sempre. Nunca. Dá um vazio... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igual a Adão e Eva depois da expulsão do paraíso. Por isso a gente vive dizendo: &lt;em&gt;Para iso&lt;/em&gt;. Digo, para isso que eu quero descer, tá muito estressante, me arranja um calmante, porque sem a cachaça ninguém segura esse rojão. Isso é livre-arbítrio. Não quis provar do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal? Decidir? Optar? Quem mandou? Agora agüente. Melhor quando se era criança, tutelado. Ou pra quem acredita em horóscopo, tarot, búzios, vidente: tudo determinado. Previamente. Viu? O prévia também mente, mas me engana que eu gosto. E preciso. De controle. De conclusão. De limite. De fim, da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Texto publicado em Germina Literatura: &lt;a href="http://www.germinaliteratura.com.br/ana_guimaraes.htm"&gt;http://www.germinaliteratura.com.br/ana_guimaraes.htm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-9046019895787620878?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/9046019895787620878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/coisa-de-louco.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9046019895787620878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9046019895787620878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/coisa-de-louco.html' title='COISA DE LOUCO*'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-z-nCVfWHXaM/TWkOLJ7x4fI/AAAAAAAAAWk/JO1d7PgAXd4/s72-c/1020206_fastest_writer_on_the_world.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-353690652965762731</id><published>2011-02-18T22:15:00.002-02:00</published><updated>2011-02-18T22:49:39.225-02:00</updated><title type='text'>O CORPO É A ALMA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XlK7TmmICho/TV8Ic6H-8uI/AAAAAAAAAWA/0KDDPkdEksQ/s1600/hut2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" j6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-XlK7TmmICho/TV8Ic6H-8uI/AAAAAAAAAWA/0KDDPkdEksQ/s320/hut2.jpg" width="288" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Cabana de um curandeiro Zulu em estilo colméia no horto de plantas medicinais (&lt;i&gt;&lt;span class="goog_qs-tidbit goog_qs-tidbit-0"&gt;muthi&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="goog_qs-tidbit goog_qs-tidbit-0"&gt;) do Jardim Botânico Nacional da Cidade de Natal.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que, entre os zulus, os entes queridos de um enfermo compreendem e aceitam que não podem pedir ao curandeiro da tribo que expulse o espírito portador da doença, pois ele traz uma mensagem e recusar-se a recebê-la pode fazer com que a pessoa permaneça doente pelo resto da vida. Do mesmo modo, entre os psicanalistas há um consenso segundo o qual um sintoma jamais deve ser abolido, calado através de medicação (seja ela ansiolítica, antidepressiva, pró-libido, indutora do sono, etc), porque se considera que ele não se reduz a um mero processo fisiológico, não é algo indesejável a ser combatido e sim o primeiro passo na direção da cura. É preciso que se reconheça o seu significado, o que sinaliza. Falar dele claramente, sem reservas, com ele dialogar. Eu com-ele e não contra-ele. A questão é: quais são seus dizeres e silêncios? O que representam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sintoma assinala o enquistamento de uma crise. Se se der atenção a ele e não tentar erradicá-lo de imediato, uma mudança – que já está em curso – pode ser facilitada. Nada de se retornar a um estado anterior, ao que se era antes, tampouco de se adequar a algum parâmetro de normalidade. Falo de autoconhecimento. De &lt;em&gt;estrucura&lt;/em&gt;: assumir o que realmente se é, a estrutura da qual se estava distanciado, a única cura, aliás, possível de ser alcançada. Temos que refutar a mentalidade da medicina ocidental vigente que quer o indivíduo logo “consertado” para poder voltar a funcionar na engrenagem. Rechaçar essa idéia de mal estar como um vazio que precisa ser “resolvido” com uma adição qualquer (drogas legais ou ilegais, consumismo desenfreado, conquistas amorosas em série) quando o importante é fazê-lo restabelecer suas linhas de comunicação interna. O ponto congestionado interrompe a circulação da energia, indica que nós precisam ser desatados, laços refeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, em priscas eras, esforços foram concentrados na descoberta, com êxito, de causas orgânicas para certos distúrbios mentais, nas últimas décadas uma novidade possibilitou o controle da sintomatologia de pacientes psicóticos, ocasionando uma modificação na assistência a eles: a “cadeia-hospital” foi substituída pela prisão farmacológica, sem que se admita que esses medicamentos psicoativos – além dos efeitos colaterais que provocam – estão longe de exercerem alguma conseqüência efetiva sobre o desequilíbrio propriamente dito. Mas, o pior: afastam o sujeito dele mesmo. Parece que a principal queixa atual (senão denúncia) é a de que não se trata mais o doente, pouco importando se sua subjetividade é exterminada junto com os sintomas combatidos, tamanha a virulência do tratamento imposto. Enquanto o modelo biomédico predominar (o pensamento cartesiano, a separação entre corpo e mente) o quadro persistirá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o fluxo parou de fluir? Por que a estagnação? Quando nossa história nos é negada, outra nos é imposta, adoecemos. É preciso redescobrir-se. Reinventar-se. E a palavra é a grande aliada. Como bem observou Dostoievski: &lt;em&gt;o sofrimento é a origem da consciência&lt;/em&gt;. Se ele impede ou dificulta, por um tempo, sua livre movimentação no mundo, respeite-o. Não fuja da dor a qualquer preço, não se esconda, ouça o que ela tem a lhe dizer. Lembre-se do círculo aberto do zen-budismo, a brecha que é, ao mesmo tempo, entrada e saída. Costuma-se ficar acomodado ao sintoma, a essa forma de gozo, até o senso comum diz que quem gosta de troca é bebê com fralda molhada, mesmo assim só depois que ela esfria... Ao contrário, podemos descobrir que é possível capitular, com prazer, diante da seqüência infindável de transformações em que a existência se constitui. Acabar com a fixação no circuito pulsional. Entregar-se à liberdade do imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de culpar apenas um agente externo, objetivo, a falta ou o excesso de uma substância! E a nossa parte nisso? Também somos responsáveis pelo que nos acontece. Impulsos sexuais e/ou agressivos inadequados, talentos desperdiçados são determinantes (Guimarães Rosa disse: &lt;em&gt;tive que escrever Grande Sertão: Veredas, senão um trombo me entupiria a veia&lt;/em&gt;). Sabemos que o timo é a glândula central que regula o sistema imunológico, e se uma das origens possíveis do vocábulo é o grego &lt;em&gt;thumós&lt;/em&gt; = espírito/coração, feri-lo é desestabilizar esse sistema. A desesperança, a perda do sentido da vida (particular, único), a tristeza contida, a percepção de falta de solução para um conflito vivenciado abrem as portas para a enfermidade entrar. O problema não é a emoção (toda ela é válida), mas a incapacidade de externá-la, de simbolizá-la de maneira criativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consta da sabedoria popular o conhecimento de que uma cegueira pode ter sido causada pela recusa de se ver tal ou qual coisa, uma dor de garganta, pela dificuldade de &lt;em&gt;engoli-la&lt;/em&gt;. Onde está o sintoma, aí está você. Ele é letra tatuada no corpo e como tal deve ser lida, embora nem sempre tão simples e linear assim, às vezes está mais para hieróglifo a ser decifrado. Deixe-se guiar e encontrará sua autodireção. O corpo não nos diz só o que é a alma, o corpo é a alma. O sujeito é encorpado, as histéricas, as doenças psicossomáticas evidenciam isso, de maneira aguda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condição psíquica é crucial tanto no adoecer quanto no processo da cura. Em oposição aos antigos curandeiros que tratavam os males físicos por meios psicológicos, os &lt;em&gt;mudernos&lt;/em&gt; psiquiatras, cansados de serem considerados médicos &lt;em&gt;de segunda&lt;/em&gt; em sua própria classe reagiram a essa discriminação tentando explicar a doença mental em termos orgânicos, como uma perturbação dos mecanismos cerebrais. Isto é, inverteram as coisas. E mais: só fazem debelar a fumaça, nunca indo até o fogo e ainda agravando o incêndio, uma vez que acabar com o sintoma é acabar com o único jeito que o organismo tinha, até então, para expressar o seu desconforto. &lt;em&gt;Posso curar quem deseja a cura, mas não quem a rejeita&lt;/em&gt; (Freud). Se você tivesse febre alta todo dia contentar-se-ia em tomar um antitermico ou iria pesquisar a causa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-353690652965762731?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/353690652965762731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/o-corpo-e-alma.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/353690652965762731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/353690652965762731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/o-corpo-e-alma.html' title='O CORPO É A ALMA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XlK7TmmICho/TV8Ic6H-8uI/AAAAAAAAAWA/0KDDPkdEksQ/s72-c/hut2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-4711643249303140496</id><published>2011-02-08T22:55:00.003-02:00</published><updated>2011-02-11T01:17:18.927-02:00</updated><title type='text'>SEMICONTRAFACÇÃO*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TVHkibxU4kI/AAAAAAAAAV8/s-9YqcWFv70/s1600/IMG_0399.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TVHkibxU4kI/AAAAAAAAAV8/s-9YqcWFv70/s320/IMG_0399.jpg" width="239" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O tempo se gasta. Rumino o que digo e penso como baba de boi: cai e não cai. &lt;em&gt;Quem-quem remexendo no esterco, pra lá e pra cá&lt;/em&gt;. Ando caçando errado, quanto mais procuro, menos acho. Canso de vigiar, de perseverar, e nada. Corre o coração a ajudar o pensamento, a confundi-lo, para melhor conhecer: a gente só sabe bem aquilo que não entende. Deus (o inconsciente) é que me sabe. Deixo-me penetrar por esse conhecimento maior. Vem, me ensina o que eu já sei.&lt;br /&gt;Amanheço toda e cada manhã num pouso diferente. Virgem, tabula rasa, página em branco. Nenhum juízo pré-concebido, pura interrogação. Ensolarado dia, chuva, tanto faz. O rio só parece ser o mesmo, acaso ele parou de correr? Espia a terceira margem. No entanto, tréguas são necessárias. Que se revezem com as tormentas – uma calmaria, vez em quando, é bem-vinda.&lt;br /&gt;A hora em que o meu &lt;em&gt;ser tão veredas&lt;/em&gt; mais se revela a mim (e, quando consigo, transcrevo-o, deixando-me cavalgar pelo diabo da inspiração, afinal a vida também é para ser lida) é no lusco fusco entre o sono e a vigília, na frente do acordar. &lt;em&gt;No nada&lt;/em&gt;. Quando os olhos ainda nem se abriram para o exterior é que eles mais vêem o de dentro. Não temo ter medo, aprendi, porque não adianta dar as costas, ele volta. Receio apenas cansaço de esperança.&lt;br /&gt;Há que frear a excitação. Fazer silêncio e reverência, igual ao momento em que o peixe vai fisgar a isca, na pescaria. Cuidar de anotar de imediato, todavia com delicadeza (é todo um equilíbrio instável), senão a clareza se esvai feito nuvens desmanchadas pelo vento, a visagem se desfaz como um sonho que escapa nas asas do instante. Depois, só acionando hábeis sentinelas da memória, com sorte, de prontidão.&lt;br /&gt;Estendo tapete vermelho, ladrilhos, seixos, pedrinhas de brilhante para o meu amor (a palavra) passar. Ah se essa rua já fosse minha, mas não, autorizo-me ao longo do caminho (e existe outra maneira de?), uma viagem intima, narcisicamente falando. Elíptica, sinuosa, não em linha reta. Viator ao centro do meu mundo (no meio do &lt;em&gt;redemunho&lt;/em&gt;), ou ao mais próximo que dele possa chegar. Desejo fáustico porque impossível de ser realizado, tem sempre um resto que resiste. &lt;br /&gt;O fenômeno é espontâneo, porém precipitá-lo é possível. Começo por espera ativa, embora sem contornos definidos. Não me deixo enganar, toda quietude é aparente – águas paradas escondem correntezas no fundo. É só ficar de ranger rede, a ver ou fazer coisa nenhuma, a aguardar, como dia de véspera, que acontece: o sertão vem. Aí é aproveitar. Escrever é duro, penoso, mas inevitável: &lt;em&gt;põe grades entre mim e as feras,&lt;/em&gt; amortece o contato com o Real.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cerzidor&lt;/em&gt;, aquele que costura estórias, era um dos apelidos de &lt;em&gt;Riobaldo&lt;/em&gt;. Cerze-dor, quem tapa com a linguagem os buracos abertos pelo sofrimento. Talvez o leitor distinga, mais do que o escritor, a verdade: são muitas, são meias. Meu monólogo é diálogo, tantas sou, tantas vozes me habitam. Fora visitantes mariposas e borboletas voando de passagem, além das que batem temporárias asas para, em seguida, retornar ao solo de onde saíram, feito tanajuras.&lt;br /&gt;Dou de comer à fantasia, sem pressa. Associação-livre a meio-galope. Permite o reconhecimento do terreno e seu registro, com o paroxismo que só a liberdade carreia: sensação de proteção debaixo de árvore galhuda a conviver com a inquietude da vastidão de sítio aberto, quase agorafobia. Viver não é caminhar alegre, inda que descalço sobre espinhos? É isso ou ter a consciência pesando que nem saco cheio de pedras, por nada ter feito, arrependido.&lt;br /&gt;Curvo-me à equivocação das nuances do sentir: nem amor nem ódio (também não indiferença), nem bem nem mal (e não se trata de neutralidade), nem grito nem sussurro: falo, e não é tão simples como parece encontrar o tom. Em todo caso, é preferível procurar do que achar – esse último verbo cheira à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Guimarães Rosa justificava assim nomear seus textos por considerá-los &lt;em&gt;plágios&lt;/em&gt; dos escritos que os antecederam e influenciaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-4711643249303140496?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/4711643249303140496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/semicontrafaccao-voluntaria.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4711643249303140496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/4711643249303140496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/02/semicontrafaccao-voluntaria.html' title='SEMICONTRAFACÇÃO*'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TVHkibxU4kI/AAAAAAAAAV8/s-9YqcWFv70/s72-c/IMG_0399.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8682990637352036500</id><published>2011-01-23T19:31:00.007-02:00</published><updated>2011-01-23T23:51:08.317-02:00</updated><title type='text'>A ETERNA CONFUSÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycpUnentI/AAAAAAAAAVg/PC2J0t4Wzm4/s1600/1235996_pencil-pusher.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycpUnentI/AAAAAAAAAVg/PC2J0t4Wzm4/s1600/1235996_pencil-pusher.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycrIU9r1I/AAAAAAAAAVk/mOuXiM9fkUE/s1600/1130414_we_are_drawing.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycrIU9r1I/AAAAAAAAAVk/mOuXiM9fkUE/s1600/1130414_we_are_drawing.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycw0-PbTI/AAAAAAAAAVo/bIqCFEzNosQ/s1600/1175306_paperwork.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycw0-PbTI/AAAAAAAAAVo/bIqCFEzNosQ/s1600/1175306_paperwork.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;“Queira ou não queira, o autor é um personagem de sua obra” (Lêdo Ivo)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me pergunto pra que se dar ao trabalho de separar o autor do narrador, dos personagens, o eu lírico da pessoa do poeta, descaracterizar o autobiográfico, tentar um mergulho o mais fundo possível na opacidade da ficção (como se a realidade fosse menos opaca, como se lembrança fosse fidedigna e não seletiva e assaz distorcida, como se quem escreve soubesse onde está o &lt;em&gt;scriptor&lt;/em&gt; (falo de fronteiras, limites) - espero, somente, da memória que possibilite uma recomposição fecunda e criativa do que aconteceu) para no fim, leitores e críticos especularem feroz e talvez, equivocadamente,&amp;nbsp;sobre a relação entre vida e obra. Será que todo o processo (incluindo aí poética, metáforas e tudo o mais, os recursos disponíveis de praxe) seria apenas (?!) como disse Barthes, para se sofrer menos? Seria esse, afinal, o poder (para não falar função, porque isso seria reduzi-la) disso que se denomina uma 'linguagem inútil'? (Aliás, costuma-se atribuir tal adjetivação a Manoel de Barros, que muito bem a utilizou, diga-se de passagem, embora tenha sido Leminski quem primeiro cunhou o termo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que necessidade será essa de se esmiuçar um texto, de se especular sobre a possível relação entre ele e fatos concretos (chega-se ao cúmulo de se entrevistar um escritor com o objetivo de “esclarecimento”!), cotejá-lo com a realidade? Vã tentativa de aprisionamento. Pode até servir para aumentar nossa compreensão sobre o universo objetivo do sujeito, mas não necessariamente atestar alguma correspondência, mais provável que revele uma descontinuidade: não só não há reciprocidade, como escrever costuma ser a resposta da fantasia diante da indigência do real. Pior, em alguns casos, pode sim correr o risco de acabar com a mágica, revelar o truque, e, ainda por cima, dar um atestado de baixa potência das letras em questão, de sua incapacidade de cantar novos mundos, enfim, da dificuldade delas falarem por si só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, será mesmo que quanto mais ficção mais literatura com L maiúsculo? &lt;em&gt;O artista, como o Deus da criação, permanece dentro, junto, atrás ou acima da sua obra, invisível, clarificado fora da existência, indiferente, raspando as unhas dos seus dedos &lt;/em&gt;(Joyce, em Retrato de um artista). Estaria ele falando de uma meta a ser atingida, de um ideal? Pois é sabido que, não se considerando um deus da criação &lt;em&gt;ex-nihilo&lt;/em&gt; (era mais adepto do nada se cria, tudo se transforma), usava e abusava em seus livros de nomes de pessoas com quem convivia, seus perfis de personalidade, de situações vivenciadas, claramente reproduzidas. Chega ao extremo de numa determinada passagem do &lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;, num funeral, quando um tal de senhor Dodd é avistado, por na boca de Stephen, a seguinte afirmativa: “O diabo quebre suas costas”, agressividade injustificada e ininteligível dentro do contexto, até que Richard Ellman, seu biógrafo, explicasse que Dodd cobrava, com insistência, um dinheiro emprestado ao pai de Joyce, na chamada vida real. Diz ele: &lt;em&gt;A verossimilhança é tão forte que Joyce tem sido ridicularizado como mais um mímico do que um criador, acusação que, sendo falsa, é o maior de todos os elogios&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilusão. Quando penso que falo/escrevo disso, na verdade, falo daquilo, de Outra coisa. Impossível distinguí-las: verdade e ficção encontram-se amalgamadas, fundidas. O escritor é mentiroso por vocação. E acredita em mentira, mesmo sabendo que mentira é. A literatura é um discurso que se alimenta da dúvida, da interrogação, pleno de uma ambigüidade que permite a confusão entre a invenção e a verdade. Tratamos o verídico como se da ordem do ficcional fosse, e damos voz de veracidade à fantasia. Como conseqüência, a certa altura, ficamos sem saber distinguí-los. Além do mais, é bom lembrar, assim como um lapso, a palavra-sentimento que desejamos reter, não externar é exatamente aquela que irrompe de forma abrupta e involuntária, contra a nossa vontade, e passa ao leitor (não a qualquer um, é claro, mas ao atento, ao privilegiado). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo para tecer e destecer a mesma e enigmática trama: minha história. Não o que vivi, no sentido de experiência, mas o que senti, os fantasma que me perpassam, identificações parentais. Ponho, conscientemente ou não, uma nova roupagem (tradução: fantasia, máscara, disfarce) a cada tentativa, para camuflá-la e, ao mesmo tempo, por mais paradoxal que seja, para desvelar seu sentido – para mim, inclusive. Enquanto viver permanecerei escrevendo, montando esse interminável quebra-cabeça, cujo número de peças é infinito. Não conhecerei sossego algum da idéia, nada me aquietará o espírito, eterna escrava da inspiração. &lt;em&gt;Patrão risca, a gente corta e cose&lt;/em&gt; (Guimarães, em Cara de bronze). O produto final será, sempre, um verdadeiro rizoma, na concepção deleuzeana: pontos aparentemente soltos que se inter-relacionam. Se quiser estar certa do caminho a percorrer tenho que fechar os olhos e tatear no escuro, tendo como bússola a intuição. Desprezar o racional, seguir os sinais que a percepção captar. Parodiando Sócrates, ao contrário: só sei que tudo sei, embora seja um saber que não se sabe. Ainda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8682990637352036500?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8682990637352036500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/01/eterna-confusao.html#comment-form' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8682990637352036500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8682990637352036500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2011/01/eterna-confusao.html' title='A ETERNA CONFUSÃO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TTycpUnentI/AAAAAAAAAVg/PC2J0t4Wzm4/s72-c/1235996_pencil-pusher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8735748414714442030</id><published>2010-12-23T20:56:00.003-02:00</published><updated>2010-12-23T20:56:46.694-02:00</updated><title type='text'>Boas Festas e um Feliz Ano Novo!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TRPTeWVYoeI/AAAAAAAAAUA/9ZyLk42dGsk/s1600/%2521cid_8B2FDF99D52A4E208EB6AC7A9D5A7CAB%2540ana161d41a0492.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TRPTeWVYoeI/AAAAAAAAAUA/9ZyLk42dGsk/s320/%2521cid_8B2FDF99D52A4E208EB6AC7A9D5A7CAB%2540ana161d41a0492.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8735748414714442030?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8735748414714442030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/12/blog-post.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8735748414714442030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8735748414714442030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/12/blog-post.html' title='Boas Festas e um Feliz Ano Novo!'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TRPTeWVYoeI/AAAAAAAAAUA/9ZyLk42dGsk/s72-c/%2521cid_8B2FDF99D52A4E208EB6AC7A9D5A7CAB%2540ana161d41a0492.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-2113101331067778938</id><published>2010-11-21T23:27:00.001-02:00</published><updated>2010-11-22T23:34:39.656-02:00</updated><title type='text'>LA DOLCE ROMA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOnFyFJXgGI/AAAAAAAAASM/juRZaKYRp8g/s1600/DSC00518.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOnFyFJXgGI/AAAAAAAAASM/juRZaKYRp8g/s320/DSC00518.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A lenda da fundação da cidade edificada às margens do rio Tibre é que ela se deu no Monte Palatino, em 21 de abril de 753 AC, por Rômulo, o irmão gêmeo de Remo, ambos salvos por uma loba que os amamentou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um coração peregrino – e não sonhos, como no caso de Freud – levou-me à cidade eterna. &lt;em&gt;Reinventava a luz do amanhecer com o poder das miragens&lt;/em&gt;*, para logo descobrir que ela existe tal qual imaginei-a. Tanto havia lido, plantado dados, retido informações vindas das mais diversas fontes, afinal chegara a época da colheita, tempo de unir a realidade ao mito. Bem que tentei fazer poesia do instante, mas Roma não coube nos meus versos. Então, na volta, porque toda festa um dia termina, abrindo uma clareira na memória mapeei o périplo percorrido, ora dando relevância aos lugares visitados, ora aos afetos despertados. A relação entre uns e outros me serviu de bússola e transbordou no texto que segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sombrias expectativas que aludiam a traços de nossa maldita herança latina corporificaram-se antes mesmo do tumultuado desembarque no Aeroporto Leonardo da Vinci, mais conhecido como Fiumicino. A viagem no &lt;em&gt;airbus&lt;/em&gt; lotado de cidadãos regressando à pátria revelara uma noite carente de bom atendimento, silêncio e do conseqüente descanso de que se necessita para encarar a nova jornada que se avizinhava. Porém, mal pego o táxi para o hotel, os inúteis laços que me uniam àquela experiência negativa desfazem-se por completo: por trás de um trânsito caótico pontilhado de motos, lambretas e &lt;em&gt;scooters&lt;/em&gt;, a beleza de um passado narrado através de um bailado de ruínas e relíquias atravessa-me as pupilas. Malas no quarto, corro para a conquista dessa que foi durante séculos a grande civilização dominante do Ocidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vislumbro, de surpresa em surpresa, a poeira alada que resiste a escorrer da ampulheta. Ah, a infinitude que brilha no COLISEU (patrimônio da humanidade, o estádio em cuja arena cristãos eram jogados aos leões), no ARCO DE CONSTANTINO (erguido com a finalidade de celebrar vitórias), no FÓRUM ROMANO (permanente sítio arqueológico), no MONTE PALATINO (uma das sete colinas sobre as quais Roma foi edificada), no CIRCO MAXIMUS (onde aconteciam as corridas de bigas), no CAPITOLINO (sede da prefeitura durante séculos, com a escadaria projetada por Michelangelo), na DOMUS AUREA (a casa que o imperador Nero mandou construir depois do incêndio de Roma, sinônimo de riqueza, opulência e luxo, com fachadas inteiras de ouro), e no PANTHEON, a mais antiga obra, quase intacta, projetada para ser um templo dedicado aos doze deuses do Olimpo. Ali cheguei ao cair da tarde. Avançando no piso de mármore decorado, gotas de chuva que entravam pelo óculo da abóbada (um orifício no topo) misturaram-se às lágrimas em meu rosto, fazendo com que me afogasse numa alegria atroz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros tesouros foram encontrados. A GALLERIA BORGHESE, no parque Villa Borghese, abriga uma excelente coleção de trabalhos de Raphael, Ticiano, Botticelli, Rubens e Caravaggio. FONTANA DI TREVI, por mais que já tenha sido vista em fotos e filmagens, é arrebatadora! PALLAZO DORIA PAMPHILI, na Piazza Navona, um dos mais imponentes edifícios, propriedade e sede da Embaixada do Brasil. BASÍLICA DE SANTA MARIA MAGGIORE: mosaicos que datam do séc V impressionam. CAMPO DEI FIORI. Na praça há uma estátua em homenagem ao filósofo Giordano Bruno, queimado vivo em 1600 por ter desafiado a Inquisição ao dizer, como Galileu, que a Terra é que girava em torno do sol, e não o contrário. TERMAS DE CARACALLA (os banhos públicos eram populares, na antiguidade). Nos verões, palco de espetáculos de ópera e balé ao ar livre - quem não se lembra do primeiro concerto dos três tenores (Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti), em 1990, transmitido pela tv? Até o monumento &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt;, O VITORIANO, na piazza Venezia, em cujo centro há uma enorme estátua eqüestre do rei, compensou pela bela vista que se tem lá de cima. E para quem, como eu, não é indiferente à estética de objetos contemporâneos, Via Nationale, Del Corso e Condotti, cheias de lojas de grife, eventualmente com vendettas promotionales (liquidações). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reservei um dia para a ida ao VATICANO. A PIAZZA DE SÃO PEDRO (vigiada por exóticos guardas com trajes suíços) e a imensa BASÍLICA DE SÃO PEDRO (com destaque para a Pietà, de Michelangelo, logo na entrada, à direita) são atrações à parte. Sete quilômetros de corredores com tapeçarias, afrescos e pinturas compõem o complexo de museus, tendo seu ápice na CAPELA SISTINA. Cada uma das cenas do teto (Michelangelo &lt;em&gt;again&lt;/em&gt;, pintado entre 1508 e 1512) mostra um dia da criação, segundo o Gênesis. A que retrata o Juízo Final inspira reverência. Apenas aqui os romanos (e demais turistas) se calam: é terminantemente proibido conversar. Tonta entre tons e silhuetas, gostaria de tomar um pouco de ar nos magníficos jardins que vejo das janelas, contudo o acesso ao público é vetado, só em excursão com guia e marcação prévia. Por fim, a audiência com o papa (João Paulo II): fiéis de todas as partes do mundo, saudados em suas línguas de origem, um acontecimento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a alma sendo sempre abastecida, não descuidei também, nem um dia sequer, do corpo, sem o qual aquela dá adeus à vida, ao menos terrena. A culinária italiana é uma das mais saborosas do mundo. Aproveitei paninis, pizzas, insalatas, pastas, risotos, sem esquecer dos gelatos, expressos e capuccinos em seus ristorantes, tavernas e trattorias. Uma refeição típica constitui-se de primo piatto (em geral, massa (oriunda da China, trazida por Marco Pólo, no final da Idade Média)), secondo piatto (carne, peixe ou frango), contorno (acompanhamento) e dolce, embora um menu del giorno, menos farto, mais econômico, esteja presente em quase todos os lugares. Há uma diferença sensível entre comer em pé, no bar (alla banca) e na mesa (alla tavolla): pelo menos o dobro do preço. Considerando-se a demora no atendimento do serviço feito por garçom, na hora do almoço pode ser importante lembrar-se do ditado &lt;em&gt;Roma não foi feita num dia&lt;/em&gt;, portanto não há tempo a perder para quem quer conhecê-la. &lt;em&gt;But &lt;/em&gt;(para tudo há uma exceção), &lt;em&gt;em Roma, como os romanos&lt;/em&gt;: ao menos uma vez, compre seus comes e bebes e vá degustá-los com calma na escadaria da PIAZZA DE SPAGNE (um projeto francês assim batizado por sua proximidade com a Embaixada da Espanha), mas antes se prepare para uma verdadeira maratona, já que são poucos os supermercados é preciso passar na panetteria, na salumeria, lateria, pasticeria, gelatteria... A experiência cultural gastronômica vale a pena, garanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Bruno Tolentino, em A Imitação do Amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-2113101331067778938?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/2113101331067778938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/minha-dolce-roma.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2113101331067778938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2113101331067778938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/minha-dolce-roma.html' title='LA DOLCE ROMA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOnFyFJXgGI/AAAAAAAAASM/juRZaKYRp8g/s72-c/DSC00518.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-845702113129744390</id><published>2010-11-15T22:52:00.000-02:00</published><updated>2010-11-15T22:52:58.226-02:00</updated><title type='text'>NOVA PUBLICAÇÃO NO CRONÓPIOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOHV1sjcRuI/AAAAAAAAASI/0sn04LmgbUM/s1600/1199081_giz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" px="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOHV1sjcRuI/AAAAAAAAASI/0sn04LmgbUM/s1600/1199081_giz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O&amp;nbsp;portal Cronópios &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/default.asp"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/default.asp&lt;/a&gt;&amp;nbsp;acaba de publicar SONHO MEU e JUSTINE &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=4808"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=4808&lt;/a&gt;, ambos de minha autoria.&lt;br /&gt;Confiram.&lt;br /&gt;Beijos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-845702113129744390?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/845702113129744390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/nova-publicacao-no-cronopios.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/845702113129744390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/845702113129744390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/nova-publicacao-no-cronopios.html' title='NOVA PUBLICAÇÃO NO CRONÓPIOS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TOHV1sjcRuI/AAAAAAAAASI/0sn04LmgbUM/s72-c/1199081_giz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7862845311895093676</id><published>2010-11-07T17:34:00.006-02:00</published><updated>2010-11-09T23:33:26.039-02:00</updated><title type='text'>O MEU, O SEU, O NOSSO GUIMARÃES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TNb9tNnGw_I/AAAAAAAAARk/JTXkWeNqjpQ/s1600/img_jornal178_Guimaraes-Rosa.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TNb9tNnGw_I/AAAAAAAAARk/JTXkWeNqjpQ/s320/img_jornal178_Guimaraes-Rosa.gif" width="279" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Tudo é recado. Coisas comuns comunicam, ao entendedor, revelam, dão aviso&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(&lt;em&gt;Ave palavra&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente me pergunta, brincando ou a sério, se o meu sobrenome tem a ver com o do João, o Rosa. Quem dera! Nenhum parentesco, ele é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; o meu escritor brasileiro preferido. Essa preferência se consolidou – levando-me a, após ler e reler sua obra, começar a estudá-la com os especialistas Ana Luiza Costa e Leonardo Vieira – quando li numa entrevista concedida a Günther Lorenz, a revelação de algo de que suspeitava: da “importância monstruosa, espantosa de Freud em sua pluma”. Bem que eu já observara o estranhamento que sua escrita provoca, uma certa equivocação que vem a ser o cerne da &lt;em&gt;práxis&lt;/em&gt; analítica. O diálogo entre literatura e psicanálise que daí decorre (a dupla ressonância de uma área na outra) é objeto de teses e mais teses em todo o mundo, responsáveis pelo relançamento de questões nunca suficientemente definidas, relativas ao sujeito, sua fundação, estrutura e escrita. Ele é tão estudado porque “nele procurando, acha-se - sempre é assunto para novas interpretações, inclusive por divergir de si mesmo”, disse Cláudio Willer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barroco por excelência, se cultivava o excesso, entretanto, era por absoluta necessidade de maior amplitude lingüística, tendo trazido para o seu texto a riqueza de expressões populares sem ser considerado regionalista por isso. Em 1946 ele assim se explica: “A língua portuguesa está empobrecida, rígida, estratificada, falta sentido e beleza a ela. É preciso lhe dar plasticidade, refundi-la no tacho, distendê-la, trabalhá-la, dar-lhe músculos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que determinar um estilo e influenciar seus leitores credito ao autor a abertura de possibilidades estéticas literárias infindáveis, a liberdade para brincar com a estrutura da frase, criando uma outra articulação, sem por isso torná-la ininteligível. Tal insubmissão aos cânones estabelecidos, com suas recriações vocabulares e sintáticas, faz lembrar Joyce (meu escritor estrangeiro favorito): o mesmo limpar as palavras do senso comum, com prazer e imenso &lt;em&gt;savoir-faire&lt;/em&gt;, o mesmo encarar a linguagem como a principal personagem (o enredo ficando sempre em segundo plano), a mesma maneira de contornar o Real, domesticando-o via neologismos. Seu método de trabalho era oposto, por exemplo, ao do Houaiss ao traduzir &lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;, abrasileirando-o. Ao contrário, Guimarães trazia expressões idiomáticas de outras línguas para o português, e dizia que o tradutor devia mesmo “violentar a língua de chegada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao seu “As pessoas não morrem, elas ficam encantadas” respondo que encantados ficamos nós, e bem vivos, com a errância de &lt;em&gt;Riobaldo&lt;/em&gt; em sua travessia pelo &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;. Este é o romance da dúvida por excelência, onde as megeras cartesianas do homem dogmático são subvertidas (&lt;em&gt;sinto, logo existo&lt;/em&gt;) e combatidas pelos freqüentes questionamentos que não findam nem na última página, como se pode constatar com o símbolo matemático de infinito que a ilustra. Inclui todo tipo de ambigüidade, inclusive a que diz respeito ao gênero (&lt;em&gt;Reinaldo/Diadorim&lt;/em&gt;). É visível sua tentativa de apreender o não-apreensível, o que não tem contornos definidos, o &lt;em&gt;chiaroscuro&lt;/em&gt;, o que está em eterno movimento, em construção, o ainda não nomeado: por definição, emblemático do processo analítico. Dar voz ao Outro da gente: o que não fala, o que está no limiar entre o humano e o animal, o que não tem autoridade para se expressar: o sertão, a criança, o índio, os seres da natureza, o louco. Seus arquivos revelam cadernos/cadernetas/diários de viagem, documentos inter-relacionados e verdadeiras sentinelas da memória com que ia registrando o que via para depois então escrever, apontamentos esses que evidenciam seu permanente diálogo com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós que ousamos trilhar esse caminho duro e penoso (&lt;em&gt;se ele que era ele&lt;/em&gt; guardava um texto recém-escrito por uma semana, um mês, depois o desengavetava e falava: “vamos ver por que esse conto está ruim”, e &lt;em&gt;tome &lt;/em&gt;de corrigir!), porém inevitável, pois não sabemos como recusá-lo (falava do horror a escrever, mas não ter como escapar disso: “Um livro tem que ser escrito senão vira um trombo na veia”), assim que terminamos de lê-lo ficamos como “chuva em nuvens, dependurados no ar, para cair”, prontos para desabar nossas letras – ainda que miúdas, verdadeiras garoinhas comparadas às &lt;em&gt;rosianas&lt;/em&gt; – na primeira página em branco que encontramos pela frente. Torcendo para ter, ao menos, um pouco do estômago de ostra que lhe atribuía Haroldo de Campos, capaz de, após tudo fagocitar, um dia produzir da irritação, da adversidade, alguma pérola, ainda que barroca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7862845311895093676?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7862845311895093676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/o-meu-o-seu-o-nosso-guimaraes.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7862845311895093676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7862845311895093676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/11/o-meu-o-seu-o-nosso-guimaraes.html' title='O MEU, O SEU, O NOSSO GUIMARÃES'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TNb9tNnGw_I/AAAAAAAAARk/JTXkWeNqjpQ/s72-c/img_jornal178_Guimaraes-Rosa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-288158407897125411</id><published>2010-10-31T17:04:00.001-02:00</published><updated>2010-10-31T17:05:51.383-02:00</updated><title type='text'>PARA QUE SERVE A POESIA?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TM25zixaEsI/AAAAAAAAARg/INF9G6rkEpw/s1600/1208810_alice_in_wonderland.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nx="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TM25zixaEsI/AAAAAAAAARg/INF9G6rkEpw/s1600/1208810_alice_in_wonderland.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A poesia é um verdadeiro alento nas horas difíceis. Tapa-buracos do real, quanto mais o sentido escapa, mais ela emerge. Na contramão do sensato, aponta o horizonte do impossível, denuncia a tentativa de sacrifício do sonho, de massacre da ilusão.&lt;br /&gt;Dá força ao imaginário, até mesmo ao marginal, e serpenteia como água na infiltração, disseminando-se pelas frestas, pelos descaminhos, driblando barreiras, minando resistências, fazendo suas próprias rotas, não convencionais, subversivas.&lt;br /&gt;Ensina a suportar a impotência diante do inominável. A acessar, por ondas mnêmicas, o indestrutível museu emocional que portamos. A abordar, como significa semanticamente: pelas bordas, a dor. A aproximar, por linhas de fuga, o horror.&lt;br /&gt;A abandonar os remos e deixar o barco à deriva. Ficar como cata-vento, à mercê do vento. Fantasiar que estamos nadando no mar quando só estamos afogados em nossas lágrimas salgadas (grande Carroll!). Falar com bichos e pedras sem parecer louco.&lt;br /&gt;A se jogar no buraco, por mais escuro e fundo que seja,&amp;nbsp;&lt;em&gt;Alice &lt;/em&gt;na toca do coelho, sem se questionar como será para voltar. E também, depois dessa queda, não ter mais medo de cair. Até porque quando se cai nada mais resta a fazer senão falar, simbolizar, metaforizar. Mesmo que com dificuldade, como reza a lenda sobre Joyce: o dia inteiro trabalhando para encontrar as palavras, só não sabia, ao final, ainda, como arranjá-las na frase. &lt;br /&gt;A nos interrogarmos depois que escrevemos: será que foi o mundo que mudou ou mudei eu? Quem &lt;em&gt;sou &lt;/em&gt;esse que escreve? Esse estranhamento.&lt;br /&gt;Pois a poesia não responde, pergunta. Seria ela um corredor comprido, iluminado por uma fileira de lâmpadas? Ou&amp;nbsp;a luz das lâmpadas iluminando esse corredor? Varia, depende do ângulo. Ela é a chave que não abre nenhuma porta específica, deixando a você a descoberta das saídas possíveis. Suas, particulares, subjetivas, únicas.&lt;br /&gt;Semelhante aos&amp;nbsp;pés distantes da &lt;em&gt;Alice, &lt;/em&gt;pode não nos obedecer e&amp;nbsp;nos levar para onde não queremos ir. Feito andar na areia da praia, deixando pegadas que o vento logo desmancha:&amp;nbsp;à medida que caminhamos, mais criamos marcas e as apagamos. &lt;br /&gt;Arquiteta da ponte entre as margens de um vazio e outro, tantas vezes projetada, jamais construída,&amp;nbsp;tem o dom de fazer extraordinário do comum. Lápis de cor que colore o preto e branco da história, desenhando montanhas onde é só planície estéril, encantando o desencanto do mundo. O pintor é ela, somos – com muita honra e humildade – apenas seus pincéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-288158407897125411?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/288158407897125411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/para-que-serve-poesia.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/288158407897125411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/288158407897125411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/para-que-serve-poesia.html' title='PARA QUE SERVE A POESIA?'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TM25zixaEsI/AAAAAAAAARg/INF9G6rkEpw/s72-c/1208810_alice_in_wonderland.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-2022035347005422211</id><published>2010-10-24T17:13:00.002-02:00</published><updated>2010-11-02T10:58:55.685-02:00</updated><title type='text'>PATCHWWORK</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TMSDkaCLG4I/AAAAAAAAARY/DWW2hYrN6Vk/s1600/857388_fabric3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nx="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TMSDkaCLG4I/AAAAAAAAARY/DWW2hYrN6Vk/s1600/857388_fabric3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Um passo pra frente&lt;br /&gt;dois passos pra trás&lt;br /&gt;assim me (des)construo&lt;br /&gt;tecendo e destecendo &lt;br /&gt;a trama de minha vida&lt;br /&gt;atribuindo-lhe novos significados&lt;br /&gt;matizes&lt;br /&gt;texturas&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Penélope &lt;/em&gt;de mim mesma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo veredas&lt;br /&gt;que não levam a lugar algum&lt;br /&gt;utilizo métodos &lt;br /&gt;que já se mostraram improdutivos&lt;br /&gt;aro terras inférteis&lt;br /&gt;rego sementes que não germinam&lt;br /&gt;ouço profecias (utopias)&lt;br /&gt;de oráculos cegos&lt;br /&gt;acredito no canto das sereias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada em vão, no entanto&lt;br /&gt;(igual a Sócrates,&lt;br /&gt;aprendendo uma ária com flauta&lt;br /&gt;enquanto se lhe preparavam a cicuta&lt;br /&gt;Pra que? &lt;br /&gt;Pra aprendê-la antes de morrer&lt;br /&gt;só isso) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendo a mão para um vilão&lt;br /&gt;dou nova chance &lt;br /&gt;ao traidor amigo&lt;br /&gt;feito uma criança &lt;br /&gt;que de nada desconfia&lt;br /&gt;me dôo para amores &lt;br /&gt;que não se concretizam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explodo em lágrimas&lt;br /&gt;após cada – previsível – perda &lt;br /&gt;quando não, resignada, sorrio&lt;br /&gt;mas jamais me esqueço&lt;br /&gt;de retornar ao caminho&lt;br /&gt;porque a verdadeira viagem &lt;br /&gt;nunca é de ida&lt;br /&gt;e sim de volta&lt;br /&gt;como a de &lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema já publicado no Jornal da Poesia: &lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/anaguimaraes1.html#patchwork"&gt;http://www.revista.agulha.nom.br/anaguimaraes1.html#patchwork&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e agora também em Sal da Terra Luz do Mundo, confiram: &lt;a href="http://saldaterraluzdomundo.net/literatura_poe_patchwork.html"&gt;http://saldaterraluzdomundo.net/literatura_poe_patchwork.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-2022035347005422211?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/2022035347005422211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/patchwwork.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2022035347005422211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2022035347005422211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/patchwwork.html' title='PATCHWWORK'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TMSDkaCLG4I/AAAAAAAAARY/DWW2hYrN6Vk/s72-c/857388_fabric3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5976625797293270683</id><published>2010-10-13T17:28:00.004-03:00</published><updated>2010-10-17T01:30:28.378-02:00</updated><title type='text'>O MEDO DA LUZ</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TLYVr6cbFhI/AAAAAAAAAQ0/VytJFxdmHAU/s1600/1118264_light_in_dark.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ex="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TLYVr6cbFhI/AAAAAAAAAQ0/VytJFxdmHAU/s1600/1118264_light_in_dark.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.&lt;/em&gt; (Platão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um romance de Ítalo Calvino, Il Cavaliere inesistente, Agilulfo, uma espécie de Don Quixote, para se acalmar e não se dissolver na incerteza e no absurdo daquela época das Cruzadas dedica-se, compulsivamente, a contar objetos e a resolver problemas aritméticos, ao alvorecer. Cada um se arranja como pode. Os sintomas cumprem um papel metafórico, resta a interpretação, ou seja, a aproximação da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado influencia o futuro, a ponto de sobredeterminá-lo? Interessaria a alguém conseguir exterminar lembranças que permanecem intactas, com vívidas impressões sempre assombrando? Repetindo um auto-exílio, Eva parte para uma nova cidade em busca de recomeço, deixando para trás a família dividida e poucos vínculos que a distância ou a morte ainda não devastaram. Diz querer escapar de ultrajantes abandono e solidão, zerar sua vida que terá início ali e agora. Reconstruir a história, apagar da memória o que viveu: traições, ingratidões, a dor e a doença delas derivadas. Jogar fora o retrato e a moldura (o geográfico) que parecem aprisionar trágicas recordações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal postura aliada ao hábito de idealizar relacionamentos a seqüestrará, de novo, do presente? Pois já fora assim há uma década atrás, terá esquecido? Na ocasião, fugiu de urubus que rondavam a carniça que se tornara (obesa, alcoólatra) logo após a separação pedida pelo marido depois de vinte e cinco anos de lutas, crises, mas também de cumplicidade, conquistas e dois filhos. Não se termina um casamento desse jeito, reclamou, como ele fez: “Festa de bodas de prata? Nem pensar! Nem reunião íntima. Não insista, até porque estou saindo de casa”. Voltou da capital (local em que só fizera conhecidos, todos atrelados por circunstâncias profissionais e pelo luto de seus lugares de origem) para o Rio, berço natal onde continuavam a residir parentes e velhas amigas de infância que de certo a apoiariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos esperaram que o centro espírita que resolveu freqüentar e o psiquiatra ali indicado – não os remédios com os quais passou a se encharcar – iluminassem a ponta do sentimento que a perturba. Que ela conseguisse, além de enxugar o vazamento, descobrir a fenda por onde a coisa passa. Escavando, fizesse o caminho contrário, criativa travessia que sempre abre janelas para outros espaços, contraditórios, contudo arejados porque construídos por palavras. Que ela aceitasse, enfim, como falava Cioran, sofrer as conseqüências de ser ferida pela existência. Mas ela preferiu, outra vez, a saída de emergência, a única vislumbrada no desespero: o aeroporto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos livraremos de nossos destinos e da visão de mundo congelada, pétrea, intocável que (se a) carregamos nem que mudemos de identidade, quanto mais de endereço. E porque a vida é movimento, a inútil censura promoverá, em algum momento, o retorno do recalcado. O que ela parece desconhecer é que o obstáculo para suportar o inevitável mal estar na civilização não está no quadro que cada um mostra, mas no que subtrai. Muito fica de fora, talvez o principal. A parte ignorada é infinitamente maior do que a sabida, uma zona de sombra, fronteira com o indizível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são os outros que a magoaram, a decepcionaram os responsáveis pela depressão que a consome. O que contamos de nós imputando a terceiros nosso estado, mesmo revelação fiel dos fatos, subverte a realidade. Ao invés de capturar o real, o deforma, e quase ninguém tem consciência da fraude. Repetimos &lt;em&gt;ad nausean&lt;/em&gt;: “sou/estou assim porque minha mãe... porque meu marido... meu filho... meu chefe... o governo do meu país...”, sem conseguir focar sobre o que fizemos com o que nos fizeram. Só a partir dessa pergunta poderemos desenhar, escrever, esculpir, pintar um renascimento. Seja lá onde for. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.&lt;/em&gt; (Platão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5976625797293270683?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5976625797293270683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/o-medo-da-luz.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5976625797293270683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5976625797293270683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/10/o-medo-da-luz.html' title='O MEDO DA LUZ'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TLYVr6cbFhI/AAAAAAAAAQ0/VytJFxdmHAU/s72-c/1118264_light_in_dark.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5262204502497870013</id><published>2010-09-24T18:18:00.005-03:00</published><updated>2010-09-24T18:39:03.497-03:00</updated><title type='text'>Tinta de escrever - para Ana Guimarães (de Rose Marinho Prado)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TJ0TTVHbFKI/AAAAAAAAAQs/Nc_EQMY4fTY/s1600/tinta+de+escrever+-+para+ana+guimar%C3%A3es.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" px="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TJ0TTVHbFKI/AAAAAAAAAQs/Nc_EQMY4fTY/s320/tinta+de+escrever+-+para+ana+guimar%C3%A3es.bmp" width="211" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;desenho de Rose Marinho Prado &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para a Ana Guimarães &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo, venho andando e caindo, feito todos. Numa fragilidade que confesso me apavora. Em especial, porque, ou melhor, por causa disso que eu crio - que você chama de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão confuso conciliar cor, linha, linha aqui ou lá. E essa instância de ser que nem sempre fala alto, ou tão alto quanto eu gostaria. Sou tímida em excesso e isso é que faz contraste, confunde a mim e aos que me conhecem. Porque, os de perto, se assustam com o tanto de trapalhadas. Quem sou eu afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu deixe de arrumar o quarto - ou quintal - para rabiscar um desenho, aqui ou lá? Não é que tanto esqueço de mim, de cuidar de mim, dos medos, anseios? Alguns amigos dizem: "Chega!". E certos estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, ainda que eu negue - e antes negava mais, acho que se lembra assim como eu, o tanto que, de longe, você me incentivou a desenhar... - é a caçada dos meus traços, a parte de mim que me importa. De mim, dos desenhos, das palavras. É custoso, mas sei que é aí que habito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já chutei baldes de tinta, quebrei gizes, esses com que faço os desenhos de que tanto você gosta! E acha bonitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a força de que preciso, para, como professora de redação, perseguir a reta, a origem, o fim? E cumprir o tempo certo então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se lhe digo a cegueira é constante? Intuo as ladeiras, às vezes, erro. De que cegueira dizer? Falta palavra. É que há um sol escuro, mas sol. Ele aposta na vida!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentimentos se enrolam, puxo daqui, de lá. E vou...E os desenhos - só agora - começam a ganhar viço, determinação. Nem sei bem se um dia junto alguns e crio uma história. Não depende de mim, mas, de alguma coisa frágil que me habita. Mas que é visível, consigo enxergar. E, justo, por não esperar mais nada e sim, fazer - por causa da força feito essa que você me transmite - é que tenho conseguido constância e aprimoramento, senão, nos traços, ao menos no bailado dos riscos para que eu consiga expressar o que nem sei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, concordo com você. Não fosse a internet, meus desenhos não seriam conhecidos por tantas pessoas! É possível que eu nem desenhasse mais. Ou escrevesse. Porque os que vivem perto nem sempre dizem: "Faça!"Eles se aborrecem com o fato de eu ser inconstante, desorganizada...e assim vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que desenhava aos 22 anos. E corri nessa direção. Depois vieram fatos. Até sair das armadilhas! A vida pode jogar a gente longe da gente! Pra nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho sorte. Em especial, de ter uma amiga feito você. Constante, direta, verdadeira. E forte! Essa sua força! Ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada, agradeço o Feliz Aniversário, dito assim desse jeito tão sensível. Obrigada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rose Marinho Prado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Resposta a esse&amp;nbsp;recado que lhe deixei no orkut ontem: "&lt;span class="GFODOB0BU ugc"&gt;Dir-te-ei hoje - agora - e não (só) no dia do seu aniversário - as tais palavras diferentes que desejas ouvir, Rose: comemore o ser especial que você é, e agradeça, tanto quanto nós somos gratos, o fato de pertencer a uma época em que sua arte pode ser conhecida por uma enormidade de pessoas através da internet."&lt;/span&gt;&lt;span class="GFODOB0DU"&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;20:53 quinta-feira, 23 de setembro de 2010)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Link para seus desenhos e textos: &lt;a href="http://roseeseusamigos.blogspot.com/"&gt;http://roseeseusamigos.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5262204502497870013?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5262204502497870013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/09/tinta-de-escrever-para-ana-guimaraes-de.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5262204502497870013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5262204502497870013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/09/tinta-de-escrever-para-ana-guimaraes-de.html' title='Tinta de escrever - para Ana Guimarães (de Rose Marinho Prado)'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TJ0TTVHbFKI/AAAAAAAAAQs/Nc_EQMY4fTY/s72-c/tinta+de+escrever+-+para+ana+guimar%C3%A3es.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-120534764902457718</id><published>2010-09-10T16:05:00.000-03:00</published><updated>2010-09-10T16:05:33.452-03:00</updated><title type='text'>PUBLICAÇÃO NO PORTAL CRONÓPIOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TIqBImcd8kI/AAAAAAAAAQE/jJCOBCvy1dw/s1600/img_4732.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TIqBImcd8kI/AAAAAAAAAQE/jJCOBCvy1dw/s320/img_4732.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Balas perdidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(POESIA) ... Na rede estou: sou caça das palavras /que me caem em cima, matando, de vez, a coisa /passiva, pasto, passagem /garrafa ao mar, missiva /não fujo, não me escondo, deixo-me atravessar ... Ana Guimarães &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4732"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4732&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leiam, comentem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-120534764902457718?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/120534764902457718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/09/publicacao-no-portal-cronopios.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/120534764902457718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/120534764902457718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/09/publicacao-no-portal-cronopios.html' title='PUBLICAÇÃO NO PORTAL CRONÓPIOS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TIqBImcd8kI/AAAAAAAAAQE/jJCOBCvy1dw/s72-c/img_4732.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8727162585221694158</id><published>2010-08-20T22:54:00.000-03:00</published><updated>2010-08-20T22:54:55.674-03:00</updated><title type='text'>A MINHA MÃE E A DA ADÉLIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TG8xWtLUndI/AAAAAAAAAP0/rIdHPg-tzFY/s1600/1133299_mum_2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TG8xWtLUndI/AAAAAAAAAP0/rIdHPg-tzFY/s320/1133299_mum_2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. (Adélia Prado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe achava sentimento a coisa mais fina do mundo.&lt;br /&gt;Não é. A coisa mais fina do mundo é o estudo do sentimento.&lt;br /&gt;Foi o que fiz, formalmente. É o que faço, no dia a dia.&lt;br /&gt;Ficar entregue ao sentimento é ser barco à deriva.&lt;br /&gt;Às vezes ele ilude, engana, até cega.&lt;br /&gt;Sentimento sem razão, sem freio, sem respiração é nada.&lt;br /&gt;O sentir sem se deixar parar é, existencialmente, um falso sentir.&lt;br /&gt;Palavras - reflexões - urgem.&lt;br /&gt;Elas orientam o sentimento, transformam-no, mudam sinais.&lt;br /&gt;In-formam (gravam formas) na matéria bruta.&lt;br /&gt;Ordenam o que antes era o caos.&lt;br /&gt;Quem fala/escreve luta, não se entrega.&lt;br /&gt;E mesmo um texto (quer dizer, um tecido) feito de linhas (fios)&lt;br /&gt;é sempre inacabado: precisa de um receptor para ter significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8727162585221694158?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8727162585221694158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/08/minha-mae-e-da-adelia.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8727162585221694158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8727162585221694158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/08/minha-mae-e-da-adelia.html' title='A MINHA MÃE E A DA ADÉLIA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TG8xWtLUndI/AAAAAAAAAP0/rIdHPg-tzFY/s72-c/1133299_mum_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5944886032377165017</id><published>2010-07-25T19:54:00.002-03:00</published><updated>2010-07-25T19:58:24.960-03:00</updated><title type='text'>NÃO HÁ BANDA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TEzBFLH8TsI/AAAAAAAAAPM/tGFGzTJSxhQ/s1600/1239412_leaves_on_a_tomb.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hw="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TEzBFLH8TsI/AAAAAAAAAPM/tGFGzTJSxhQ/s320/1239412_leaves_on_a_tomb.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Cada morte que canta &lt;br /&gt;é um espanto&lt;br /&gt;como se não soubéssemos &lt;br /&gt;o que nos espera&lt;br /&gt;essa “colheita comum&lt;br /&gt;do capinar sozinho”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fáustico é o esforço&lt;br /&gt;para enfrentar os próprios crespos&lt;br /&gt;organizar o caos&lt;br /&gt;atravessar o inferno&lt;br /&gt;exorcizar o diabo (o outro)&lt;br /&gt;no meio do redemoinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo para evitar&lt;br /&gt;o lugar&lt;br /&gt;cheio de noite e silêncio&lt;br /&gt;Para esquecer&lt;br /&gt;ou tentar adiar&lt;br /&gt;a hora derradeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nada&lt;br /&gt;independente do pacto&lt;br /&gt;sempre chega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* referência a uma citação recorrente no filme de David Lynch, Cidade dos Sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5944886032377165017?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5944886032377165017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/07/nao-ha-banda.html#comment-form' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5944886032377165017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5944886032377165017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/07/nao-ha-banda.html' title='NÃO HÁ BANDA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TEzBFLH8TsI/AAAAAAAAAPM/tGFGzTJSxhQ/s72-c/1239412_leaves_on_a_tomb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-653409370725690165</id><published>2010-06-22T08:42:00.001-03:00</published><updated>2010-06-22T08:44:13.378-03:00</updated><title type='text'>ADIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TCCh_XRfzAI/AAAAAAAAAO8/zXVyB5K8KrU/s1600/1095241_drugs.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ru="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TCCh_XRfzAI/AAAAAAAAAO8/zXVyB5K8KrU/s320/1095241_drugs.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os excessos são condenáveis, até mesmo os da abstinência (Voltaire)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus companheiros &lt;br /&gt;de ilusão&lt;br /&gt;quem são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o que combate&lt;br /&gt;o horror à solidão&lt;br /&gt;e tenta esquecer &lt;br /&gt;que não tem mais sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lidar com o real&lt;br /&gt;cada vez mais &lt;br /&gt;avassalador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mal estar&lt;br /&gt;você soma&lt;br /&gt;a dependência&lt;br /&gt;a&amp;nbsp;algum paraíso artificial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crê precisar &lt;br /&gt;de subterfúgios&lt;br /&gt;para criar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só assim&lt;br /&gt;as portas da percepção vão se abrir&lt;br /&gt;céu e inferno &lt;br /&gt;se intercambiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a literatura pode &lt;br /&gt;(meio ou fim)&lt;br /&gt;significar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que modo atravessa&lt;br /&gt;o crespo do seu sertão&lt;br /&gt;esse deserto da alma:&lt;br /&gt;o &lt;em&gt;liso do Sussuarão&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se embriaga&lt;br /&gt;se entorpece&lt;br /&gt;quando não consegue &lt;br /&gt;dizer não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que veredas percorre&lt;br /&gt;em busca da fantasia &lt;br /&gt;de completude? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-me onde te abasteces&lt;br /&gt;e dir-te-ei &lt;br /&gt;quem não és&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca de fumo?&lt;br /&gt;Num &lt;em&gt;Mc da vida&lt;/em&gt;? (a droga do &lt;em&gt;junkie food&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;Na farmácia?&lt;br /&gt;No botequim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o ajuda a encarar&lt;br /&gt;a falta, o excesso&lt;br /&gt;o lusco-fusco da alma&lt;br /&gt;seu Diadorim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal linha de fuga&lt;br /&gt;que prazeres &lt;br /&gt;proporciona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estados alterados lhe dão (ou tiram)&lt;br /&gt;vontade de que?&lt;br /&gt;Que tonalidades o mundo perde&lt;br /&gt;ou adquire?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, o que suas sábias vísceras&lt;br /&gt;denunciam?&lt;br /&gt;Espasmos de culpa ou remorso&lt;br /&gt;&lt;em&gt;revém&lt;/em&gt;? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-653409370725690165?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/653409370725690165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/06/adicao.html#comment-form' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/653409370725690165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/653409370725690165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/06/adicao.html' title='ADIÇÃO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/TCCh_XRfzAI/AAAAAAAAAO8/zXVyB5K8KrU/s72-c/1095241_drugs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5367915396853675247</id><published>2010-04-17T20:44:00.007-03:00</published><updated>2010-05-11T09:11:49.113-03:00</updated><title type='text'>LOST (NOT ONLY) IN TRANSLATION</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S8pGDOoSj-I/AAAAAAAAANs/vZ1DRAxHRR0/s1600/bernice_abbott_james_joyce_1926.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S8pGDOoSj-I/AAAAAAAAANs/vZ1DRAxHRR0/s320/bernice_abbott_james_joyce_1926.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Minha descoberta de Joyce – o primeiro &lt;em&gt;approach&lt;/em&gt; – foi sem interlocutor algum para dividir o impacto que seu texto me causava: quem estaria lendo Ulisses aos dezessete? Paixão à primeira vista. Totalmente rendida aos encantos, à mágica, à amplitude de suas letras, à proliferação de sentidos que o aparente caos de imagens e idéias provocava. Aos efeitos de &lt;em&gt;atos internos&lt;/em&gt;, como Paul Valéry preconizava em A jovem Parca, para designar o que uma obra de arte é capaz de promover. Não parei mais. Joyce me comprou: mais de uma década depois começava a reler todos os seus livros, sempre traduzidos, mesmo advertida de que &lt;em&gt;tradutore, traditore&lt;/em&gt;. Não posso me queixar, o que encontrei foi sempre mais criação, transliteração. Sou grata aos irmãos Campos e a Antonio Houaiss tão dignas empreitadas. E recentemente, a Bernardina da Silveira Pinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há mais ou menos cinco anos dei início à nova rodada, sob a batuta de Lacan, apoiada na partitura de seu seminário O Sintoma. Balizas que poderiam restringir, na verdade ampliaram minha escuta, como se um novo Joyce se descortinasse aos meus – até então – ingênuos olhos e ouvidos. Conhecê-lo por isso? Não. Entendê-lo? Menos ainda. Como bem disse Derrida: Quem pode se vangloriar de já ter “lido” Joyce? ... Porque há muitos livros que acabamos de lê-los desde a primeira página: programa conhecido. Lendo-o sempre sim, no gerúndio, como tempo de verbo: genuíno &lt;em&gt;work in progress&lt;/em&gt;. Sua leitura, tanto quanto um processo analítico, é interminável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo em que pretendeu limpar o vocabulário do senso comum, da sujeira da funcionalidade, Joyce também quis capturar o incapturável, numa ânsia pelo fonema que tudo abarcasse, o maior significado possível, uma utopia lingüística de nomear quase que termo a termo, totalmente, o mundo. Sua obsessão: a busca da homologia entre a palavra e a coisa. Quanto mais à vontade ficava em sua produção literária (o auge disso foi Finnegans) mais demonstrava pretender uma ampliação da língua: trabalhá-la, distendê-la, enriquecê-la, reescrevê-la, apropriando-se de territórios antes exclusivamente do Real, nomeando-os, trazendo expressões novas, engavetadas, inventando-as acima de tudo quando não tinha qual designasse o que pretendia. Penetra com vigor em sua tessitura e aí brinca, sem pudor, com maestria e gozo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo &lt;em&gt;malgré moi&lt;/em&gt;, parece dizer o escritor. Não escolho, sou escolhido. Embora&amp;nbsp;deixando-se perfurar por epifanias, ao invés de sujeitar-se às palavras impostas (mesmo atormentado por elas) teve &lt;em&gt;savoir-faire&lt;/em&gt; de artífice para trocar de lugar, inverter as posições e quebrá-las, desmontá-las. Liberdade essa, de ir e vir,&amp;nbsp;um enfrentamento do paradoxo que roça a loucura. Joyce soube, como ninguém, suportar a dor do parto: dos escritos e de si mesmo, enquanto sujeito. Criando, ele se constituiu. O que lhe parecia estanque, separado, disjunto é suturado via autoria, via escritura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo quanto é reto mente, a verdade é sinuosa, sabemos. Quanto mais confuso, quanto mais turvo, mais chance de verdadeiro. Quanto mais incerto, mais significativo. Nossas palavras que tropeçam são palavras que confessam. Assim ele nos dá uma &lt;em&gt;mostração &lt;/em&gt;exemplar da estrutura do &lt;em&gt;parlêtre&lt;/em&gt;, a divisão do sujeito: sou e não sou, sou os contrários, os diferentes ao mesmo tempo, numa fala nem sempre coerente, nem sempre unívoca, mas autêntica, &lt;em&gt;et pour cause&lt;/em&gt;. Ambígua, como a própria vida. Fracassa a compreensão: é pra ser lido e não, necessariamente, entendido. Rasura as palavras, desfaz o sentido (ou finge desfazê-lo) para que cada leitor o reconstrua a seu modo, particular, único, diferente, daí se dizer que a obra de arte funciona como analista: provoca um estranhamento em quem dela desfruta, um descentramento, uma equivocação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Lost in translation&lt;/em&gt; ficamos, mas não mais do que quem o lê no original, sei. Não mais do que o próprio Joyce estava. Não foi Sabato quem disse que a literatura – como a psicanálise – é um viés no qual a gente se perde pra se encontrar? Não serve para explicar, edificar, moralizar, muito menos para acomodar, tranqüilizar, adormecer tal como uma igreja ou partido político. Ao contrário, para despertar, sacudir da anestesia de um viver amortecido e da inconsciência do sono do cotidiano. Esse foi o bê-á-bá que Joyce nos ensinou. Silabação que estudamos até hoje, como ele queria. Minha homenagem em forma de poema:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O BÊ-A-BÁ DE JOYCE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os idiomas da dúvida são meus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mesmo com tradução&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mistério e enigma fazem parte&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;do meu dicionário&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o verbo oceânico persigo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;conjugar o inefável, o intangível,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o paradoxal: não elidir os contrários&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se minha dicção é múltipla&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;almejo uma sintaxe própria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;enquanto isso, soletro a ponte&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;entre o efêmero e o estável&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;coar a nata do sentido&lt;/em&gt; para seu deleite&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o poema – o leite no copo – &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esperando pela interpretação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os buracos no texto, como borra de café,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o seu deciframento&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a arquitetura da ficção,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sua desconstrução&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;antes que se queixe ou interrogue, explico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não é a forma nem o conteúdo do que lemos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o que está em cogitação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é só a coisa em si, nada mais, nada menos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto acaba de ser publicado no Portal Cronópios: &lt;br /&gt;http://www.cronopios.com.br/site/default.asp&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5367915396853675247?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5367915396853675247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/04/lost-not-only-in-translation.html#comment-form' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5367915396853675247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5367915396853675247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/04/lost-not-only-in-translation.html' title='LOST (NOT ONLY) IN TRANSLATION'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S8pGDOoSj-I/AAAAAAAAANs/vZ1DRAxHRR0/s72-c/bernice_abbott_james_joyce_1926.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5475325122557139373</id><published>2010-03-21T17:56:00.012-03:00</published><updated>2010-03-22T12:01:48.811-03:00</updated><title type='text'>BISPO COM QUIXOTE</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S6aGzoXpCjI/AAAAAAAAAMw/wc9FOWalnCI/s1600-h/bispo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S6aGzoXpCjI/AAAAAAAAAMw/wc9FOWalnCI/s320/bispo.jpg" vt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A derrota do ser-no-mundo aos olhos de uns pode ser a vitória interior, ainda que travestida de desespero e dor. Liberdade que roça a loucura. Claro e escuro coabitando na mesma dimensão. A perseguição do enigma no lugar primeiro. O real arrancado todo dia a fórceps. O avesso do avesso do avesso. A confiança no paradoxo da duração do efêmero: quanto mais escapa, mais dele se tem certeza. É justo na&amp;nbsp;escuridão que surge a luz. Quanto mais turvo, mais chance de verdadeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Assim foi com Arthur Bispo do Rosário, alguém que&amp;nbsp;mais do que na psicose&amp;nbsp;jogado foi no abismo do espaço asilar, só restando a expressão pré-verbal através da linguagem das formas, das cores, das texturas. Sem mediação da letra, ou melhor dizendo, inscrevendo-se ele próprio como (música e) letra de seu auto-processo criativo. Fez arte com o tremor do pensamento. Criando, ele se produziu. De fantasmas que habitavam os porões da mente, como imagens que surgem de sombras na parede. Aí restava a possibilidade de sua ressurreição como sujeito, imprimindo seu traço, sua marca, através de bordados feitos com linhas esfiapadas do uniforme da instituição e de objetos de uso cotidiano alçados a categoria de instrumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que toda obra de arte resguarda um &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt;, bordando em suas bordas, margens, litorais a instauração da verdade pela eclosão do ente desvelado, o além do saber, o que transcende e aponta para o indizível, para o impossível, para o limite. Nesse caso, literalmente. “Como é que eu devo fazer um muro nos fundos da minha casa?” estava escrito ao lado de&amp;nbsp;expressivo monte de cacos de vidro em cima de um muro. Seria suplência à falta da barreira primordial, a castração? É a óbvia associação, mas só uma hipótese, nada de analisá-lo via seus trabalhos. &lt;em&gt;The meaning of the meaning&lt;/em&gt; tão procurado nos escapa quando se fala de arte. Ela já é o decodificar – mesmo cifrado – do saber inconsciente que a constitui.&amp;nbsp;Resto de um despertar (mesmo que incipiente aqui). Tentativa de elaboração de&amp;nbsp;novo enunciado.&amp;nbsp;Percurso em torno de um&amp;nbsp;lugar cavado para fora da simbolização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele tenha falhado – embora com brilhantismo tentado – em dar sentido (senso), já que ficou no censo, no cálculo, contando, “fazendo o inventário do mundo antes de se apresentar a Deus”, como evidenciam muitos dos objetos seriados manufaturados . Sua obra, de reconhecimento internacional, aponta para uma travessia, porém não completada. Cabe a quem a vê escutá-la, ouvir esse silêncio e o grito que ela promove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S6aHa15A1YI/AAAAAAAAAM4/hGsQFu3xUYE/s1600-h/PicassoDonQuixoteSancho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S6aHa15A1YI/AAAAAAAAAM4/hGsQFu3xUYE/s320/PicassoDonQuixoteSancho.jpg" vt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E Quixote com isso? A obra de Cervantes se funda sobre o poder revolucionário do livro, da leitura, da literatura. Da litura, essa rasura feita nas palavras para descaracterizá-las, deformá-las, deixá-las livres para que o sentido dê quem as lê. Fracassa a leitura enquanto compreensão, só fica a ranhura sem sentido, como Joyce, que Lacan dizia para ser lido e não entendido. Menos consenso, menos verdades, logo, mais verdade.&amp;nbsp;Enigmático, mas revelador. Revela-a-dor. &lt;em&gt;The viewers are those who make the painting&lt;/em&gt; (Duchamp). O artista desfaz o sentido ou finge desfazê-lo para que o público o reconstrua a seu modo particular, único, diferenciado – daí se dizer que a obra de arte “funciona como analista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O&amp;nbsp;fidalgo Quixote, leitor inveterado e identificado com os heróis dos romances que lia, parte despreparado para a batalha, da ficção para a realidade. Quando se dá mal, amigos &lt;em&gt;Fahrenheit &lt;/em&gt;bem intencionados queimam seus livros para poupá-lo de adversidades (e aventuras!) futuras, culpando-os por seu excesso de imaginação. No entanto, em vão: ele já tinha sido inoculado por esse vírus (como se o homem precisasse disso ou daquilo para voar, para guerrear! Aliás, Navios de Guerra é o nome de outra produção de Bispo, feita de madeira, plástico, tecido e linha. E pulsões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quixote encarna o herói que crê nas pessoas a despeito de zombarias, traições, decepções, golpes sofridos. Estaria aí sua loucura? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5475325122557139373?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5475325122557139373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/03/bispo-com-quixote.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5475325122557139373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5475325122557139373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/03/bispo-com-quixote.html' title='BISPO COM QUIXOTE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S6aGzoXpCjI/AAAAAAAAAMw/wc9FOWalnCI/s72-c/bispo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-9194558237895691652</id><published>2010-02-24T21:42:00.008-03:00</published><updated>2011-04-26T21:09:09.989-03:00</updated><title type='text'>BUENOS AIRES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4XHpzuXKLI/AAAAAAAAAMA/D8oqjORoz-A/s1600-h/DSC00044.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441975245820340402" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4XHpzuXKLI/AAAAAAAAAMA/D8oqjORoz-A/s320/DSC00044.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 240px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“La ciudad está en mí como un poema/ que aún no he logrado detener en palabras” (Borges 1923)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais européia das cidades da América Latina, a Paris sul-americana sempre me instigou pelo que ouvi falar da elegância discreta não só de suas meninas como de todos os seus cidadãos. Já a conhecia através de fatos políticos (a ascensão de Perón, a chegada ao poder, após a sua morte, da vice, Isabelita (sua segunda mulher), o sangrento golpe militar de 76 e a eleição de Menen, por voto direto do povo, em 89), através das letras de expoentes como Borges (escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta, habitual frequentador da legendária &lt;em&gt;Livraria Ateneo&lt;/em&gt;), Cortazar (natural de Bruxelas, mas desde os quatro anos morador e amante da cidade, autor de Jogo da Amarelinha, Bestiário, Final de Jogo) e Sabato (de O Escritor e seus fantasmas, meu livro de cabeceira, ativo combatente da ditadura no país), e através também, inútil negar, embora não aprecie o gênero, do tango de Carlos Gardel, repaginado por Astor Piazzolla (ainda assim considero imperdível uma ida ao &lt;em&gt;Viejo Almacén &lt;/em&gt;para assistir a um show do ritmo cadenciado que eletriza multidões).&lt;br /&gt;Estive em B.A. por duas vezes. Na primeira, de passagem para Bariloche, cumpri à risca os roteiros dos guias turísticos. Na segunda, fui a mais perfeita tradução do &lt;em&gt;flanêur&lt;/em&gt;: por quinze dias, sozinha, refém do acaso, zanzei de lá pra cá, de manhã à noite, aproveitando cada instante &lt;em&gt;imortal posto que só chama&lt;/em&gt;. Perdi-me para me reencontrar, mas nunca me achava como antes, sempre diferente, reinventada. Descobri na metrópole (e em mim) tesouros que não constam de nenhum circuito-padrão. Fartei-me de uma interessante e desconhecida sensação de eternidade. Conheci curvas, arestas, dobras e brilhos do lugar. Tanto que quase me tornei &lt;em&gt;porteña&lt;/em&gt; (o que significa portuária ou a que vive junto ao porto). O tempo, que tudo apaga e faz cinza do mais rubro, aqui não foi bem sucedido: passados vários anos do fim desses volteios desisto de pintar a plenitude das cenas porque sei da fenda que existe entre a linguagem e o ser, contudo tento desdobrar em palavras alguns dos principais reflexos e imagens que retive, o que a emoção mais murmurou - ainda hoje ouço aquele grito.&lt;br /&gt;Revi com vagar a &lt;em&gt;Plaza de Mayo &lt;/em&gt;(palco de acontecimentos cívicos significativos da história da Argentina, a exemplo do famoso encontro das &lt;em&gt;madres de Mayo&lt;/em&gt;, mães de desaparecidos durante os anos de chumbo), a &lt;em&gt;Casa Rosada &lt;/em&gt;(sede do Governo Federal), a &lt;em&gt;Catedral Metropolitana &lt;/em&gt;(onde está o túmulo do General San Martin, herói nacional), o &lt;em&gt;Teatro Colon &lt;/em&gt;(muitas celebridades ali se apresentaram: Caruso, Strauss, Stravinsky, Maria Calas, Nureyev), a &lt;em&gt;9 de Julho &lt;/em&gt;(uma das avenidas mais largas do mundo), o &lt;em&gt;Obelisco &lt;/em&gt;(que – ao contrário do nosso de Ipanema, no Rio, erguido pelo ex-prefeito César Maia e já derrubado – após intensa polêmica, acabou se integrando à paisagem de B.A.), &lt;em&gt;Manzana de las Luzes &lt;/em&gt;(belo conjunto arquitetônico tombado pelo patrimônio), &lt;em&gt;Calle Florida &lt;/em&gt;(exclusiva para pedestres, farta em comércio de artigos de couro e lã, com o moderno shopping center &lt;em&gt;Galerias Pacífico &lt;/em&gt;instalado num prédio onde funcionavam os escritórios da &lt;em&gt;Ferrocarriles Argentinas&lt;/em&gt;. Uma coleção de afrescos e os vitrais da abóbada do teto executados por brilhantes artistas plásticos fazem com que, por incrível que pareça, comprar seja o que menos importa, com uma exceção: a loja &lt;em&gt;Bonnie Life&lt;/em&gt;, de artesanato, voltada para a defesa da natureza: todos os produtos são ecológicos. Confira). &lt;br /&gt;Voltei a &lt;em&gt;La Boca&lt;/em&gt;, na margem esquerda da desembocadura do Canal do Riachuelo, colorido recanto que abrigou os imigrantes genoveses. De novo sorri diante de &lt;em&gt;Caminito&lt;/em&gt;. A curiosidade são as casas (construídas sobre estacas, como proteção contra a maré alta) feitas com folhas de zinco porque essa era a matéria-prima utilizada nas embarcações que aí aportavam, pintadas de cores fortes com sobras de tintas que os moradores conseguiam junto aos navios.&lt;br /&gt;Chegando à sofisticada &lt;em&gt;Recoleta&lt;/em&gt;, curti a sombra do &lt;em&gt;Gran Gomeiro&lt;/em&gt;, a seringueira árvore-símbolo do bairro. Depois visitei o &lt;em&gt;Cementério&lt;/em&gt;, rico em frondosas araucárias, cheio de estátuas, monumentos, mausoléus, verdadeiras obras de arte, como o sepulcro de Evita Perón, a ex-primeira dama. Saí para conhecer a &lt;em&gt;Basílica de Nuestra Senõra Del Pilar&lt;/em&gt;, de 1732, destinada às orações dos padres franciscanos recolhidos (&lt;em&gt;recolletos&lt;/em&gt;), cujo &lt;em&gt;Altar Mayor &lt;/em&gt;é o destaque: um trabalho em prata realizado por indígenas do Peru. Almocei em um dos notáveis restaurantes do &lt;em&gt;Paseo Del Pilar&lt;/em&gt;, a galeria ao lado do &lt;em&gt;Centro Cultural&lt;/em&gt;. Para quem se interessa pelo assunto, o &lt;em&gt;B.A. Design Recoleta &lt;/em&gt;vale uma visita seguida de comprinha, nem que seja uma lembrança original. &lt;em&gt;But&lt;/em&gt;, se quiser e puder gastar muito, vá ao &lt;em&gt;Pátio Bulrich&lt;/em&gt;, templo do alto consumo, em uma antiga construção onde aconteciam leilões de gado, fortemente marcada pelo desenho inglês. A vitrine do &lt;em&gt;Valenti&lt;/em&gt; &lt;em&gt;especialidades&lt;/em&gt; (queijos, salames, azeites) é de cair o queixo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;La Plaza Shopping Center &lt;/em&gt;é mais um centro de lazer, com três áreas que homenageiam os três Pablos: Picasso, Neruda e Casals. Todavia, é domingo, dia de &lt;em&gt;Feria de San Telmo&lt;/em&gt;, e é pra lá que eu rumo. Uma divertida feira de antiguidades ou quinquilharias, depende do ponto de vista, cheia de artistas anônimos, “estátuas vivas”, casais dançando (e ensinando) tango, tocadores de bandoneon (que som pungente! Sabe a música Pelos Ares, da Adriana Calcanhoto?) que de Mercedes Soza e Violeta Parra logo passam para Aquarela do Brasil ou Cidade Maravilhosa quando percebem a chegada de brasileiros “no pedaço”. Pega de surpresa, longe de casa, prenhe de saudade, corpo e alma são transpassados num só golpe (baixo)!&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;Jardim Japonês&lt;/em&gt;, em &lt;em&gt;Palermo&lt;/em&gt; (onde também está localizado o &lt;em&gt;Parque 3 de Febrero&lt;/em&gt;, o grande pulmão verde da cidade), deixei-me ficar no silêncio da doce fluidez das horas, o que me pareceu ser, no momento, o mais perfeito enlace entre céu e terra. Enquanto o sol caía por entre as folhas, apreciava os bonsais, e, salpicada de gotas dos bailados das carpas em torno de migalhas de pão que os visitantes vinham lhes atirar, encharcava-me de paz.&lt;br /&gt;Por fim, os &lt;em&gt;Armazéns de Puerto Madero&lt;/em&gt;, resultado do maior projeto de revitalização da zona do cais (marina, dois barcos-museu, universidade, igreja, cinemas e inúmeros restaurantes), perfeito para um passeio pelo calçadão entre os prédios e o dique. Depois de muito caminhar, faminta, afoguei-me na mais feroz alegria dos sentidos, guiada apenas por desejos, aromas e sabores. O &lt;em&gt;Cabana Las Lilas&lt;/em&gt;, que recebeu estadistas como Clinton e Fernando Henrique Cardoso, foi o escolhido. Se pedir &lt;em&gt;tapa de quadril &lt;/em&gt;(picanha) com &lt;em&gt;papas&lt;/em&gt; (batatas) &lt;em&gt;fritas souflée&lt;/em&gt;, um clássico, não tem erro. Sobremesa: &lt;em&gt;panqueca de dulce de leche&lt;/em&gt;, o melhor do mundo, vamos combinar. &lt;em&gt;La Caballeriza &lt;/em&gt;foi outra boa escolha, quando lá voltei. A decoração lembra um haras, todo dividido em “baias” e os garçons vestidos no estilo. O cardápio, como sempre, voltado para as carnes, não invente. &lt;em&gt;Bife de chorizo &lt;/em&gt;(nosso contra-filé) ou &lt;em&gt;lomo&lt;/em&gt; (filé mignon) são uma excelente pedida.&lt;br /&gt;A vocação gastronômica da cidade é um fato. Inúmeras são as opções, para todos os gostos e bolsos. Indico: &lt;em&gt;Clark’s&lt;/em&gt; (frutos do mar ou o filé da casa, envolto em massa folhada com panceta e cogumelos). &lt;em&gt;Prosciutto la Parrilla&lt;/em&gt;, localizado num prédio histórico de 1890, com um eficiente sistema de porta de entrada dupla para controle do frio externo, é outro que recomendo (&lt;em&gt;jamon crudo &lt;/em&gt;(presunto cru) é a especialidade, servido de várias maneiras e acompanhado de chope, para variar dos vinhos até então consumidos). &lt;em&gt;Las Nazarenas&lt;/em&gt;, tradicional &lt;em&gt;assador criollo &lt;/em&gt;(churrascaria) também oferece maravilhosas carnes no típico fogo de chão. Muito aconchegante. Um ótimo, com menu a preço fixo no almoço, é &lt;em&gt;La Casa de Esteban de Luca&lt;/em&gt;. O mais econômico, nem por isso menos agradável: uma simpática cantina chamada &lt;em&gt;Broccolino&lt;/em&gt;, neologismo com o qual os donos, italianos, brindavam o Brooklin, em Nova York, onde estavam seus parentes que foram “fazer” a América. &lt;br /&gt;E, se quiser um prato rápido, um lanche, uma comidinha leve, sem perda de qualidade, há cafés, confeitarias e casas de chá em profusão. Ressalto alguns: &lt;em&gt;Café Tortoni&lt;/em&gt;, o mais antigo, fundado em 1858, muito querido dos intelectuais, artistas e jornalistas da época. &lt;em&gt;Florida Garden &lt;/em&gt;(prove o sanduíche de &lt;em&gt;pan de miga &lt;/em&gt;(pão de forma sem casca)). &lt;em&gt;Le Caravelle &lt;/em&gt;(em pé, no balcão). &lt;em&gt;Café de la Paix &lt;/em&gt;(lotado de americanos e europeus, nos fins de semana). &lt;em&gt;Confiteria Jockey Club &lt;/em&gt;(peça uma &lt;em&gt;platina de massas &lt;/em&gt;(bandeja de doces, deliciosos)). &lt;em&gt;Delicity-Sweet House &lt;/em&gt;(tortas, &lt;em&gt;medialunas&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;croissants&lt;/em&gt;) e um saboroso &lt;em&gt;almendrado &lt;/em&gt;(sorvete de amêndoas). E o &lt;em&gt;Freddo&lt;/em&gt; (uma cadeia de sorvetes artesanais, com mais de cinqüenta sabores. Tem filiais e entrega a domicílio). Falei dos &lt;em&gt;alfajorres&lt;/em&gt;? (Finos discos de massa recheados com “aquele” doce de leite e cobertos de chocolate). Só aceite o &lt;em&gt;Havanna&lt;/em&gt;, fabricado em &lt;em&gt;Mar Del Plata&lt;/em&gt;. Vale o preço.&lt;br /&gt;Mas não me (nem te) engano: o vivido é uma pluma que o vento vai levando pelo ar, e a essência, se é que ela existe, pertence ao invisível. Desfolhe meu real e alucine/concretize seus próprios sonhos. Siga sua caravana. Viaje, se preciso for, sem sair do lugar: pode ser ainda melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-9194558237895691652?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/9194558237895691652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/02/buenos-aires.html#comment-form' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9194558237895691652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9194558237895691652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/02/buenos-aires.html' title='BUENOS AIRES'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4XHpzuXKLI/AAAAAAAAAMA/D8oqjORoz-A/s72-c/DSC00044.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5030232659870778409</id><published>2010-02-20T23:30:00.008-02:00</published><updated>2010-02-28T00:48:50.325-03:00</updated><title type='text'>A GAIOLA, MESMO VAZIA, É PEQUENA DEMAIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4Ca9VtwxpI/AAAAAAAAAL4/XZl1ADJ-sYI/s1600-h/439604_ussr.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 199px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4Ca9VtwxpI/AAAAAAAAAL4/XZl1ADJ-sYI/s320/439604_ussr.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440518728455341714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pouco mais do que um &lt;em&gt;cut-up &lt;/em&gt;da coluna de José Castello de 20/2/2010, no Prosa e Verso de O Globo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo problema tem solução, certo? Errado. Não creio. Nada pode resolver uma divisão, no máximo se consegue expô-la. Qualquer movimento (opção) pode agitar mais ainda os envolvidos. &lt;br /&gt;Debruço-me sobre fragmentos de poemas de Fabrício Corsaletti (o livro é Esquimó, e logo associo: só esse povo é capaz de nomear o branco da neve de setenta maneiras diferentes), na esperança de tomar distância do real e tentar manter o equilíbrio, literalmente: ando com labirintite.&lt;br /&gt;Mas acontece o contrário: o que leio me remete de volta à questão pessoal. A poesia é como óculos: quando você os coloca, não vê os óculos, vê as coisas com mais clareza. A poesia é essa lente que faz com que se perceba tudo com mais nitidez.&lt;br /&gt;Retorno, desolada, aos pensamentos sobre a minha identidade. Ana Emilia Rebelo é meu verdadeiro nome, não Ana Guimarães... Depois me desminto: Ana Guimarães é meu verdadeiro nome, não Ana Emilia Rebelo. Repetição da dúvida que me assalta, que me angustia. As duas afirmações guardam parte da verdade, mas a verdade inteira não está em sua soma. Assim é a realidade.&lt;br /&gt;O cadáver deve continuar exposto ou ser enterrado de uma vez?* Esbarro nas paredes, tateio, não decido. Paraliso.&lt;br /&gt;O que quero de um homem? O poeta &lt;em&gt;me responde&lt;/em&gt;. “Não quero voltar para casa/no seu abraço/não busco o que perdi.../...Você é vento quente/que me acompanha/o enigma que não precisa ser decifrado.../...De você eu quero apenas/um filhote de lobo/um filhote de lobo/para morder minha mão direita”.&lt;br /&gt;Enigmas mordem a gente, despertam, trituram. E fazem sangrar. Na mão direita, a da razão. A esquerda, da emoção, continua intacta porque partida desde sempre, como a castração na mulher.&lt;br /&gt;[Acabo de ler no café literário do portal Cronópios, a resposta de um amigo escritor, Flávio Viegas Amoreira, aos meus votos de parabéns pelo seu aniversário no dia 15 desse mês: Grato, emocionado. Ana, (só Ana, talvez essa seja eu), saudades e tanto afeto por ti. Beijo na filha (que aniversaria no mesmo dia). Você instiga... motiva.]&lt;br /&gt;Se transparente, veriam que além da força de sustentação de uma família, de escudo para os filhos, de escuta para as pessoas, tenho um lado delicado, de desamparo. Ando alquebrada. Torta pelo vento que, pra simplificar, chamamos vida.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Everything is broken&lt;/em&gt;, diz o poeta e assino em baixo, com qualquer um dos nomes, novamente ele me retrata. “Minha voz/está quebrada/meu pensamento/está quebrado/(...)/tudo está quebrado/... Há uma pessoa no mundo/que não está quebrada/e eu estou ao seu lado/como se não estivesse quebrado”. Só o outro &lt;em&gt;cola&lt;/em&gt;, fornece a ilusão de completude. Mas mesmo isso não estanca a sangria, sabemos. Ilusões não são verdades.&lt;br /&gt;Existem coisas a respeito das quais devemos nos calar? “Nunca falei/nunca vou falar”. Falar afeta o frágil equilíbrio do mundo. Não falar, afeta o meu. Mais um verso do poeta, que me traduz: “Não vou/me perdoar/pelo que fiz/Não vou/me arrepender/do que fiz”. Pura ambigüidade.&lt;br /&gt;Das palavras não conseguimos escapar. Elas expõem a cisão que nos constitui. Escrever (poesia ou prosa, tanto faz) só roça o enigma, não pretende solucioná-lo. Não é inútil, embora também não sirva para nada (seria um sintoma do indizível?). Melhor não tocar no assunto. É mais prudente ficar em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Foi noticiado que o governo da Rússia não sabe se enterra o corpo embalsamado de Lênin, conservado num mausoléu da Praça Vermelha, desde 1924, exposto à visitação pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmir, do site Ver-O-Poema publicou o meu texto, confiram: http://www.veropoema.net/interna.php?page=5&amp;action=show&amp;id=1260&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5030232659870778409?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5030232659870778409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/02/gaiola-mesmo-vazia-e-pequena-demais.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5030232659870778409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5030232659870778409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/02/gaiola-mesmo-vazia-e-pequena-demais.html' title='A GAIOLA, MESMO VAZIA, É PEQUENA DEMAIS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S4Ca9VtwxpI/AAAAAAAAAL4/XZl1ADJ-sYI/s72-c/439604_ussr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7731580274883050257</id><published>2010-01-31T21:03:00.005-02:00</published><updated>2010-01-31T22:20:04.588-02:00</updated><title type='text'>CAMINHANDO POR MADRI</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S2YMm1lTvXI/AAAAAAAAALg/SJQTSrMmNNI/s1600-h/DSC00032.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S2YMm1lTvXI/AAAAAAAAALg/SJQTSrMmNNI/s320/DSC00032.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433043861827206514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAMINHANDO POR MADRI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que é loucura: ser cavaleiro andante&lt;br /&gt;ou segui-lo como escudeiro?&lt;br /&gt;De nós dois, quem o louco verdadeiro?&lt;br /&gt;O que, acordado, sonha doidamente?&lt;br /&gt;O que, mesmo vendado,&lt;br /&gt;vê o real e segue o sonho&lt;br /&gt;de um doido pelas bruxas embruxado?&lt;br /&gt;Eis-me, talvez, o único maluco, &lt;br /&gt;e me sabendo tal, sem grão de siso, &lt;br /&gt;sou — que doideira — um louco de juízo.&lt;br /&gt;(Drummond)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua é a fazenda, &lt;br /&gt;a casa, &lt;br /&gt;o cavalo&lt;br /&gt;e a pistola. &lt;br /&gt;Minha é a voz antiga da terra. &lt;br /&gt;Você fica com tudo&lt;br /&gt;e me deixa nu e errante pelo mundo... &lt;br /&gt;mas eu te deixo mudo... Mudo!&lt;br /&gt;E como vai recolher o trigo&lt;br /&gt;e alimentar o fogo&lt;br /&gt;se eu levo comigo a canção?&lt;br /&gt;(para Franco - LEÓN FELIPE)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que pousei em Madri desanimada, quase triste, com a sensação de que a fogueira estava prestes a se apagar, que a viagem agonizava. Primeiro porque era um dado de realidade, afinal seria a última escala antes da volta ao Brasil. Depois porque após o ápice que fora Barcelona – já começava a juntar seus restos no fogo-fátuo da memória – dificilmente alguma outra a superaria. Mas o jogo começou a virar na noite mesmo em que cheguei. O vôo atrasou e fui jantar, por comodidade, próximo ao hotel, na &lt;em&gt;Gran Via&lt;/em&gt;, num dos muitos restaurantes abertos àquela hora (a metrópole tem fama de boêmia, nada fecha, só ao amanhecer): farta refeição composta de salada, &lt;em&gt;entrecôte &lt;/em&gt;com fritas e sobremesa, por um preço razoável comparado ao dos bacalhaus e &lt;em&gt;jamóns &lt;/em&gt;serranos que vinha, até então, degustando. Invadiu-me tanta alegria pelas papilas gustativas que fui dormir feliz e acordei esperançosa, certa de que o sonho continuaria enquanto a areia escorresse pela ampulheta. Tomei, com calma, o café da manhã, &lt;em&gt;pan com tomaca &lt;/em&gt;(pão com tomate), “obrigatório”, equivalente ao nosso cotidiano pão com manteiga, e saí, como os mouros, disposta a conquistá-la, só que &lt;em&gt;caminhando e cantando&lt;/em&gt;, como disse Vandré, lembrando-me ainda daquele aviso à porta de um cemitério: “O Paraíso não tem pressa e te espera”, embora aqui, ao contrário da morte, tenha encontrado vida pulsando em cada esquina. Cada praça, museu, igreja ou monumento parecia estar à espera de ser descoberto para acender por completo minha existência. &lt;br /&gt;Apesar do frio, o sol revelava no chão silhuetas as mais diversas, encorajando-me. Retive essa luz e segui em frente. Conheci a &lt;em&gt;Plaza Cibeles&lt;/em&gt;, no cruzamento entre &lt;em&gt;Paseo Del Prado &lt;/em&gt;e a &lt;em&gt;Calle de Alcalá&lt;/em&gt;. Passei pela &lt;em&gt;Plaza de Toros de Lãs Ventas&lt;/em&gt;, a das touradas (jamais iria assistir espetáculo tão sangrento!). Na &lt;em&gt;Plaza de Espanha&lt;/em&gt;, fotografei ao lado do busto de Cervantes e das estátuas de D. Quixote (o cavaleiro, montado em seu fiel Rocinante) e Sancho Pança (o escudeiro). De lá rumei para &lt;em&gt;Plaza Mayor&lt;/em&gt;, a mais bela de todas (e saber que o lugar foi palco de julgamentos e execuções da Inquisição...). Debaixo de suas arcadas, belisquei &lt;em&gt;tapas &lt;/em&gt;(petiscos salgados) para abrir o apetite, e provei o famoso xerez Tio Pepe. Andei até &lt;em&gt;Puerta Del Sol&lt;/em&gt;, marco zero das estradas nacionais que saem da cidade, e vi a estátua do urso comendo morangos na árvore, símbolo de Madri. Pausa para almoço (leitãozinho assado) no Botin, uma “instituição”, freqüentado não só por turistas como por habitantes locais, na &lt;em&gt;Calle dos Cuchilleros&lt;/em&gt;, conhecido pólo gastronômico. Talvez pela baixa temperatura, apesar do vinho consumido, tive fôlego para ir direto ao &lt;em&gt;Centro de Arte Reina Sofia&lt;/em&gt;, com seus panorâmicos elevadores de vidro, ver o impactante &lt;em&gt;Guernica&lt;/em&gt;, de Picasso, entre outras obras. Voltei para cear no El Cuchi, especializado em cozinha mexicana.&lt;br /&gt;Devotei manhã e tarde para apreciar os trabalhos expostos no magnífico Museu do &lt;em&gt;Prado&lt;/em&gt;, um dos melhores acervos do mundo. Inspirada, no dia seguinte fui ao Museu &lt;em&gt;Thyssen Bornemisza&lt;/em&gt;, que expõe a evolução da arte espanhola do século XIII ao XX. Mais Velásquez, Goya, Picasso, Dali.&lt;br /&gt;Gratificantes passeios foram por mim realizados: &lt;em&gt;Templo de Debod&lt;/em&gt;, construído no século IV AC, foi salvo de ser inundado por uma represa e dado de presente à Espanha. Fica nuns jardins no alto, de onde se tem privilegiada vista. &lt;em&gt;Monastério de San Lorenzo de Escorial&lt;/em&gt;, construído para ser o lugar de retiro de Felipe II. &lt;em&gt;Valle de Los Caídos&lt;/em&gt;, monumento aos mortos da guerra civil espanhola, imensa capela escavada na rocha bruta (mais viva do que nunca e com fome, saí e almocei um divino cozido madrileno no La Bola). Visita guiada ao &lt;em&gt;Convento de las Descalças Reales&lt;/em&gt;, repleto de tapeçarias, esculturas e pinturas de Rubens e Ticiano, doadas pelos pais das noviças. As Igrejas de &lt;em&gt;San Isidro e N.S. de Almudeña&lt;/em&gt;, a padroeira, também me encantaram. Quando terminei, a noite já nos enlaçava. Entrei, atraída pela placa, no Museo Del Jamón, que dispõe de enorme variedade da iguaria mais típica do país. Concluí que meu presunto preferido é, sem dúvida, o &lt;em&gt;Pata Nera&lt;/em&gt;, feito de um tipo de porco criado sem nenhum confinamento, alimentando-se apenas de uma espécie de castanha de coloração amarronzada, o que mancha suas patas, daí o nome.&lt;br /&gt;Por fim, embarquei numa excursão de longa jornada para a qual é pedido que se madrugue com calçados confortáveis para andar em ruas de paralelepípedos: a &lt;em&gt;Toledo&lt;/em&gt;, dentro de antigas muralhas, preservada, tombada pelo patrimônio, berço de &lt;em&gt;El Greco &lt;/em&gt;não de nascimento, mas por adoção para aí desenvolver a maior parte de sua carreira. Maravilhas a serem apreciadas: o &lt;em&gt;Alcazar&lt;/em&gt;, que era um palácio fortificado. A &lt;em&gt;Igreja de São Tomé&lt;/em&gt;, simplezinha, o destaque é que ela abriga “&lt;em&gt;O enterro do Conde de Orgaz&lt;/em&gt;”, obra prima do mestre. A &lt;em&gt;Sinagoga de Santa Maria La Blanca&lt;/em&gt;, bem eclética em termos arquitetônicos (uma salada de estilos, em bom português), mais parece uma mesquita. E o ponto alto, a &lt;em&gt;Catedral&lt;/em&gt;, cujo altar ostenta magnífica escultura de Narciso Tomé, em mármore, jaspe e bronze, chamada &lt;em&gt;Transparente&lt;/em&gt; devido à iluminação que recebe de uma clarabóia. Além disso, fomos levados a uma autêntica oficina de artesãos em pleno funcionamento, lidando com ouro damasquinado, técnica secular onde se incrustam fios de ouro nos desenhos das peças. &lt;br /&gt;Saciada de comida e arte, enquanto aguardo a hora da volta para a casa, vou ao &lt;em&gt;Parque Del Retiro&lt;/em&gt;, enorme área verde no centro da cidade, com alamedas repletas de mímicos, músicos e acrobatas, barcos no lago e cafés ao ar livre. Ideal para quem, como eu, “missão cumprida”, agora o corpo quer relaxar apreciando o vaivém das pessoas, só a alma caminha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7731580274883050257?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7731580274883050257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/caminhando-por-madri.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7731580274883050257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7731580274883050257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/caminhando-por-madri.html' title='CAMINHANDO POR MADRI'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S2YMm1lTvXI/AAAAAAAAALg/SJQTSrMmNNI/s72-c/DSC00032.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3588710095091181634</id><published>2010-01-20T20:35:00.015-02:00</published><updated>2010-01-25T20:39:49.277-02:00</updated><title type='text'>BARCELONA, LUMINOSA CIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S1eFdNAnckI/AAAAAAAAALY/l_3Q95MzDPU/s1600-h/DSC00023.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S1eFdNAnckI/AAAAAAAAALY/l_3Q95MzDPU/s400/DSC00023.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428954612573368898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A linha reta é do homem, a curva pertence a Deus (Gaudi)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barcelona, a primeira impressão, aquele instante, permanece a cantar até hoje em minha alma. Revejo a gélida noite de seis de janeiro. O coração logo aquecido, seu ritmo acertado ao ritmo da festa de Reis que incendiava as ruas da cidade. Como separar a dançarina da dança?, se perguntava Yeats. Só sei que rodopiei nos dias em que lá estive. E, sempre que a revisito na memória, bailo de novo.&lt;br /&gt;A privilegiada localização do hotel em que fiquei, praça Catalunya, foi vital para a mobilidade e conseqüente melhor e mais rápido conhecimento de tudo, no tempo de viagem de que dispunha. Daí partem os ônibus turísticos que levam de uma atração a outra. Aí se encontra El Corte Inglês, loja de departamentos com ampla oferta de mercadorias de qualidade (a preços razoáveis, pois estava em &lt;em&gt;rebaja&lt;/em&gt; (liquidação)). Aí também começa a famosa La Rambla (onde se pode tanto visitar o mercado La Boqueria e se abastecer com pães, queijos, vinhos, frutas secas e o maravilhoso jamon (presunto cru) quanto assistir a um espetáculo no Gran Teatre Del Liceu - Montserrat Caballé tinha estreado na véspera, mas os ingressos para a temporada já estavam esgotados). Esta, por sua vez, termina em um ponto igualmente importante: o monumento a Colombo, no Portal de la Pau, marco que comemora a vitoriosa volta do navegador após sua primeira expedição ao Novo Mundo. Bem perto, no Port Olimpic, é possível sair ao mar em barcos chamados Golondrinas (tradução: andorinhas, que, nunca sós, sempre em bando, dando vôos rasantes sobre as cabeças dos turistas, fazem verão em pleno inverno).&lt;br /&gt;Passeig de Gràcia, paralela a Rambla, entre outros motivos, merece uma caminhada. Deixei-me embriagar pelas vitrines de joalherias e sofisticadas grifes, e ainda tive a sorte de conseguir comprar na loja Vinçon, de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;, uma caneta finíssima, nos dois sentidos, para Nanda, minha filha designer. Além disso, depois de tanta andança, já distante dessa área, descobri a oficina manual de alpargatas catalãs típicas: lindas, de modelos, cores e tamanhos a escolher.&lt;br /&gt;A Avenida Rainha Maria Cristina, ladeada por campanários inspirados nos da praça de São Marcos, em Veneza, tem escadas rolantes a céu aberto e uma enorme quantidade de bancos para a &lt;em&gt;siesta&lt;/em&gt;, a soneca obrigatória depois do almoço. Se &lt;em&gt;em Roma, como os romanos&lt;/em&gt;, relaxei e cedi ao sono, até porque quase tudo fecha nesse horário.&lt;br /&gt;A gastronomia é um capítulo à parte, contudo vou resumi-lo: come-se bem em &lt;em&gt;qual-quer &lt;/em&gt;canto, dos mais caros aos mais econômicos, tanto a comida típica (paella, por exemplo, feita de arroz com açafrão e frutos do mar) como a internacional: considero que tomei a sopa de cebola mais deliciosa do mundo, talvez porque tenha me aquecido do frio de seis graus assim que cheguei, no restaurante La Poma, simples e lotado. &lt;br /&gt;Berço de muitos gênios da arte, Barcelona tem, além do Museu Nacional D’ard, atrações imperdíveis. Comecei pela Catedral gótica, com vinte e oito (!) capelas laterais. Emudeci diante de tanta beleza. Depois fui a Fundação Miró, no Parc de Montjüic, que abriga os principais trabalhos do pintor surrealista, embora eu tenha preferido o Museu Picasso, ele próprio, as três casas que o compõe, uma obra de arte. E ainda fui presenteada com uma exposição extra: Picasso erótico. &lt;br /&gt;Todavia, rendo-me à unanimidade, que nem sempre é burra: Gaudi é a estrela &lt;em&gt;do &lt;/em&gt;&lt;em&gt;pedaço&lt;/em&gt;. Duas ou três coisas que sei dele: professava uma profunda fé religiosa e difundia com fervor a linguagem e a cultura catalana, quando isso era proibido. Conta-se que chegou a se recusar a falar espanhol com um policial, o que lhe valeu duas noites na cadeia. Morreu atropelado. Não totalmente, como atesta a arquitetura que pintou em aquarela nada formal. Para começar, fui conhecer a Casa Vicens, sua primeira grande encomenda. Surpreendente. Depois, o edifício de apartamentos a Pedrera (ou Casa Milà), com a fachada curva, ondulada. E ainda a Casa Batlló, uma marca do seu estilo, particular, único, com muitos elementos diferentes, mistura de vitrais, madeira, cerâmica e ferro forjado, os três últimos considerados modernos, na época. Visitei com calma o Parc Güell, tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, com um imenso lagarto revestido de cacos de azulejos a recepcionar todos os que sobem a escadaria da entrada. Por fim, entreguei-me à visão da grandiosidade da Sagrada Família, templo idealizado por ele, ao qual dedicou quarenta e três anos da vida (o contrário daquela letra de música dos Paralamas (“a arte de viver da fé...”): a fé em viver da arte) e apenas conseguiu ver terminadas algumas partes, entre elas a monumental fachada “do Nascimento” e uma das dezoito torres projetadas, com um elevador que leva o visitante ao alto, onde o olhar parece se estender além do horizonte. Considerada, se/quando concluída, a maior da Europa. Saí tocada pela grandeza daquele verdadeiro &lt;em&gt;work in progress &lt;/em&gt;a me lembrar quão inacabados somos, em eterna construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não creio em ti, Senhor, mas tenho tanta necessidade de crer em ti, que muitas vezes falo e te imploro como se existisses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tanta necessidade de ti, Senhor, e de que sejas, que chego a crer em ti — e penso crer em ti quando não creio em ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois desperto, ou me parece que desperto, e me envergonho de minha fraqueza e te detesto. E falo contra ti que não és ninguém. E falo mal de ti como se fosses alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, Senhor, estou desperto e quando adormecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estou mais desperto e quando mais adormecido? Não será tudo um sonho e eu que, desperto e adormecido, sonho a vida? Despertarei algum día deste duplo sonho e viverei, longe daqui, a verdadeira vida, onde sonho e vigília sejam uma mentira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio em ti, Senhor, mas se és, não posso dar-te o melhor de mim a não ser assim: senão dizendo-te que não creio em ti. Que forma de amor tão estranha e tão dura! Que mal me faz não poder dizer-te: creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio em ti, Senhor, mas se és, tira-me deste engano de uma vez.&lt;br /&gt;Faz-me ver bem a tua cara! Não me queiras mal pelo meu amor&lt;br /&gt;mesquinho. Faz com que, sem fim e sem palavras, todo o meu ser possa dizer-te: És.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Canto espiritual, poema de José Palau, poeta catalão, traduzido por Augusto de Campos)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACABO DE TER A GRATA SATISFAÇÃO DE SER INFORMADA DE QUE ESSE MEU TEXTO FOI PUBLICADO NO SITE SAL DA TERRA/LUZ DO MUNDO: &lt;br /&gt;http://saldaterraluzdomundo.net/literatura_cronicas_.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3588710095091181634?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3588710095091181634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/barcelona-luminosa-cidade.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3588710095091181634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3588710095091181634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/barcelona-luminosa-cidade.html' title='BARCELONA, LUMINOSA CIDADE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S1eFdNAnckI/AAAAAAAAALY/l_3Q95MzDPU/s72-c/DSC00023.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-9196037017025018534</id><published>2010-01-10T13:44:00.009-02:00</published><updated>2011-05-22T00:32:39.174-03:00</updated><title type='text'>E QUERO FRÁTRIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S0n2DhXtYaI/AAAAAAAAALQ/T30osC1XgYc/s1600-h/P1020372.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425137766502326690" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S0n2DhXtYaI/AAAAAAAAALQ/T30osC1XgYc/s400/P1020372.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E QUERO FRÁTRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ó mar salgado, quanto do teu sal&lt;br /&gt;São lágrimas de Portugal!&lt;br /&gt;Por te cruzarmos, quantas mães choraram, &lt;br /&gt;Quantos filhos em vão rezaram!&lt;br /&gt;Quantas noivas ficaram por casar&lt;br /&gt;Para que fosses nosso, ó mar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu a pena? Tudo vale a pena&lt;br /&gt;Se a alma não é pequena.&lt;br /&gt;Quem quer passar além do Bojador&lt;br /&gt;Tem que passar além da dor.&lt;br /&gt;Deus ao mar o perigo e o abismo deu,&lt;br /&gt;Mas nele é que espelhou o céu.&lt;br /&gt;(Fernando Pessoa)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia lido que &lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;, apesar de localizada no Atlântico tem um quê de mediterrâneo. Talvez por seus telhados laranja escuro, casas em tons pastéis, calçadas lindamente decoradas, sempre sendo restauradas, azulejos azuis por toda a parte (D. Manuel I, em visita à Espanha, teria se encantado com os interiores mouriscos azulejados). Acordei num sábado de manhã cedo, no Aeroporto Portela, louca de disposição para conhecê-la. A sensação, após dez horas de vôo, é inusitada: fala-se a mesma língua, o que embora nos conforte e tranqüilize, causa um certo estranhamento. Uma flor de ambigüidade: estamos e não estamos no estrangeiro. Agora, fecho os olhos para melhor resgatar da memória tudo que possa servir de bússola para futuros viajantes.&lt;br /&gt;O hotel Lisboa, bem localizado, junto à Avenida Liberdade, que me abrigou por apenas um dia, pois antecipara a ida em cima da hora, não é da mesma categoria do outro, onde me hospedei o resto da minha estadia, pertinho do praça do Rossio, o coração da cidade, contudo o atendimento da recepção foi cordial, rápido e eficiente: enquanto fazia o &lt;em&gt;check in &lt;/em&gt;já me engajava no primeiro &lt;em&gt;tour&lt;/em&gt; aos arredores, deixando para depois o reconhecimento dos brilhos de um mito que se revelou realidade. &lt;br /&gt;Comecei por Sintra, apelidada de O Glorioso Éden, por Byron, antigo refúgio dos monarcas. Fez-me lembrar Petrópolis em seus áureos tempos. O lugar oferece aos visitantes, além da beleza natural (botânicos teriam enlouquecido com as espécies de plantas raras que ali florescem) grandiosas edificações como o Palácio Real, com duas enormes chaminés na cozinha, vistas de longe, e o Palácio da Pena, erguido sobre as ruínas de um mosteiro do século XVI. Café e doces deliciosos amenizam o frio de quatro graus (é dezembro, pleno inverno). De lá seguimos para Cabo da Roca (o ponto mais oeste da terra), praia do Guincho (cheia de destemidos surfistas em suas águas geladas), Cascais e Estoril, paraíso dos aristocratas.&lt;br /&gt;De volta do passeio, numa espécie de reconhecimento do terreno, jantamos no restaurante panorâmico do Hotel Mundial, com o magnífico e iluminado Castelo de São Jorge bem ao lado, quase a um esticar de braço. Fomos dormir com a sensação de que já estávamos em terras portuguesas há vários dias.&lt;br /&gt;Aos primeiros raios solares, saímos para ver aquela que renasceu das cinzas por duas vezes. Seguíamos as trilhas sugeridas: atravessar a Ponte 25 de abril, sobre o Rio Tejo (cantado em prosa e verso por Camões e Pessoa), a ponte pêncil mais comprida da Europa. Visitar o Mosteiro dos Jerônimos (uma homenagem às descobertas de Vasco da Gama, financiado pelo comércio das especiarias), o Museu dos Coches (instalado na antiga escola de equitação do Palácio de Belém), o monumento Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém (construída como proteção contra piratas, a fortaleza que serviu de ponto de partida das caravelas). Subir e descer nas escadarias que constituem o labirinto de Alfama, antigo bairro árabe. Dar uma volta na Praça Marques do Pombal, o ministro que reconstruiu Lisboa após o terremoto de 1755. Passear nas ruas do Chiado, bairro criado após um incêndio em 1988.&lt;br /&gt;Já o amplo Parque das Nações, feito para a Expo 98, revela a face moderna da cidade. Nele, muitas são as atrações, porém notável é o Oceanário, magnífico aquário gigante com diferentes habitats: vale a visita com bastante tempo disponível. No shopping Vasco da Gama, ali pertinho, uma surpresa, tolo afago de ego: a loja Ana Guimarães, onde adquiri uma almofada para pescoço a fim de tornar mais confortável o vôo de volta ao Brasil. Depois fui ao shopping Colombo, bem maior e mais sofisticado, e aos Armazéns do Chiado (numa fachada antiga recuperada, um espaço interno que abriga seis pisos, boa opção para compras e refeições ligeiras). À noite, tendo feito uma ‘marcação’ (leia-se reserva) fomos ao aconchegante Parreirinha do Alfama ouvir fado (a palavra vem do latim &lt;em&gt;fatum&lt;/em&gt;, ou seja, destino. Uma explicação para a sua origem remonta aos cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa, após a reconquista cristã).&lt;br /&gt;Dia 31 de dezembro fizemos uma excursão ao passado: Óbidus, pequena vila a 94 kms de Lisboa, rodeada de muralhas de pedras do século XIV, onde se toma a famosa “ginjinha com” (licor de cerejas com elas dentro da garrafa, daí o nome) e se come o melhor pastel de Belém dos muitos que provamos. De lá fomos a Alcobaça. Aí fica a maior igreja do país, o Mosteiro de Santa Maria, onde estão os túmulos de Pedro e Inês de Castro, casal que protagonizou uma das mais trágicas histórias de amor de Portugal. Seguimos para Nazaré, vila pesqueira onde degustamos um peixe fresquinho em mesa comunitária super divertida. Falava-se um pouco de italiano (jovens em lua de mel), um pouco de francês (casal idoso), um pouco de espanhol (cubano que mora em Miami), e, felizmente, o inglês, que todos ‘arranhavam’e propiciou que a comunicação fluísse. Em seguida Batalha, e por fim, Fátima, centro mundial de peregrinação desde que três pequenos pastores disseram ter visto a aparição da Virgem Maria, e onde é impossível não se emocionar, orar e agradecer as bênçãos recebidas ao longo da vida. &lt;br /&gt;Ceamos no restaurante do hotel e saímos antes da meia noite, levando champagne para a passagem do ano na Praça do Comércio: queima de fogos de artifício, show com cantores locais, projeções a laser, espetáculo que, fora o visual da orla da &lt;em&gt;Princesinha do Mar&lt;/em&gt;, nada ficou a dever ao nosso de Copacabana (devidamente registrado, para quem quiser conferir).&lt;br /&gt;Dia 1º de janeiro acordamos tarde, no maior silêncio, tentando espantar a preguiça. Continuamos a percorrer o roteiro sugerido: Castelo de São Jorge, erguido no topo de uma colina, Elevador Santa Justa (outra vista também deslumbrante), o tradicional café A Brasileira, e, após a clássica foto com a estátua de Fernando Pessoa, almoçamos no simples João do Grão, mais conhecido dos lisboetas do que por turistas (dica de uma amiga da terrinha). E &lt;em&gt;quando a gente não quer só comida&lt;/em&gt;, mas também arte, deve ir ao Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. As Igrejas da Sé (Catedral), a mais antiga, e a de Santo Antônio, o santo casamenteiro, são outros tesouros arquitetônicos que merecem ser apreciados. E ainda o Palácio de Queluz, o Versailles de Portugal, a apenas quinze quilômetros de Lisboa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho&lt;br /&gt;Pátria, eu semente que nasci do vento&lt;br /&gt;Eu que não vou e não venho, eu que permaneço&lt;br /&gt;Em contato com a dor do tempo, eu elemento&lt;br /&gt;De ligação entre a ação e o pensamento&lt;br /&gt;Eu fio invisível no espaço de todo adeus&lt;br /&gt;Eu, o sem Deus!&lt;br /&gt;(Vinicius de Moraes)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alugamos um carro para ir a &lt;strong&gt;Coimbra&lt;/strong&gt;, capital do país entre 1139 e 1256. Depois de nos instalarmos num antigo hotel às margens plácidas do rio Mondego, partimos para a Universidade, que data de 1290. Sua torre é o cartão-postal da cidade. Visitamos a Biblioteca Joanina (obra engendrada por ordem do Rei D. João V: três amplas salas decoradas com laca verde, vermelha e dourada) e a Capela de São Miguel, onde se destaca um imponente órgão barroco. Vimos a igreja chamada Sá Velha. &lt;br /&gt;Nessa noite, jantamos debaixo de forte chuva, no restaurante do Hotel Quinta das Lágrimas, uma boa experiência gastronômica. Palco de encontros do romance interditado de Pedro (herdeiro do trono português e filho de D. Afonso IV) e Inês (filha de Pedro Fernandes e Castro, da Espanha), ocupa uma área de dezoito hectares, com piscinas, campos de golfe, área de lazer e salões de jogos. Há árvores com mais de duzentos anos. Reza a lenda que Pedro condenou à morte os assassinos de sua amada com requintes de crueldade e mandou desenterrá-la para ser coroada rainha, numa cerimônia de beija-mão ao cadáver imposta a toda a corte da época. &lt;br /&gt;Vimos ainda a Igreja de Santa Clara, “a nova” e Portugal dos Pequeninos, onde estão reproduzidos em tamanho reduzido os mais famosos monumentos do país e de suas colônias. &lt;br /&gt;Se quiser adquirir a fina porcelana Vista Alegre, a fábrica fica a 50 quilômetros de Coimbra, com visita guiada mostrando a produção até o produto final (para quem não conhece, de excelente qualidade).&lt;br /&gt;E para os que se interessam por sítios arqueológicos, há um, Conimbriga, o mais bem preservado conjunto de vestígios romanos, com parte aberta ao público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões...&lt;br /&gt;A língua é minha pátria&lt;br /&gt;E eu não tenho pátria, tenho mátria&lt;br /&gt;E quero frátria&lt;br /&gt;(Caetano Veloso)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornamos a pegar a estrada, agora com destino ao Hotel Mercure Batalha, na praça do mesmo nome, no coração do &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;, com seu casario típico tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. O que recomendo? Coma, pra variar, um bacalhau, no Tripeiro. Descubra o centro antigo por meio de caminhadas. Suba, se for capaz, os duzentos e tantos degraus da Torre dos Clérigos, curta a paisagem e se seu ouvido suportar, ouça, às doze e às dezoito horas, a tempestade musical do repicar de quarenta e nove sinos. Visite a Catedral da Sé, a Igreja de São Francisco, o prédio da Bolsa. Vá a Praça da Liberdade e admire a escultura de D. Pedro IV, de Portugal, o nosso Pedro I. Desfrute do comércio da Rua das Flores. Flane pela rua Santa Catarina e tenha sorte de encontrar o Lourenço, onde provará o autêntico queijo Serra da Estrela. Almoce na região das Antas, em Portogalia (de preferência, uma galinha à cabidela), e faça uma degustação de vinho (do Porto, &lt;em&gt;of course&lt;/em&gt;!), em Vila Nova de Gaia, onde estão situadas várias caves. &lt;br /&gt;À noite, nos despedindo, fazendo pela primeira vez uma refeição no restaurante do hotel, nos surpreendemos com o requinte e o esmero no preparo, na apresentação dos pratos e com as sobremesas incríveis, até hoje me lembro de clarinhas de fão, um creme de gemas acompanhado de doce de abóbora. Se gostar da idéia, experimente.&lt;br /&gt;De Mercedes (o trivial, todos os táxis são dessa marca) rumamos para o Aeroporto: terminava aqui a temporada lusitana, Barcelona nos aguardava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-9196037017025018534?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/9196037017025018534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/e-quero-fratria.html#comment-form' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9196037017025018534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/9196037017025018534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2010/01/e-quero-fratria.html' title='E QUERO FRÁTRIA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/S0n2DhXtYaI/AAAAAAAAALQ/T30osC1XgYc/s72-c/P1020372.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7635886616653578266</id><published>2009-12-18T22:25:00.002-02:00</published><updated>2009-12-18T22:29:21.926-02:00</updated><title type='text'>BOAS FESTAS E UM FELIZ ANO NOVO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SyweJSv3izI/AAAAAAAAAKo/YIkgCz2K3WQ/s1600-h/cartao_2010.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 358px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SyweJSv3izI/AAAAAAAAAKo/YIkgCz2K3WQ/s400/cartao_2010.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416737596820130610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7635886616653578266?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7635886616653578266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/12/boas-festas-e-um-feliz-ano-novo.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7635886616653578266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7635886616653578266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/12/boas-festas-e-um-feliz-ano-novo.html' title='BOAS FESTAS E UM FELIZ ANO NOVO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SyweJSv3izI/AAAAAAAAAKo/YIkgCz2K3WQ/s72-c/cartao_2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7723145625993361433</id><published>2009-08-19T16:35:00.001-03:00</published><updated>2009-08-19T16:36:47.187-03:00</updated><title type='text'>Twittando</title><content type='html'>Ser-me-ia grato empregar toda a minha vida em viagens se alguém me pudesse emprestar uma segunda vida para passar em casa.&lt;br /&gt;William Hazlitt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7723145625993361433?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7723145625993361433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/08/twittando.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7723145625993361433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7723145625993361433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/08/twittando.html' title='Twittando'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-1965751294494885553</id><published>2009-08-08T00:40:00.002-03:00</published><updated>2009-08-08T00:47:27.780-03:00</updated><title type='text'>AGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Snz0J02kF8I/AAAAAAAAAKg/BFohINMGVGQ/s1600-h/Fotos+dia+dos+pais+005_menor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Snz0J02kF8I/AAAAAAAAAKg/BFohINMGVGQ/s320/Fotos+dia+dos+pais+005_menor.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367433305562290114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Morro alto, morro grande, me conte o teu padecer.&lt;br /&gt;– Pra baixo de mim, não olho; pra cima não posso ver...&lt;br /&gt;(Contracanção. Peça pseudofolclórica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Recado do Morro (Guimarães Rosa)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer ver a &lt;em&gt;view&lt;/em&gt;? Punha ele no colo e, em silêncio, ficávamos na varanda a apreciar o contorno do horizonte (a pedra da Gávea ao longe, o Cristo, bem perto, o Dona Marta, à meia-distância), a acompanhar o movimento da rua, dos prédios vizinhos, o vôo dos pardais de dia, ou, à noite, morcegos passando raspando. Parecia gostar de aspirar a fria brisa com cheiro de maresia que eriçava seu pelo. Aí então suspirava, estremecendo todo o corpinho, como se, só então, relaxasse. Viu? &lt;br /&gt;Às vezes, rastreava tudo ao redor, esboçando ganidos, olhar curioso, por longo tempo. Depois, virava-se pra mim, carinha e focinho de quem não está entendendo nada. Nem eu, querido, console-se. Não me encare de forma interrogativa. Pergunte aos morros qual o recado, quem sabe algum responde?&lt;br /&gt;Noutras, dava uma geral e já desistia, enterrava a cabeça no meu peito pedindo proteção, recusando-se a ver a cena, parecia ter fobia de altura. Como censurá-lo, diante da atual estatura dos fatos, do nosso fado, dessa maldita sina?&lt;br /&gt;De volta ao chão, as patinhas no vidro, era capaz de ali ficar horas (embora conferindo, de quando em quando, a minha presença), enquanto eu lia paisagens que alguém descrevera, abismos inventados que provocam reais tonteiras, fingidas dores que deveras sentimos, um corpo de baile conhecido apenas na hora do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pecocinho, baiguinha&lt;/em&gt;: mal ouvia esse tatibitate canto soletrado, logo se deitava de costas, desarmado, dengoso, pra ganhar carinho. Ainda bebê, inventamos outra brincadeira: "A pulguinha vinha". Com o dedo médio e o indicador, simulava uma caminhada no chão. Ele corria a mordiscar o que teria ali, escondido. Nada. Nunca se tem nada, breve aprenderíamos. Tudo ilusão.&lt;br /&gt;À medida que crescia, o reflexo e a força da resposta aumentavam. A pulguinha... Ele, rápido, me alcançava.  A pulg... Mordia pra valer. Essa pulguinha não pode mais passear em paz, que você ataca, Ago!  Seus afiados dentes começavam a machucar, a me ferir. Ai, doeu! Ele diminuía a intensidade da mordida no ato. Lambia, lambia (sua forma de beijar, se desculpando). Eu ria, e ele, em um segundo, reavaliava a situação e, imediatamente, voltava a brincar.&lt;br /&gt;Maltês nascido branco carneirinho, manchas marron-sangue-pisado surgiram e começaram a se alastrar, debaixo dos olhos. O veterinário sentenciou: lágrimas ácidas, o nome do fenômeno. Claro, fosse a vida doce, nossas lágrimas também seriam. Do muito chorar (além do pouco dormir), grandes olheiras escuras me apareceram. Onde andará meu &lt;em&gt;minino-galoto&lt;/em&gt;? Que admirável mundo novo estará vendo, agora, da janela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-1965751294494885553?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/1965751294494885553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/08/ago.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1965751294494885553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1965751294494885553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/08/ago.html' title='AGO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Snz0J02kF8I/AAAAAAAAAKg/BFohINMGVGQ/s72-c/Fotos+dia+dos+pais+005_menor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-1553406350383913975</id><published>2009-07-30T22:21:00.004-03:00</published><updated>2009-07-30T22:33:56.895-03:00</updated><title type='text'>JUSTINE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SnJI-XpSCTI/AAAAAAAAAKY/oYAJi2k1iJ4/s1600-h/Anivers%C3%A1rio+Andrea+2006+009.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SnJI-XpSCTI/AAAAAAAAAKY/oYAJi2k1iJ4/s200/Anivers%C3%A1rio+Andrea+2006+009.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364430342487935282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUSTINE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela cadela &lt;em&gt;era o cão &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quem ela pensava que era, uma dama? &lt;br /&gt;Subia na minha cama como se fosse dona. Nunca uma cortesã&lt;br /&gt;Mais parecia uma gata que sabe de seus direitos e a todos encanta, no salão&lt;br /&gt;Olhava-me como se soubesse quem sou: o que será que ela via? &lt;br /&gt;Obedecia-me. Eu era o patrão, ela a manda-chuva&lt;br /&gt;Nos dias de sol: raios e trovoadas, ela só aprontando&lt;br /&gt;Corria sobre o canteiro de rosas: um estrago e tanto &lt;br /&gt;Subia no varal: pegadas por toda a roupa. Deixava a empregada louca&lt;br /&gt;Mas era só eu falar &lt;em&gt;chega, acabou&lt;/em&gt;, e ela ficava quietinha&lt;br /&gt;Às vezes saltava sobre mim, latindo feito fera&lt;br /&gt;Tomava meu pulso entre os dentes, pura ameaça, todo mundo olhando &lt;br /&gt;Não era nada, uma palavra minha e acabou a brincadeira &lt;br /&gt;E quando eu saía? Gemia, era patético, porque quase humano. Via-se que sofria &lt;br /&gt;O focinho tremia, pequenos ganidos produzia, quase fonemas&lt;br /&gt;Pode-se dizer que ela tinha a linguagem, ao menos os esforços para expressá-la &lt;br /&gt;Mesmo que só nas horas de intensidade emocional&lt;br /&gt;(sua vantagem sobre certos humanos: não falava o tempo todo, à toa)&lt;br /&gt;Ao lado da mesa ficava, sempre, à espera de migalhas, restos da refeição&lt;br /&gt;Não que estivesse faminta, tinha a sua ração&lt;br /&gt;Para se sentir parte da família, em comunhão &lt;br /&gt;Um dia a perdi. Ganhei um luto que jamais tirei, por dentro&lt;br /&gt;Vista azul, amarelo ou branco&lt;br /&gt;É sempre preto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-1553406350383913975?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/1553406350383913975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/justine.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1553406350383913975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/1553406350383913975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/justine.html' title='JUSTINE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SnJI-XpSCTI/AAAAAAAAAKY/oYAJi2k1iJ4/s72-c/Anivers%C3%A1rio+Andrea+2006+009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7322650019287425049</id><published>2009-07-25T21:40:00.003-03:00</published><updated>2009-07-25T23:32:40.885-03:00</updated><title type='text'>A QUEDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SmumW13o-OI/AAAAAAAAAKI/tQrFAjBhnKQ/s1600-h/1194038_falling_dog.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 149px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362562692662491362" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SmumW13o-OI/AAAAAAAAAKI/tQrFAjBhnKQ/s200/1194038_falling_dog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De Lúcifer à maçã de Newton&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo cai&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas também se levanta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a ressurreição é líquida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e certa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(não fosse a vida um &lt;em&gt;riverrum&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;circularidade é a regra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;morte e despertar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;fin&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;wake:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;em filhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;árvores&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e livros&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que foi um dia &lt;/div&gt;&lt;div&gt;é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;real e sonho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;real é o sonho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ana Guimarães&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7322650019287425049?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7322650019287425049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/queda.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7322650019287425049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7322650019287425049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/queda.html' title='A QUEDA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SmumW13o-OI/AAAAAAAAAKI/tQrFAjBhnKQ/s72-c/1194038_falling_dog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-6900563288678105279</id><published>2009-07-12T09:48:00.003-03:00</published><updated>2009-07-12T10:13:22.057-03:00</updated><title type='text'>AMOR À LÍNGUA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Slng9f_INXI/AAAAAAAAAIw/sTdbQKliE-4/s1600-h/1023628_dialog_bubble.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357560578896835954" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Slng9f_INXI/AAAAAAAAAIw/sTdbQKliE-4/s200/1023628_dialog_bubble.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu a amo tanto que&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes, me espanto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fico muda, de respeito&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como a verdade&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela jamais se desnuda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;toda&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com agulhas de dor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e fios de ausência&lt;/div&gt;&lt;div&gt;teço seu enxoval&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;embora não seja parteira (e sim curiosa)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cuido que renasça &lt;/div&gt;&lt;div&gt;sempre&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;parto a palavra e embarco&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem medo de que alguém (ela ou eu)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;seja náufrago, vá à pique&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque partida, ela é mais inteira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;escrita, mais próxima da falha do que falada&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vazia, plena de possíveis sentidos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;solta, prende e apreende melhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a coisa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nessa alquimia verbal &lt;/div&gt;&lt;div&gt;não procuro nem acho, transmuto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;abro caminhos &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e invento meu ponto de estofo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;gozo inter-dito&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ana Guimarães&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-6900563288678105279?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/6900563288678105279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/amor-lingua.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6900563288678105279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6900563288678105279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/amor-lingua.html' title='AMOR À LÍNGUA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Slng9f_INXI/AAAAAAAAAIw/sTdbQKliE-4/s72-c/1023628_dialog_bubble.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3478648186081297900</id><published>2009-07-06T15:37:00.004-03:00</published><updated>2010-04-20T23:35:18.536-03:00</updated><title type='text'>CRÔNICAS DE VIAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SlJGZHksGGI/AAAAAAAAAIo/JAJMiyGbHl0/s1600-h/P1010195.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355420304240547938" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SlJGZHksGGI/AAAAAAAAAIo/JAJMiyGbHl0/s200/P1010195.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 150px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho a grata satisfação de comunicar que minhas recentes crônicas de viagem intituladas Europa, Primavera 2009, saíram - todas! - publicadas no novo número da Germina revista de literatura e arte, vejam aqui:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;http://germinaliteratura.com.br/2009/cronica_jun2009_anaguimaraes.htm&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3478648186081297900?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3478648186081297900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/cronicas-de-viagem.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3478648186081297900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3478648186081297900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/cronicas-de-viagem.html' title='CRÔNICAS DE VIAGEM'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SlJGZHksGGI/AAAAAAAAAIo/JAJMiyGbHl0/s72-c/P1010195.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8206458043283836892</id><published>2009-07-01T15:16:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T15:24:19.080-03:00</updated><title type='text'>LITERATURA-SERTÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Skupmi6E9NI/AAAAAAAAAIY/EO_YF6Im-HQ/s1600-h/im1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353559061730489554" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Skupmi6E9NI/AAAAAAAAAIY/EO_YF6Im-HQ/s320/im1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É com imenso prazer que comunico minha estréia na Revista Diversos Afins, com o texto LITERATURA-SERTÃO:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://diversos-afins.blogspot.com/"&gt;http://diversos-afins.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8206458043283836892?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8206458043283836892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/literatura-sertao_01.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8206458043283836892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8206458043283836892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/07/literatura-sertao_01.html' title='LITERATURA-SERTÃO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Skupmi6E9NI/AAAAAAAAAIY/EO_YF6Im-HQ/s72-c/im1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8777742197899613966</id><published>2009-06-28T16:37:00.000-03:00</published><updated>2009-06-28T17:13:23.596-03:00</updated><title type='text'>BESTIÁRIO - A BESTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SkfHl9lXVjI/AAAAAAAAAII/uaEHNvMTsDM/s1600-h/305937_mule.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352466137153492530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SkfHl9lXVjI/AAAAAAAAAII/uaEHNvMTsDM/s320/305937_mule.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O homem solitário é uma besta (Aristóteles)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Trata-se de um quadrúpede híbrido de jumento com égua ou de cavalo com jumenta. Ao contrário do que se imagina não é estéril, pois o que mais se observa, na atualidade, é que se reproduzem como nunca. Diga-me com que besta andas e dir-te-ei em que besta te tornarás, pois bestas fatalmente bestificam os amigos.&lt;br /&gt;Sua sexualidade é bestial, grosseira, repugnante, degradada e degradante para os pobres dos animais com os quais pratica atos libidinosos. Obesa, aumenta seu perímetro de bestice: vira besta quadrada.&lt;br /&gt;Além de estúpida e grosseira, toda besta que se preza é pretensiosa, soberba, pedante e arrogante, nenhuma rendilha parece subjugá-la. Alguns artistas parecem se encaixar nessa categoria, tamanho o ego.&lt;br /&gt;A lenda da besta fera, muito comum no Brasil rural, diz que ela é a mais terrível das criaturas, um ser fantástico, metade homem, metade cavalo (sagitarianos, como eu, tomem cuidado, mais cedo ou mais tarde nela podem se metamorfosear).&lt;br /&gt;Uma besta de carga só faz besteira: leva malas contendo dinheiro público ilegal, transporta dólares na cueca, saquinhos de droga no estômago ou explosivos amarrados ao corpo. Às vezes troca o nome – e até a categoria gramatical – para &lt;em&gt;laranja&lt;/em&gt;. Noutras, transmuta-se em carro – se é que aquilo é um carro – usado como transporte público ilegal, comercializado de uma classe de bestas para outra que não se importa de viajar sem um mínimo de segurança.&lt;br /&gt;Na política, costuma ter a faculdade da bestialogia, ou seja, proferir discursos asneirentos, disparatados, sem pé nem cabeça.&lt;br /&gt;Adoram vestir uniformes: militar e religioso (os dois pilares do mundo, os dois podres poderes) são os campos de atuação, por excelência, das bestas. Sob a égide de qualquer instituição chegam ao paroxismo do radicalismo e da intolerância.&lt;br /&gt;Antigamente, disparavam flechas. Hoje em dia, disparam balas perdidas. Ou pitbuls. Se gladiador, chamava-se bestiário, lutando no circo com as feras, todas, certamente, belas e menos selvagens que ele.&lt;br /&gt;Quando de nacionalidade portuguesa vivem numa parte da Serra do Caramulo, a Serra dos Besteiros (ah, ah, te peguei, leitor! Pensavas, preconceituosamente, que eu ia escrever algo politicamente incorreto? &lt;em&gt;Nem morta&lt;/em&gt;, até porque amo, respeito e admiro os portugueses, de quem, aliás, descendo).&lt;br /&gt;No texto Apocalipse, da &lt;em&gt;Bíblia&lt;/em&gt;, é um representante do dragão que, por sua vez, seria uma metáfora para satanás. Numa outra leitura é reconhecida como sendo o falso profeta, aquele que convoca todos a adorar aquela primeira besta, a viver a serviço dela.&lt;br /&gt;Seus músculos cardíacos também não são utilizados tanto quanto sua massa cinzenta: nem coração, nem mente. Certas paixões humanizariam esse animal, mas ele não quer saber,  foge das emoções como o diabo da cruz, bestificando-se através de drogas estupefacientes. Vira sombra humana deformada, mera caricatura. Zumbi. Morto-vivo.&lt;br /&gt;O número da besta, pra quem deseja jogar, é 666.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ê vida besta!,&lt;/em&gt; como diria o Drummond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8777742197899613966?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8777742197899613966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/bestiario-besta.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8777742197899613966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8777742197899613966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/bestiario-besta.html' title='BESTIÁRIO - A BESTA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SkfHl9lXVjI/AAAAAAAAAII/uaEHNvMTsDM/s72-c/305937_mule.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3192918170783789963</id><published>2009-06-21T09:00:00.000-03:00</published><updated>2009-06-21T09:26:37.453-03:00</updated><title type='text'>LÁGRIMAS e À DERIVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sj4mezjyE2I/AAAAAAAAAGg/Wdjr_v98OFs/s1600-h/515115_stockin_around_rose.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349755718040949602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sj4mezjyE2I/AAAAAAAAAGg/Wdjr_v98OFs/s320/515115_stockin_around_rose.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;LÁGRIMAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro mais de você&lt;br /&gt;de sua figura&lt;br /&gt;de seu rosto&lt;br /&gt;só das suas lágrimas&lt;br /&gt;profusas&lt;br /&gt;banhando-o inteiro&lt;br /&gt;tanto&lt;br /&gt;que o pranto dissolveu&lt;br /&gt;seus traços&lt;br /&gt;seu cheiro&lt;br /&gt;só não lavou minha alma&lt;br /&gt;que&lt;br /&gt;encharcada de ti&lt;br /&gt;permanece&lt;br /&gt;(como roupa molhada&lt;br /&gt;sem sol)&lt;br /&gt;e não esquece&lt;br /&gt;Tentei vestir&lt;br /&gt;outras sombras&lt;br /&gt;outras vestes&lt;br /&gt;mas nada tem o seu caimento&lt;br /&gt;e sigo nua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;3º lugar no 1º Concurso de Poesias da Nova Literatura, realizado em abril de 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.novaliteratura.com/visualizar.php?idt=1562452"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.novaliteratura.com/visualizar.php?idt=1562452&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;À DERIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas tardes aveludadas de inverno&lt;br /&gt;(sua estação preferida)&lt;br /&gt;em águas luxuosas&lt;br /&gt;onde a devassidão reina&lt;br /&gt;você é leito que flutua&lt;br /&gt;desancorado, à deriva&lt;br /&gt;em confesso eretismo permanente&lt;br /&gt;o desejo sempre roçando o interdito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse cenário, sem destino&lt;br /&gt;mais trilha, picada, que caminho&lt;br /&gt;o amor é máquina de tortura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;2º lugar no 2º Concurso de Poesias da Nova literatura, realizado em maio de 2009 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.novaliteratura.com/visualizar.php?idt=1602448"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.novaliteratura.com/visualizar.php?idt=1602448&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3192918170783789963?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3192918170783789963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/lagrimas-e-deriva.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3192918170783789963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3192918170783789963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/lagrimas-e-deriva.html' title='LÁGRIMAS e À DERIVA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sj4mezjyE2I/AAAAAAAAAGg/Wdjr_v98OFs/s72-c/515115_stockin_around_rose.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-7725717384604652416</id><published>2009-06-16T21:22:00.000-03:00</published><updated>2009-06-16T22:27:08.809-03:00</updated><title type='text'>BLOOMSDAY IN DUBLIN</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sjg5UGdHenI/AAAAAAAAAGU/4Q8InwygV3g/s1600-h/Fotos+Viagem+Europa+2005+025.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348087574995368562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sjg5UGdHenI/AAAAAAAAAGU/4Q8InwygV3g/s320/Fotos+Viagem+Europa+2005+025.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O canto das gaivotas é ouvido do meu quarto, no hotel Blooms. Na verdade, por toda a parte. De qualquer ponto da cidade – estou em Dublin, assim nomeada porque a atravessa o Dubbh Linn (Lago Escuro, em irlandês), o rio Liffey, com suas águas escuras – posso vê-las fazendo acrobacias no céu, bem baixinho, num bailado circular cuja coreografia lembra os movimentos do marinheiro que Joyce pareceu ser a Nora, no &lt;em&gt;seu deles&lt;/em&gt; primeiro encontro: aquele que vem e vai, que parte (e reparte, e fica com a melhor parte, pois tem arte), mas está sempre voltando. Ou volta, embora sempre partindo. Como a gente, à procura de terra firme, de um porto seguro, de uma calmaria ao menos, mesmo que quando com ela nos deparamos, assusta: prenúncio de tempestade.&lt;br /&gt;Dezesseis de junho de dois mil e cinco. Do primeiro &lt;em&gt;Bloomsday&lt;/em&gt; a gente nunca esquece. Existirão outros? Duvido, só mesmo as asas de um simpósio Joyce/Lacan para aqui me transportarem, que maravilha o Dublin Castle onde ele se realiza!&lt;br /&gt;Percorro, passo a passo, os lugares mencionados nas andanças de Bloom naquele distante 1904, retratadas no &lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;. Começo pelo banho de mar na minúscula praia (uma faixa de areia, na verdade) mais rochosa que do que qualquer outra coisa, de Sandycove Martello Tower, cheia de banhistas que se trocam à vontade, seus brancos bundões e melões de fora.&lt;br /&gt;Adentro o museu JJ aí instalado e, depois de ver documentos, objetos pessoais, fotografias, primeiras edições dos livros, uma réplica de sua máscara mortuária, souvenires de todos os tipos, subo a estreita escada de pedra em caracol. Meus olhos lacrimejam, meu nariz funga, não só pelo pó que em tudo se deposita: deparo-me com o quarto onde Joyce viveu, ainda que por um breve período de tempo: a cama, a estátua de uma &lt;em&gt;black panter&lt;/em&gt;, parece que estou vendo a famosa cena descrita no primeiro capítulo. Mais uns degraus e, no topo, uma estonteante vista da baía se abre em 360 graus. Para não sucumbir à emoção, utilizo-me desse artifício de afastamento e proteção contra a realidade: a câmera fotográfica.&lt;br /&gt;A celebração continua como um festival, dizem-me. Toda a cidade é festa. Leituras e performances me esperam em cada esquina.&lt;br /&gt;No JJ Centre mais taquicardia: uma belíssima casa do século XVIII abriga suas obras nas mais diversas línguas, e uma mostra de sua vida em vídeo, para aficionados que enchem a sala de silêncio e reverência. Eu, sempre tagarela, me calo também.&lt;br /&gt;Na National Library uma exibição, com tecnologia multimídia interativa, de desenhos e manuscritos do escritor, ainda desconhecidos e recém-adquiridos (2002).&lt;br /&gt;Uma visita guiada ao Clongowes Wood College, a escola jesuíta na qual ele estudou de 1888 a 1891, revela recantos onde aconteceram os conhecidos episódios do autobiográfico &lt;em&gt;Retrato&lt;/em&gt;, com &lt;em&gt;Stephen Dedalus&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Constatar que Joyce nunca será esquecido, ao contrário, para sempre lembrado, discutido, amado, não só por universitários que dele se ocuparão por séculos e séculos como ele próprio queria é um gozo extra: sua estátua quase na esquina de Earl Street North com O’Connell vive rodeada de irreverentes admiradores.&lt;br /&gt;Fecho o dia (só escurece por volta de dez, dez e meia da noite) tomando uma Guiness no Davy Byrnes, o bar freqüentado por Joyce, lotado dentro e fora, mais parecendo o &lt;em&gt;nosso baixo Gávea&lt;/em&gt;, aqui do Rio, com faceiras e corajosas moças usando chapéus &lt;em&gt;a la Molly Bloom&lt;/em&gt;, em sua homenagem.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Trocando escuridão por luz&lt;/em&gt; é o título da exposição do &lt;em&gt;Book of Kells&lt;/em&gt;, na Trinity College Library Dublin, um relato dos evangelhos criados pelos monges irlandeses do século IX, fartamente consultado por Joyce quando ainda muito jovem. Pudera. Aí vai um trecho que explica o porque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pángur Bán&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Solemos yo y Pángur Bán, mi gato,&lt;br /&gt;en lo mismo los dos pasar el rato:&lt;br /&gt;cazar ratones es su diversión,&lt;br /&gt;cazar más bien palabras mi passión.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es preferible a todo aplauso humano&lt;br /&gt;sentarse con papel y pluma en mano;&lt;br /&gt;y Pángur no me mira con rencor,&lt;br /&gt;siendo él también sencillo cazador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frecuentemente, um ratoncillo errante&lt;br /&gt;cruza el camino de mi gato andante;&lt;br /&gt;alguna idea más, frecuentemente,&lt;br /&gt;coge en sus redes mi afilada mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vigila el muro con sus ojos vivos,&lt;br /&gt;redondos, maliciosos, agresivos;&lt;br /&gt;escudriñando el muro del saber,&lt;br /&gt;mi poca comprensión busco extender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia tras dias, a Pángur su ejercicio&lt;br /&gt;lo ha hecho ya perfecto en el oficio;&lt;br /&gt;yo noche y dia alcanzo más verdad,&lt;br /&gt;trocando en clara luz la oscuridad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Escrito en el siglo IX por un monje irlandes en St. Gallen, Suiza)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Pángur Ban&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I and Pangur Bán my cat&lt;br /&gt;`Tis a like task we are at:&lt;br /&gt;Hunting mice is his delight,&lt;br /&gt;Hunting words I sit all night.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Better far than praise of men&lt;br /&gt;`This to sit with book and pen;&lt;br /&gt;Pangur bears me no ill will&lt;br /&gt;He too plies his simple skill&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oftentimes a mouse will stray&lt;br /&gt;In the hero Pangur`s way;&lt;br /&gt;Oftentimes my keen thought set&lt;br /&gt;Takes a meaning in its net.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;`Gainst the wall he sets his eye&lt;br /&gt;Full and fierce and sharp and sly;&lt;br /&gt;`Gainst the wall of knowledge I&lt;br /&gt;All my little wisdom try.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Practice every day has made&lt;br /&gt;Pangur perfect in his trade;&lt;br /&gt;I get wisdom day and night&lt;br /&gt;Turning darkness into light&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Written by a ninth-century Irish monk in St Gallen, Switzerland)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ana Guimarães &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-7725717384604652416?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/7725717384604652416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/bloomsday-in-dublin.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7725717384604652416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/7725717384604652416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/bloomsday-in-dublin.html' title='BLOOMSDAY IN DUBLIN'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sjg5UGdHenI/AAAAAAAAAGU/4Q8InwygV3g/s72-c/Fotos+Viagem+Europa+2005+025.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-786324735046991332</id><published>2009-06-11T00:13:00.000-03:00</published><updated>2009-06-11T00:29:28.477-03:00</updated><title type='text'>DESCAMINHOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SjB6Clu-nEI/AAAAAAAAAGM/xKNvoB_cEoo/s1600-h/1149303_water_reflections.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345906942596258882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SjB6Clu-nEI/AAAAAAAAAGM/xKNvoB_cEoo/s320/1149303_water_reflections.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;... O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa... Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que João sorria&lt;br /&gt;se lhe perguntavam&lt;br /&gt;que mistério é esse?&lt;br /&gt;E propondo desenhos figurava&lt;br /&gt;menos a resposta que&lt;br /&gt;outra questão ao perguntante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Drummond, 1967, três dias após a morte de João Guimarães Rosa)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não os conduziria por caminho algum que não fosse o do desejo e sua relação com a linguagem, é o único peixe que tenho para lhes vender. O saber é mera suposição que não se sustenta, o que não impede que avancemos um pouco em nossas questões. Inicio com uma de nebuloso semblante, já que a ficção – como o sonho – é tecida no inconsciente, esse bastidor da criação: Para quem o escritor escreve? Ele sabe do que se trata, desde o início? No fim, ao menos? Ou tudo o que ele tem em mente é que não pretende corresponder a expectativas, está se lixando para demandas, despreza aquela afirmação segundo a qual a leitura, para despertar interesse, tem que ser lúdica e prazerosa? (Os interesses do escritor e o do leitor jamais são os mesmos e se ocasionalmente chegam a coincidir, trata-se de mero acaso - W. H. Auden). E ainda, que está disposto a encarar a força da dissociação a que está submetido. Não se deve confundir, no entanto, ignorância primária com ausência de conhecimento, o que há é uma paixão de ser, a prevalência do (ainda) não articulado. Suas pegadas (sua “assinatura”) dirão mais dele do que ele próprio é capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São íntimas as relações entre produção e endereçamento. Ambos estão no mesmo lugar; este último, o destinatário, é quem alavanca a primeira, no entanto, só podemos deduzi-lo pelos efeitos que provoca. Imprevisíveis, por sinal, mas bem melhores do que os colaterais de certos remédios que tomamos. Um escrito é o enlace de algo até então desatado, mudo. Representa a admirável ação do ser sobre si mesmo (Cortázar), a salvação de uma experiência perdida (Benjamim), para ser compartilhada, acrescenta Borges: seremos parte de um discurso que nos escreve enquanto pensamos redigi-lo? Associei ao seu &lt;em&gt;O Livro de Areia&lt;/em&gt;, no qual o número de folhas é infinito, nenhuma é a primeira, nenhuma a última: apenas janelas que se abrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível hierarquizar as literaturas? Estabelecer valores sem cometer injustiças? Existem critérios únicos ou determinados? Um selo de garantia pode ser dado por uma minoria abalizada ou seria melhor assumir que &lt;em&gt;não se tem pares, só se tem ímpares quando se é escritor&lt;/em&gt;? Fundamentar-se numa alteridade que dê mais consistência porque heterogênea? O que designaria, afinal, uma obra de arte? Tem pregnância visual a excelência de um texto? Já vai longe a época em que sua definição seria “poder sustentar encantamento”? As soluções estéticas teriam se esgotado, substituídas pela est’ética do bem-dizer? (Que, ao contrário do que parece, subsume o enfrentamento do não senso, do paradoxo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando &lt;em&gt;Alice&lt;/em&gt; (de Carroll), vendo uma mesa tão grande, posta para tantas pessoas, quer saber se a razão disto é porque é sempre hora do chá, o &lt;em&gt;Chapeleiro &lt;/em&gt;responde: Sim, nós não temos tempo para lavar a louça nos intervalos (que, logicamente, não existem). E ela conclui: “Vocês vão mudando de lugar, eu suponho... Mas o que acontece quando vocês começam tudo de novo?” Então a &lt;em&gt;Lebre de Março&lt;/em&gt; se intromete e diz: &lt;em&gt;Suppose we change the subject&lt;/em&gt; (“suponha que nós trocamos o sujeito” e “mudemos de assunto, estou cheia desse chá maluco!”). Como se vê, atribui-se qualidade artística a um texto se ele se serve da língua para significar algo diferente do que ela habitualmente diz, não nos deixa aprisionados num comunicado qualquer, se ele não só aceita diversas leituras, mas resulta da intenção deliberada do autor que assim seja – isso é sabido e notório, &lt;em&gt;página menos cinco&lt;/em&gt;, nunca &lt;em&gt;démodé&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade de permitir sua releitura, sua reconstrução – parâmetro de peso – envolve, indiretamente, o conceito de morte do autor, entendido como pai, proprietário e guardião do sentido do texto, escondido, sempre a ser decifrado. Acontece que entre os romanos, auctor era aquele que aumentava o território: o general vencedor. A fonte da palavra já desfaz a premissa da originalidade na escrita: não passamos de involuntários “&lt;em&gt;cut-upeiros&lt;/em&gt;”, só fazemos anexar escritos que conquistamos. Por isso Foucault nem teria, propriamente, discordado de Barthes: não morre porque nunca existiu, chega desse idealismo da criação individual a partir do nada. Resultando daí a mudança da idéia, referida agora como destruição de toda voz, procedência e identidade, restando a linguagem vista como potência, aquela que &lt;em&gt;fica de pé&lt;/em&gt; sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa constatação não exclui o reconhecimento da passagem do autor por um texto, não mais senhor absoluto, ausenta-se de fato, mas &lt;em&gt;s’obra&lt;/em&gt; (obrou, se obrou e finalmente sobrou), deixa marcas de um trabalho, institui-se como agente de um discurso. Se não há intenção de comunicar nada, também não há recusa de fazê-lo. Mito do espaço do autor ultrapassado, chegamos à outra ponta: o leitor. Seria ingenuidade e um erro considerá-lo &lt;em&gt;tabula rasa&lt;/em&gt;: ninguém lê sem recordar, sem associar, sem transpor sua experiência para a leitura. É preciso que se dê alforria às letras, devolvê-las ao seu devir: de onde vieram, para onde vão: isso é problema delas. Aceitar o &lt;em&gt;riverrun&lt;/em&gt;. Um texto, depois que nos abandona (a gente é que pensa que se livra dele) começa a azucrinar os outros, seus leitores. Mas o que milhões de sedentos estariam procurando? ... Aquilo que revela e ao mesmo tempo redime a desolação da vida ordinária (Henry James). Cazuzeando: um veneno antimonotonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto já publicado no site Cronópios: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1198"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1198&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-786324735046991332?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/786324735046991332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/descaminhos.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/786324735046991332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/786324735046991332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/descaminhos.html' title='DESCAMINHOS'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SjB6Clu-nEI/AAAAAAAAAGM/xKNvoB_cEoo/s72-c/1149303_water_reflections.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8487426484540398999</id><published>2009-06-07T11:13:00.000-03:00</published><updated>2009-06-07T17:32:11.388-03:00</updated><title type='text'>LIBERDADE, LIBERDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SivOhlZhnbI/AAAAAAAAAGE/I_4RZb6hGuI/s1600-h/1177369_monarch_butterflies.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344592459175402930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SivOhlZhnbI/AAAAAAAAAGE/I_4RZb6hGuI/s320/1177369_monarch_butterflies.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;De que amanhã se trata? (Victor Hugo)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;De três feridas narcísicas padecemos. Primeiro tivemos que reconhecer, graças a Copérnico, que a Terra não é o centro do universo. Depois veio Darwin, com a revelação: descendemos dos macacos. A terceira devemos a Freud e sua descoberta do inconsciente: não somos amos e senhores em nossa própria casa. Agora, um quarto golpe parece ter se abatido sobre a humanidade, especialmente sobre aqueles que fazem arte e literatura, deixando alguns senão desiludidos, perplexos, pois segundo um pensamento já dominante todos somos artistas e escritores se assim nos denominarmos: autorizamo-nos por nós mesmos, não mais dependemos de critérios canônicos pré-estabelecidos para definir nossas produções. &lt;em&gt;Se as Brillo Boxes de Warhol eram arte, e as caixas normais de palha de aço não, meros objetos utilitários, qualquer coisa poderia ser arte, não haveria nenhum modo especial de ser da obra de arte,&lt;/em&gt; concluiu, em entrevista à Folha, Arthur C. Danto, filósofo, crítico de arte. E à pergunta de Giovanna Bartucci (psicanalista, ensaísta) Literatura com ele maiúsculo ou com ele minúsculo? Silviano Santiago, assim respondeu: As duas, ou as três ou as cinco manifestações de literatura, porque há que levar em conta também os produtos artesanais, os da Internet e as mercadorias da grande indústria editorial. Vivemos uma época de inclusão e não de exclusão... Finalmente o leque das possibilidades literárias foi aberto... Sua adjetivação (feminino, gay, étnico) coloca contra a parede a instituição ocidental conhecida como Literatura, que sempre teve pretensões universalistas, etnocêntricas e falocêntricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No princípio era o verbo. Nonada&lt;/em&gt;. Não há nada que não seja linguagem. Não nos servimos dela, só existimos através dela, e em seu cárcere somos prisioneiros. Vozes dos outros nos habitam desde sempre. É possível ignorá-las, refutá-las, rebatê-las? Delas desviar, depois de devidamente digeridas, cuspido seu bagaço, com ele construído uma singularidade? Ser mais do que uma câmara de ecos? Ator ao invés de simples reator de energia poética? Se estamos vivendo um desbloqueio da noção de literatura (como Santiago disse em &lt;em&gt;A boa literatura&lt;/em&gt; &lt;em&gt;incomoda&lt;/em&gt;) tanto que se fala mais em produção textual, também é certo que isso levanta um problema, o da qualidade (e enfatizá-la significa dar mais importância ao leitor do que ao consumidor): como reconhecê-la? Precisaríamos de um distanciamento histórico – que já se mostrou tantas vezes falho – para fazê-lo? Quem estaria apto para identificá-la? Os críticos? Os teóricos? Os professores? Tarimbados escritores de outras gerações? (Ezra Pound dizia que um poeta mais velho não devia opinar sobre os trabalhos dos jovens porque tenderia a gostar dos que são mais parecidos com os seus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mais limites para o texto literário? Urge uma reflexão sobre o seu estatuto na atualidade? E qual o seu futuro? A herança, é possível desprezá-la? A literatura encontrar-se-ia em estado de crepúsculo? De desconstrução, como postulou Derrrida, desenvolvendo (a partir da célebre frase de Victor Hugo citada no início) o conceito de herança como escolha, filtragem, interpretação? Não como algo que se recebe pronto e acabado, e sim com brechas onde se pode &lt;em&gt;batalhar &lt;/em&gt;e desfazer os chamados momentos dogmáticos dos escritos anteriores. Tudo o que um verdadeiro mestre quer não é que o discípulo deixe de ser discípulo, o ultrapasse, o renegue, o esqueça? Aliás, &lt;em&gt;até o mestre, de tempos em tempos tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas? &lt;/em&gt;(Assim falou Zaratrusta) Também não se trata de dizer o que ainda não foi dito, é pouco, talvez uma bobagem que vínhamos repetindo, visto que a verdade não é um fruto que se encontra em algum lugar só esperando para ser colhido; ela é, como o sujeito, um efeito do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta “o que é literatura?” é feita para se efetivar, a cada instante, uma resposta diferente. Escrever é produzir onde tudo apontava para uma impossibilidade; é não desistir, é insistir, ousar. Encarar, corajosamente, o que os gregos chamavam de borboletas (&lt;em&gt;psyché&lt;/em&gt;) e MD Magno (psicanalista, doutor em letras) cunhou como &lt;em&gt;borboletras&lt;/em&gt;, aquilo que bate asas, às vezes não tão graciosamente, dentro da cabeça. Mudar fronteiras de lugar (entre a loucura e a sensatez): pra cima e pra baixo bordando a terceira margem do rio, seja na forma ou no conteúdo do texto. &lt;em&gt;Equi-vocar&lt;/em&gt;, chamar igualmente os opostos – aí é o espaço, por excelência, da criação, sempre visitado por Machado de Assis, por exemplo, (explicitamente, em &lt;em&gt;O Alienista&lt;/em&gt;), por Octavio da Paz: &lt;em&gt;Tristeza de ter vindo/alegria de estar aqui&lt;/em&gt;, bem lembrado por Carlito de Azevedo no seu artigo &lt;em&gt;Dia da Poesia&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;num minuto a poesia me devolvia a alegria, e o melhor, sem me roubar a tristeza. Num minuto eu podia ser a mosca e a aranha na teia ao mesmo tempo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inevitável mal-estar na civilização, percebido de modo errôneo como um vazio a ser preenchido, leva a adições, drogas literárias de auto-ajuda, essas que grassam nas livrarias, com uma demanda absurda: ao sistema interessa &lt;em&gt;reabilitar&lt;/em&gt; o indivíduo para que ele, engrenagem, volte a mover a roda do espetáculo. Mas existem outras. Literaturas, digo. Aposto na que preserve a liberdade do leitor e não o deixe esperando do outro, neuroticamente, a “solução”. Difícil, porém, competir com aquela que apazigua, que anestesia, que não traz horror algum. &lt;em&gt;O melhor, os bons livros estão no limbo, na obscuridade... Não são populares e nem estão atingindo o mercado (&lt;/em&gt;Santiago, ainda). Prefiro os polêmicos, os que dão mau exemplo, os que não impingem nenhuma ortopedia social, como dizia Foucault, nada de persuadir, adaptar ou oferecer-se como imagem ou modelo. Nada de submeter-se à censura de qualquer espécie, ao contrário, dar voz ao desejo: é na impossibilidade de se imaginar e verbalizar a violência – Sade nos mostrou – que corremos o risco de fazê-la se cristalizar no real. Cultivar o dissenso. A palavra é pluralidade, cada um que encontre a sua, a reinvente. É &lt;em&gt;não seguir caminhos, trilhar os próprios, eles são tantos quanto os escritores. Grande Ser: tão veredas&lt;/em&gt;. (MD Magno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto editado a partir do original publicado em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1173"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1173&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Também está na chamada de capa do site Ver-o-poema, confiram:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.veropoema.net/index.php"&gt;http://www.veropoema.net/index.php&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8487426484540398999?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8487426484540398999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/de-que-amanha-se-trata-victor-hugo-de.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8487426484540398999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8487426484540398999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/de-que-amanha-se-trata-victor-hugo-de.html' title='LIBERDADE, LIBERDADE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SivOhlZhnbI/AAAAAAAAAGE/I_4RZb6hGuI/s72-c/1177369_monarch_butterflies.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5941437113242240103</id><published>2009-06-03T21:55:00.000-03:00</published><updated>2009-06-06T20:16:57.161-03:00</updated><title type='text'>SEGUNDO DEGRAU</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiceMzo2hUI/AAAAAAAAAF8/BkLzZ3xnmnk/s1600-h/199087_20000513.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343272688267199810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiceMzo2hUI/AAAAAAAAAF8/BkLzZ3xnmnk/s320/199087_20000513.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não há nada mais a dizer, embora nada tenha sido dito (Beckett)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Manchando a folha branca com o falo da caneta, com o sêmen da tinta...” Um verso (sua lembrança), lido não sei mais onde, deflagra as primeiras indagações do dia. Existe escrita masculina? (Formulada dessa maneira para inverter a habitual, melhor seria perguntar se existe uma escrita distinta por gênero) Já vai longe o tempo da folha em branco, da &lt;em&gt;tabula rasa&lt;/em&gt;? De certa maneira, tudo já foi dito e só nos resta copiar? Contentarmo-nos em criar segundo aquela frase de Pascal: nada de novo, somente “... &lt;em&gt;la disposition des matières est nouvelle&lt;/em&gt;”? Tradução: o jeito é fazer uso da tríade permutação, arranjo, combinação. Com sorte, repetir com alguma diferença. Dialogar com a produção literária anterior e, dessa fricção, tentar fabricar alguma pérola, como Haroldo de Campos disse que Guimarães Rosa fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o produto final é mesmo o que importa? É possível, ao menos, minimizar sua importância? Romper com a noção teleológica? Continuar o pensamento de Valéry (um poema nunca está acabado, fica apenas abandonado) onde fazer seria o principal, e a tal coisa feita mero acessório? Ultrapassar a velha equação: obra de arte igual à finalização sobre uma elaboração? Ela não seria o próprio processo criativo, em movimento? Também não se trata de “compreender” nada através de anotações, esboços e cadernetas dos escritores, e sim da concepção do resultado final apenas como uma das possibilidades, uma das potencialidades da operação em curso. Nenhum trabalho de decifração, repito, nada a ser des-coberto (consultado por um tradutor para dar o exato significado de uma passagem de um texto seu, Rosa negou-se: &lt;em&gt;o autor não dá conta de sua obra&lt;/em&gt;). Falo de uma opacidade permanente, e não de um véu que, se retirado, tudo se explicaria (nenhuma charada a ser decifrada: Stephen, no &lt;em&gt;Ulisses,&lt;/em&gt; mostra como uma mensagem decodificada pode, ainda assim, permanecer um enigma). De uma prevalência do sugerido, deixando espaço para aquele que lê exercitar sua imaginação. De elementos apresentados sem que se estabeleçam relações fixas e precisas entre eles: o leitor é quem construirá as conexões. De uma suspensão do sentido dado, seu deslizamento no discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora isso não seja, propriamente, uma novidade, pois que indefinições, equívocos (de lugar, nome, autoria) já tecem a prosa moderna desde sempre. Só pra lembrar: em épocas distintas &lt;em&gt;Don Quixote&lt;/em&gt; faz o elogio da incerteza: “&lt;em&gt;En um lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme...&lt;/em&gt;” e &lt;em&gt;Malone&lt;/em&gt; &lt;em&gt;morre &lt;/em&gt;sepultando com ele objetividade, enredo linear, caracterização de personagens, romance com as pontas amarradinhas. Mas a maior oferta desse tipo de texto, atualmente, poderia significar uma aposta no novo leitor. Aquele sonhado, &lt;em&gt;acometido de uma insônia ideal,&lt;/em&gt; nada ingênuo, que encara com jogo de cintura recursos literários tais como ausência de fronteiras entre autor e narrador, confusão entre passado e presente, memória e ficção, e as chamadas &lt;em&gt;bonecas-russas&lt;/em&gt; (um livro dentro do outro, do outro, do outro). Que suporta contradições, fissuras e &lt;em&gt;chiaroscuros&lt;/em&gt;. Percebe que certos escritos são para serem lidos e não compreendidos. Aceita suas limitações na leitura, admite que sempre se pega o bonde andando, e corre atrás, então, das citações que desconhece, procurando – aí sim – esclarecê-las. Considera a estória uma opção para a história. Uma compensação, o que poderia ter sido. Uma espécie de universo paralelo. &lt;em&gt;A resposta da fantasia diante da indigência do real.&lt;/em&gt; Sua salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leandro Konder sugere que se ofereça, naquilo que escrevemos, um mínimo de incitação à rebeldia, um estímulo às inquietações, o que dificultaria, senão impediria, que se reduzam leitores a meros consumidores, sem nos deixarmos tomar pelo desalento quando constatamos que até os textos mais subversivos são transformados em mercadoria: os versos do poeta engajado, as frases escatológicas ou de palavreado chulo que se julgam transgressoras, logo são estampados em alguma &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; ou aproveitados em &lt;em&gt;jingles&lt;/em&gt; publicitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tempo, tempo, tempo, tempo&lt;/em&gt;. Escuto Caetano e de novo essa questão me assalta. Acabei de rever &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt;: o cara levou mais de três anos escrevendo &lt;em&gt;A sangue frio&lt;/em&gt; (Joyce teria levado dezesseis em &lt;em&gt;Finnegan’s&lt;/em&gt;). Ainda se faria alta costura, como antigamente, ou estamos mais para &lt;em&gt;prêt-à-porter&lt;/em&gt;? Havia um esforço de mobilização à procura da &lt;em&gt;mot juste&lt;/em&gt;, de imagens, metáforas, e uma espera (leia-se pesquisa) para a construção da trama. Uma linguagem nascida de um efeito de abandono. Isso levou a grandes momentos da literatura. Tirar medidas, fazer o molde, cortar o &lt;em&gt;textu&lt;/em&gt; (tecido, em latim), alinhavá-lo, provar, costurar – uma técnica de artesão não mais cabível no presente, quem ainda faz roupas em costureiras e alfaiates? Compramos pronto, aqui e ali; no máximo, customizamos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto editado a partir do original &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1118"&gt;http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1118&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5941437113242240103?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5941437113242240103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/segundo-degrau.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5941437113242240103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5941437113242240103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/06/segundo-degrau.html' title='SEGUNDO DEGRAU'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiceMzo2hUI/AAAAAAAAAF8/BkLzZ3xnmnk/s72-c/199087_20000513.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-2595027398217509087</id><published>2009-05-30T22:33:00.000-03:00</published><updated>2009-05-31T14:46:22.590-03:00</updated><title type='text'>SUBINDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiHhGuYJL9I/AAAAAAAAAFU/QVXeFEXm20I/s1600-h/233034_stairway_to_heaven_1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341798138682879954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 225px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiHhGuYJL9I/AAAAAAAAAFU/QVXeFEXm20I/s320/233034_stairway_to_heaven_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária.&lt;br /&gt;(Cortázar - Instruções para subir uma escada, em Histórias de Cronópios e Famas)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não acredito em literatura de Internet. Internet é veículo. De comunicação. De toda sorte de escritos, uma diversidade também encontrada nos livros. Não me parece, como preconceituosamente se crê, que tenha mais lixo sendo feito num lugar do que no outro. Internet é instrumento, ferramenta (mais uma) que possibilita, inclusive, a democratização do conhecimento. Sabemos, por exemplo, que no Portal Domínio Público – além de uma biblioteca com mais de mil obras que já têm autorização legal para publicação, permitindo a sua impressão e facilitando, com isso, por tabela, a difusão cultural e a inclusão social – qualquer autor pode ter seu texto digitalizado e, portanto, disponibilizado para divulgação, para ser acessado pelos internautas quando assim desejarem, com gratuidade. Única cláusula de restrição: sem fins comerciais. E resguardando-se a autoria, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho observado, hoje em dia mais do que nunca, que escrever é abrir nova perspectiva de entendimento para algo que, até então, não comportava inteligibilidade, ou ao menos não-toda (sempre, e para nosso alívio, por mais que se revele, algo resiste e insiste). Tentar dar conta de uma experiência difícil de ser dita, tanto aquilo que nos persegue quanto o que nos escapa, o excessivo e a falta. Fazer diferença. Não uma diferençazinha de forma, porém a escrita de uma diferença. Como uma impressão digital: mais pessoal e intransferível impossível, pois a linguagem não expressa o sujeito, ela o constitui. Isso explicaria, em parte, o &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; dos blogs, numa época em que a massificação predomina e as subjetividades são ameaçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, diz-se que a arte (a literatura incluída) não comportaria engajamento moral, político ou religioso, todos sintomáticos de fechamento. Ela os dispensaria. Não se trata de impessoalidade: um texto livre engaja-me sem que eu precise dizê-lo. Mas seria algo que ultrapassa a realidade, evita as malfadadas referências explícitas às questões sociais. Clarice Lispector teria respondido, certa vez, quando questionada sobre sua alienação ante a miséria do povo brasileiro, que isso era muito óbvio e ela não escrevia sobre o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criação é transgressão por definição, não pode ter limite. Xô para essa hipocrisia do politicamente correto que beira o fascismo! Um controle vigilante, uma censura prévia corre o risco de engessá-la. Fraturas no &lt;em&gt;establishment&lt;/em&gt; são esperadas e até desejadas. Uma charge, por exemplo, nutre-se do real, do cotidiano para transcendê-lo. Não existe humor a favor, humor é sempre contra: senão, que se proíba logo tudo! (E a ironia?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, dúvidas me assaltam, e não são poucas. Ainda vigora aquela tese segundo a qual quanto mais ficção, quanto mais opacidade mais literatura com L maiúsculo? (Como se a realidade fosse menos opaca, como se lembrança tivesse selo de fidedignidade...) Um texto ultra-real, cru, de uma naturalidade exacerbada, com um conteúdo confessional em estado bruto, mal trabalhado seria considerado limitado? Fernando Pessoa dizia que imitar a natureza não quer dizer copiá-la, e sim copiar os seus processos. Os porões do desejo (sexual, agressivo) quando visitados sem a lanterna da fantasia podem se revelar indigestos? Ainda Pessoa: “... qualifico de insinceras todas as coisas feitas apenas para pasmar, onde não passe o mistério da vida”: vale chocar por chocar, pura e simplesmente? Porque isso dá ibope, sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão que corrige não é a mesma que escreve. O inconsciente cria, o ego edita. Mas como, se o tempo – ou melhor, sua rápida fruição hoje em dia – parece ser um empecilho para o reencontro da palavra como objeto a ser burilado por um artesão, por um artífice? Num primeiro momento, o que impera é a construção (&lt;em&gt;per via de porre&lt;/em&gt;), a seguir vem (precisa vir) talvez o principal: revisar, tirar o excesso, como o escultor (&lt;em&gt;per via de levare&lt;/em&gt;). Mas se tudo é consumido com voracidade (os &lt;em&gt;posts&lt;/em&gt; se sucedem numa freqüência absurda), há uma dificuldade, senão impossibilidade, disso acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito rodar por aí percebo a inexistência do que possa ser conceituado como literatura contemporânea na rede, ou algo do gênero. A falta de algum elo formal ou temático, um traço que aglutine, por identificação, os autores, seus textos – seria exatamente isso que a caracteriza? Só mesmo uma &lt;em&gt;vã guarda&lt;/em&gt;, como li não sei mais onde. Uma &lt;em&gt;lotada&lt;/em&gt;: apenas estamos juntos, indo para o mesmo destino: qual mesmo? Individualistas, cada um com o seu cadáver literário próprio. Aliás, não era assim que Mallarmé postulava a literatura: como resto, dejeto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Minha mão sempre me surpreende (Miró) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto editado a partir do original Subindo ao Mezanino, publicado no site Cronópios, em 4/3/06. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=355101969437934981&amp;amp;postID=2595027398217509087"&gt;http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=355101969437934981&amp;amp;postID=2595027398217509087&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-2595027398217509087?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/2595027398217509087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/subindo.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2595027398217509087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/2595027398217509087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/subindo.html' title='SUBINDO'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SiHhGuYJL9I/AAAAAAAAAFU/QVXeFEXm20I/s72-c/233034_stairway_to_heaven_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-8279281108095982285</id><published>2009-05-24T18:02:00.000-03:00</published><updated>2009-05-24T21:49:11.336-03:00</updated><title type='text'>Primavera de 2009 na Europa – PRAGA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Shm3B_je-QI/AAAAAAAAAEs/yORZD7QC-lc/s1600-h/P1010557.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339500078092450050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Shm3B_je-QI/AAAAAAAAAEs/yORZD7QC-lc/s320/P1010557.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Carregamos conosco, cada qual a seu modo&lt;br /&gt;uma paisagem harmonizada, uma cidade&lt;br /&gt;que existe e não existe, como a realidade...&lt;br /&gt;Bruno Tolentino&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chegamos a Praga, capital da República Tcheca, a pérola do oriente europeu, o navio dourado que navega majestoso pelo Vltava, como dizia Apollinaire, uma das cidades mais mágicas do mundo, concordo com Thomas Mann. Instalados no centro de Staré Mesto (Cidade Velha), a alguns passos de Staromestké Námesti, a praça, guiados por mãos experientes de viajantes que nos antecederam, resolvemos passar o primeiro dia explorando esse que é considerado um dos mais belos bairros da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitamos a antiga Prefeitura, cujo prédio exibe na fachada o famoso relógio astronômico medieval, o Radnice, um ícone da cidade. Centenas de turistas diante dele para ver e registrar, a cada hora cheia, a procissão das estátuas de Jesus e seus apóstolos, seguidos pela da morte e outras figuras simbólicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, paramos para apreciar o monumento erguido em homenagem ao reformista religioso Jean Huss, sacerdote, mártir e precursor da Reforma protestante. Em seguida, almoçamos no Orologio, um dos vários restaurantes com mesas na calçada, onde se pode experimentar a autêntica cozinha tcheca: deliciosas e bem temperadas carnes de porco e pato, com o acompanhamento típico: &lt;em&gt;dumplings.&lt;/em&gt; De sobremesa, Palacinky (crepe com sorvete). A pivo (cerveja) local além de saborosa é leve, o que não dificulta a continuação da caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorrer a Celetná, a rua mais antiga, por onde passavam os cortejos reais, é como voltar no tempo, a alma da gente rodopia! Aqui está a deslumbrante Igreja Tyn, fundada em 1365, que abriga a tumba do astrônomo Tycho Brahe, e ainda a Torre de Pólvora, em estilo gótico, uma obra prima de Matej Rejsek, que além de funções militares servia como portão principal para o rei quando retornava do estrangeiro. Bem perto está outro ‘cartão postal’, o prédio mais bonito de Praga, a Casa Municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amantes do escritor Franz Kafka, fizemos questão de ir ver sua estátua, como não poderia deixar de ser, uma insólita escultura em bronze, ao lado da Sinagoga Espanhola, na fronteira com o Josefov, o bairro judeu. E, ingressos previamente comprados, fomos assistir no Image uma apresentação teatral não verbal, o Black Light Theatre, assim chamado porque nele os artistas vestidos de preto para ficarem invisíveis no também negro plano de fundo do palco contam histórias através de pantomimas, esquetes de vaudeville e ballet, utilizando fabulosos efeitos visuais. Performances toda noite, sempre com espetáculos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Last but not least&lt;/em&gt;, percorremos a maravilhosa Karluv Most (Ponte Carlos), só para pedestres (uma multidão transita por ali, diariamente), ornada com trinta estátuas ao longo dela, sendo que a de São João Nepomuceno, bem no meio, é uma homenagem a ele que foi jogado ao rio nesse ponto porque se recusou a contar ao rei o que a rainha havia lhe dito em confissão. Jantamos no Klub Arquitektú, ao lado da histórica capela Betlémská.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nové Mesto é a Cidade Nova, onde fica a imensa praça de São Venceslau com a estátua eqüestre do santo patrono da região, circundada de edifícios antigos e modernos, muitos em estilo &lt;em&gt;art&lt;/em&gt; &lt;em&gt;noveau&lt;/em&gt;. Museus, galerias, lojas e o conhecido café Europa. Mas preferimos outro de ambiente também luxuoso, atendimento exemplar, cardápio internacional, outrora frequentado por Einstein: o Louvre, assim que saímos do espetacular Laterna Mágika, na mesma rua, uma espécie de show multimídia, com imagens e sons gravados e artistas ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na margem esquerda do rio, no alto de uma colina fica Hradcany, ou o distrito do Castelo. O lugar é amplo, a vista, esplêndida. Entra-se pelo magnífico Portão de Matias (demos sorte de chegar na hora da cerimônia de troca da guarda, um acontecimento) para visitar o Palácio Real (residência dos reis e príncipes da Boêmia até o final do século XVI; depois de 1918 os presidentes passaram a ser aqui empossados), o Tesouro (coleção de jóias, relicários, etc), a basílica de São Jorge e a imponente Catedral de São Vito, com 21 capelas, destaque para a de São Venceslau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendo, chega-se em outro bairro, o Malá Strana, onde está a Igreja de São Nicolau, uma das mais lindas construções barrocas da cidade, seu domo é visto de longe, impressiona. Mais abaixo ainda, a Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa que possui a escultura em cera do Menino Jesus de Praga, a quem atribuem curas milagrosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Praga me ocupa o coração, tenho que ir embora. Chove pela primeira vez em toda a viagem. Dói a partida, talvez porque se confunda com o final de um longo, sonhado e realizado périplo. Embriagada por seu aroma, sua gente hospitaleira, seus bem cuidados recantos históricos, despeço-me. Sei que amei só pedaços, fragmentos, instantes soltos, &lt;em&gt;flashes&lt;/em&gt;, e por pouco tempo – pura epifania – porém tenho dificuldade de partir o fio já tecido. Faço minhas as palavras de Kafka: esta velha tem garras, não deixa a gente ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-8279281108095982285?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/8279281108095982285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-praga.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8279281108095982285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/8279281108095982285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-praga.html' title='Primavera de 2009 na Europa – PRAGA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Shm3B_je-QI/AAAAAAAAAEs/yORZD7QC-lc/s72-c/P1010557.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3071196552047555459</id><published>2009-05-16T18:59:00.000-03:00</published><updated>2009-05-17T11:48:16.000-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viena'/><title type='text'>Primavera de 2009 na Europa - VIENA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sg84b2LGwBI/AAAAAAAAADk/rJk8FeLp_yQ/s1600-h/P1010545.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336546134507044882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sg84b2LGwBI/AAAAAAAAADk/rJk8FeLp_yQ/s320/P1010545.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tudo o que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra... Tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra. (Sigmund Freud)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É entrar em Viena e logo, como num passe de mágica, sentir o clima dos gloriosos séculos passados, mesmo tendo ela se modernizado a ponto de ser considerada a terceira capital européia em padrão de vida de seus habitantes. Cavalos puxando carruagens lado a lado com modernos automóveis. Tranqüilidade, distinção e elegância. O feriado prolongado (segunda-feira também, além do tradicional domingo de páscoa) talvez tenha contribuído para esvaziar a cidade e dotá-la de mais amplidão e quietude ainda em seus sempre limpos, bem conservados e arborizados espaços públicos. &lt;em&gt;Music&lt;/em&gt; (classic) &lt;em&gt;is in the air&lt;/em&gt;: aqui e ali se ouve Mozart, Strauss, Beethoven, o que proporciona instantes de alta distensão lírica aos passantes. Testemunhar gestos de educação, honestidade e respeito ao próximo no dia a dia faz ressurgir em nós a crença na humanidade. E bucólicos jardins convidam-nos a contrariar aquela máxima segundo a qual “turismo é agito, só louco descansa em dólar ou euro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos hospedados na Rennweg, num bom hotel bem próximo ao Palácio &lt;strong&gt;Belvedere&lt;/strong&gt;, uma das inúmeras edificações arquitetônicas admiráveis a serem visitadas. Outras são: &lt;strong&gt;Schönbrunnn&lt;/strong&gt;, comparável ao que Versailles é para Paris, com visitas guiadas aos mais de mil e quatrocentos aposentos, inclusive os da famosa Sissi, a imperatriz. &lt;strong&gt;Hofburg&lt;/strong&gt;, complexo de residências imperiais, museu, escola de equitação e capela, a cintilante Burgkapele, onde assistimos a apresentação dos conhecidos Meninos Cantores de Viena. &lt;strong&gt;Stephansdom&lt;/strong&gt;, a catedral da Stephan Platz, no coração do centro histórico, com exuberante telhado composto por azulejos vitrificados formando figuras, datada do século XIII. Quem não se atreve a encarar trezentos e quarenta e três degraus pode pegar o elevador da torre norte e ter uma vista privilegiada do ponto mais alto da cidade, dos mais variados ângulos. &lt;strong&gt;Rathaus&lt;/strong&gt;, a prefeitura. O acender de suas luzes ao anoitecer, jantando defronte a ela, no Landtman foi um momento inesquecível. &lt;strong&gt;Karlskirche&lt;/strong&gt;, a igreja barroca mais bonita de Viena, interior ricamente ornamentado. Suba por dentro até o domo, fotografe e filme bem de perto os deslumbrantes afrescos do teto. &lt;strong&gt;Pestsaule&lt;/strong&gt;, monumento erguido como lembrança do fim da peste negra, em 1663. O relógio &lt;strong&gt;Anker&lt;/strong&gt;, situado numa passarela ligando dois prédios. Programe-se para vê-lo ao meio-dia, quando acontece uma procissão de figuras em madeira reproduzindo nobres e religiosos da história do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem aprecia, o Museu de História da Arte exibe um admirável acervo, o mais completo da Europa Central. Para os amantes de ópera, a Staatsoper, um dos melhores teatros do mundo. Fãs ardorosos podem conhecer onde os célebres compositores viveram, o cemitério onde foram enterrados, as estátuas dos notáveis. Quem curte parque de diversões deve ir ao Prate e dar uma volta na roda gigante Riesenrade, um dos símbolos de Viena. Já os discípulos de Freud bailam de emoção em Berggasse, 19, casa onde o psicanalista morou e trabalhou de 1891 até o início do nazismo, 1938. Seja qual for a sua preferência, mergulhe de cabeça (e coração), sem receio: todos os passeios podem ser feitos a pé, com segurança, mesmo à noite. Mas se quiser um táxi, basta chamar que em um minuto aparece um Mercedes novíssimo à sua disposição, com taxistas sempre gentis, prestativos e bem apessoados, falando um inglês fluente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicas gastronômicas: A torta de chocolate Sacher, no restaurante/hotel com o mesmo nome. Não sei o que é melhor: ela ou o creme que a acompanha. O enorme schinitzel (bife de carne de vitela ou porco a milanesa) do disputado Figlmüller. O apfelstrudel do café Melange. Frutos do mar do Nordsee, embora as caudas de lagosta sejam &lt;em&gt;carinhas &lt;/em&gt;como quê, mas distraídos, só descobrimos quando pagamos, até guardamos a nota da extravagância como recordação: 47 euros cada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Danúbio Azul, de Strauss: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iGZ9GEelQAw"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=iGZ9GEelQAw&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3071196552047555459?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3071196552047555459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-20009-na-europa-viena.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3071196552047555459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3071196552047555459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-20009-na-europa-viena.html' title='Primavera de 2009 na Europa - VIENA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/Sg84b2LGwBI/AAAAAAAAADk/rJk8FeLp_yQ/s72-c/P1010545.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-3575083547948496830</id><published>2009-05-08T22:10:00.000-03:00</published><updated>2009-05-12T22:29:16.969-03:00</updated><title type='text'>Primavera de 2009 na Europa - BUDAPESTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SgTZ-FGEYEI/AAAAAAAAAC8/iVrbBCqKk38/s1600-h/P1010390.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333627519256256578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SgTZ-FGEYEI/AAAAAAAAAC8/iVrbBCqKk38/s320/P1010390.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;foto de Ana Guimarães&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A PALAVRA FINAL&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A palavra final pertence ao editor&lt;br /&gt;ele tem um secretário da cultura&lt;br /&gt;o secretário tem um primeiro ministro&lt;br /&gt;o primeiro ministro tem um governo&lt;br /&gt;o governo tem uma polícia&lt;br /&gt;a polícia tem armas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um poema&lt;br /&gt;o poema é um tirano&lt;br /&gt;recusa assumir compromissos&lt;br /&gt;no sentido estrito da palavra&lt;br /&gt;é a palavra final&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a neve é azul como uma laranja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(versão do poeta João Luís Barreto Guimarães a partir da tradução em inglês de Nicholas Kolumban de um poema do húngaro Elémer Horváth&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil escrever sobre Budapeste sabendo que tantos amigos dizem morrer de amores por ela enquanto eu, conhecendo e respeitando sua história, a luta dos magiares (como são chamados os húngaros) contra o totalitarismo, apenas gostei de conhecê-la, mas não voltaria. (Pareceu-me uma cidade partida, não só entre Buda e Óbuda, no lado esquerdo do Rio Danúbio, e Peste, na margem direita) Seria por que foi a primeira depois da passagem pelas esplendorosas Florença e Veneza? Sei, comparações desse tipo são idiotas, porém inevitáveis já que o coração não pensa... Teria o (mau) começo de nossa estadia influenciado nessa percepção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: trocamos de hotel, pois o primeiro não correspondeu às expectativas de um mínimo de conforto e funcionalidade. Partimos, então, para o Mercure, na Váci ut, a principal rua de pedestres, pertinho da Confeitaria Gerbeaud, fundada em 1858, e do Mercado Central, enorme estrutura metálica lembrando uma estação ferroviária, dezenas de bancas oferecendo alimentos, especiarias (a páprica é o condimento típico com que se faz o goulash) e todo tipo de souvenir (as matryoshkas, bonecas umas dentro das outras vestidas de camponesas são as mais vendidas, mas nas vésperas da páscoa faziam sucesso ovos dos quais se retira o conteúdo através de um minúsculo furo para serem decorativamente pintados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas distraídas passamos no New York (almoço regado a cerveja Dreher sem rótulo afixado e sim gravado na garrafa), restaurante outrora freqüentado por famosos como Chaplin, Mastroianni e Pavarotti. O luxo, testemunha de um passado de riqueza e opulência, contrasta com a moldura de lixo da rua onde ele se situa, cujas lojas com fachadas sujas e pixadas, ainda parecem desconhecer a profissão de vitrinista. Descobriríamos mais tarde que a degradação do mobiliário urbano se faz notar por quase toda parte. Pedintes, edifícios mal conservados como rosas secas, dura realidade; a exceção é a Andrassy, deve ser por ela que Budapeste é considerada a Paris do Leste Europeu. No final dessa avenida, fica a Praça dos Heróis, e defronte, a Galeria de Artes e o Museu de Belas Artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos a Ponte das Correntes e fomos conhecer o Palácio Real ou Castelo de Buda, na verdade um conjunto de vários prédios no alto de uma colina, uma construção imponente (todo o bairro era a residência oficial dos nobres, os Habsburgos). A Igreja de São Matias fica ao lado, com telhado colorido, e perto, o moderno Bastião dos Pescadores, de onde se tem uma boa vista, sobretudo à noite, do Parlamento iluminado. No ponto mais alto, no topo do Monte Géllert, encontra-se, além do hotel com o mesmo nome (conhecido por suas fontes termais), a Citadella, outrora uma fortaleza, hoje ponto lotado de ônibus levando turistas para lojinhas de artesanato. Aí, dignos de nota são as mega fotos de Budapeste em diferentes épocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos muito a pé, e às vezes de táxi, mesmo sujeitando-nos a ser extorquidos (e fomos, por duas vezes), pois simpáticos bondes podem ser um excelente meio de transporte para seus habitantes, mas que estrangeiro arriscaria se perder? A comunicação é difícil, gerando muito mal entendido, mesmo com quem lida com público. O guia do &lt;em&gt;city tour&lt;/em&gt;, por exemplo, falava um inglês tão corrido quanto mal pronunciado, despejando toneladas de informações históricas e arquitetônicas numa velocidade supersônica - todos desistiram de acompanhá-lo. E, por mais que nos esforçássemos, a língua nativa, uma das mais difíceis do mundo, é absolutamente impraticável. Belas tampas de bueiro em bronze tem escrito: Tulajdona Budapesti Elektrumos Muvek. Ficamos curiosos, quem se habilita a traduzir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-3575083547948496830?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/3575083547948496830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-budapeste.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3575083547948496830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/3575083547948496830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-budapeste.html' title='Primavera de 2009 na Europa - BUDAPESTE'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SgTZ-FGEYEI/AAAAAAAAAC8/iVrbBCqKk38/s72-c/P1010390.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-5787435085123880299</id><published>2009-05-01T22:01:00.000-03:00</published><updated>2009-05-04T23:08:08.593-03:00</updated><title type='text'>Primavera de 2009 na Europa – Veneza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfucgcCjSLI/AAAAAAAAACs/OMu2LaqfRyk/s1600-h/P1010347.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331026665019754674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfucgcCjSLI/AAAAAAAAACs/OMu2LaqfRyk/s320/P1010347.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Se aquela luz, no entanto, emprestasse o pincel&lt;br /&gt;a um poeta qualquer, eu tentaria agora&lt;br /&gt;fazer que retivesse o retrato cruel&lt;br /&gt;daquela intensidade que nunca se demora,&lt;br /&gt;que atinge o auge um belo dia e vai-se embora&lt;br /&gt;(Bruno Tolentino)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto de Ana Guimarães&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim que desembarcamos na Stazione Veneza-Santa Lucia tomamos um vaporetto, o meio de transporte mais usado na região, um barco originalmente movido a vapor, daí o nome. Navegando pelo Grande Canal, principal artéria aquática, em forma de um S invertido, revejo a imagem que se recusou a evaporar-se com o tempo ou a própria mente a embalsamou para ressuscitar um dia. As águas dançam à minha frente num baile fulgurante.&lt;br /&gt;Ouço o que me diz o vento, nada estrangeiro (até porque, sendo carioca, o forte cheiro de maresia faz com que me sinta em casa): eis sua outra ‘cidade maravilhosa’! Seu lar agora é aqui, no Bella Venezia, um palácio do século XVI totalmente preservado, a poucos passos da Ponte Rialto e da Piazza de San Marco.&lt;br /&gt;Saímos a caminhar pelo labirinto de ruelas e mini-pontes, essa confusa geografia de Veneza é, em si, uma atração. Deixamo-nos seduzir pelas vitrines, adquirindo lembranças (as máscaras carnavalescas de porcelana pintadas à mão, dos mais variados desenhos e tamanhos cabem em qualquer orçamento), em meio a uma ondulação de pessoas falando outras línguas. Todas de passagem – como, aliás, estamos na vida – invadindo pátios, calçadas, escadarias.&lt;br /&gt;Rialto é uma festa democrática da qual até as gaivotas participam. Diferente da Ponte Vecchio de Florença (onde a ourivesaria impera), além de lojas de artigos populares e barracas de camelô em profusão tem até um mercado ao ar livre. Entrego-me, embriagada, aos mistérios dos perfumes que legumes, frutas e sucos exalam e de imediato se aninham na emoção.&lt;br /&gt;Acertamos um passeio de gôndola, coisa que não tínhamos feito em janeiro de 2000, já que pleno inverno, temperatura próxima de zero grau, elas permaneciam ancoradas, lado a lado, e nenhum gondoleiro à vista. Logo constatamos que o salgado preço (100 euros por meia horinha) não inibe os turistas: são dezenas esbarrando com a nossa, enfrentamos um verdadeiro congestionamento de ‘trânsito’, ainda bem que em silêncio, sem buzinas ou motores roncando, não é à toa que a cidade é chamada de ‘A Sereníssima’, aqui só se circula pelo mar ou a pé. Programa imperdível.&lt;br /&gt;Também ninguém se importa de pagar caro apenas para sentar e tomar cappuccino num dos cafés da praça: as cores da música tingem o real da cena, mil vezes mais prazerosa do que a imaginação supunha.&lt;br /&gt;Durante muito tempo Veneza foi a encruzilhada dos mundos bizantino e romano, e o conseqüente legado artístico e arquitetônico desse cruzamento está bem representado pela Basílica de San Marco; seu interior merece uma visita, mesmo para os não-religiosos. Enfrente a fila, vale a pena ver a coleção de peças de ouro, fruto de saques feitos pelos cruzados em Constantinopla.&lt;br /&gt;Tomamos o elevador do Museo Correr (entrada pelo lado oposto da Basílica) até o alto do Campanille de onde se tem uma magnífica vista da laguna inteira. E tome foto! Cada uma mais linda do que a outra! Verdade que o dia, mais ensolarado impossível, ajudava a fotógrafa amadora.&lt;br /&gt;Capítulo à parte é o encantador Palazzo Ducale, antiga residência e sede do governo dos doges, aposentos ricamente decorados com obras de Veronese, Ticiano e Tintoretto. Uma curiosidade: do lado de fora da Sala della Bússola está a Bocca dei Leoni, uma fresta na parede através da qual denúncias secretas contra supostos inimigos do Estado eram depositadas. Mas o ponto alto de todo o Palácio é a Sala Del Maggior Consiglio; dela saindo se atravessa a Ponte dos Suspiros (que leva às Prigioni), assim batizada pelos suspiros de Casanova, não de amor como reza a lenda, mas quando conduzido ao cárcere.&lt;br /&gt;Não se pode ainda deixar de visitar a Galleria dell’Accademia (com pintura veneziana exposta em ordem cronológica) e a Coleção de arte moderna (Picasso, Kandinsky, Pollock, entre outros) de Peggy Guggenhein.&lt;br /&gt;Se à noite, cansados para sair de novo, queríamos lanchar no quarto do hotel tratamos de seguir os ‘nativos’ e compramos maravilhosos pães, queijos, presuntos e vinhos italianos em panetterias, salumerias e que tais. Mas querendo jantar fora, um local aprovado foi o Vino Vino, apesar do negligente atendimento.&lt;br /&gt;O dia mal amanhece e, singrando o Adriático num táxi aquático em direção ao aeroporto Marco Polo, no continente, estendo a mão, toco o instante e logro agarrá-lo, endereçando à vida, ao destino, um agradecimento. Findo o espetáculo. Agora é tudo espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS Os dois textos estão na página de capa de hoje, 4/5, de Blocos Online, como Crônica de Viagem: &lt;a href="http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/cron/cv/cv09/090501.php"&gt;http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/cron/cv/cv09/090501.php&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-5787435085123880299?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/5787435085123880299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-veneza.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5787435085123880299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/5787435085123880299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/05/primavera-de-2009-na-europa-veneza.html' title='Primavera de 2009 na Europa – Veneza'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfucgcCjSLI/AAAAAAAAACs/OMu2LaqfRyk/s72-c/P1010347.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-355101969437934981.post-6451160734948743287</id><published>2009-04-26T19:34:00.000-03:00</published><updated>2009-04-29T22:28:19.086-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Firenze'/><title type='text'>Primavera de 2009 na Europa – FLORENÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfTjFeWKgoI/AAAAAAAAAB8/aPbD8BTz-sI/s1600-h/P1010198.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329133942271017602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfTjFeWKgoI/AAAAAAAAAB8/aPbD8BTz-sI/s320/P1010198.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Se a arte é um calabouço, essa visão é uma lição de liberdade &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Bruno Tolentino)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto de Ana Guimarães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Começamos revendo Florença, um dos principais centros de cultura da história da humanidade, visitada por nós com brevidade no ano de 2000, o suficiente para deixar nossos corações iluminados pela esperança da volta um dia. A cidade, berço do Renascimento, desculpem o lugar comum: ‘verdadeiro museu ao ar livre’, agora rivaliza com Veneza nas minhas preferências; além de arte transpira elegância, estética e design através dos seus habitantes que desfilam como numa passarela em suas espaçosas piazzas sempre cheias de turistas, de manhã à noite.&lt;br /&gt;Devidamente instalados no charmoso hotel Tornabuoni, zarpamos para o afamado Mercado de San Lorenzo: preços incomparáveis aliados a qualidade dos artigos em couro fizeram com que após alguma hesitação (a oferta é enorme) ali comprássemos nossos casacos.&lt;br /&gt;Partirmos, então, para jantar na aconchegante Trattoria Za-Za, onde experimentamos a típica cozinha toscana e a sobremesa local, biscoitos cantuccini.&lt;br /&gt;No dia seguinte, com reserva (sem isso também é preciso paciência para poder ver a famosa estátua David, não preciso dizer de quem, na Galeria Accademia, a fila é interminável) fomos conhecer as Galerias Uffizi, o museu de arte mais importante da Europa depois do Louvre. Primeiro procuramos e nos detivemos, olhar apaixonado, no que mais nos interessava: O Nascimento de Vênus, de Boticcelli, A Anunciação, de Da Vinci e a Sagrada Família, de Michelangelo. Daí em diante, sob o lema “o paraíso não tem pressa e te espera”, flanamos apreciando o resto (e que resto!), atravessando tons e silhuetas nascidos de privilegiadas paletas, na contramão do fluxo ondulante, seguindo só nossa própria correnteza, buscando captar nas telas a emanação do invisível.&lt;br /&gt;Do alto e de longe fotografamos a Ponte Vechio (a única a escapar da destruição nazista, na 2ª guerra), antes de conhecê-la ‘pessoalmente’, dissolvendo-nos na multidão que por ela transita buscando jóias nas joalherias de vista mais privilegiada do planeta, ou apenas souvenires. O Rio Arno corria altivo e sereno, como sempre, emoldurando-a.&lt;br /&gt;Na magnífica Piazza della Signoria, o coração de Firenze (onde fica o Palazzo Vecchio, antiga residência dos Médicis, ainda hoje palco dos eventos mais importantes do lugar), almoçamos uma autêntica bisteca florentina no Orcagna, apreciando de nossa mesa a fonte Neptune e a escultura Perseu, de Celini. Em seguida tomamos um incomparável gelato, numa das inúmeras sorveterias espalhadas por ali.&lt;br /&gt;Na Piazza del Duomo, um ícone da cidade, fica a Catedral de Santa Maria Dei Fiori (em estilo gótico, com a fachada toda em mármore verde e rosa, formando desenhos geométricos), Il Campanile de Giotto e o Batisttero de San Giovanni (onde se batizavam os pagãos impedidos, na época, de entrar em qualquer igreja), obra de Lorenzo Ghiberti, com suas magníficas portas de bronze retratando cenas do Velho Testamento, chamadas Gates of Paradise, assim nomeadas por Michelangelo quando as viu; a luminosidade da hora dourava os reflexos de rara beleza. Um dos mais belos trabalhos de arte do período renascentista, dizem os entendidos.&lt;br /&gt;Imperdível é a Basílica di Santa Croce, com sua beleza e imponência. Em seu interior, jazem os restos mortais de Ghiberti, Dante e Galileo, só para citar alguns nomes conhecidos. Suas capelas foram projetadas por Gioto e Bruneleschi. Mas muitos outros tesouros por mim não citados, de autoria de mestres – não foram poucos os que por aqui passaram – como Tintoretto, Veronese e Rubens merecem ser caçados.&lt;br /&gt;Valeu a pena ainda ter visitado, nos arredores, o vilarejo de Lucca, um campo militar romano na sua origem, cercado de muralhas, bem preservado e tranqüilo, onde nasceu Puccini. E Pisa, com sua torre inclinada (hoje estabilizada) datada do século XII, no Campo dei Miracolo. Aqui, esfomeados pela tarde que avançara sem que percebecessemos, entramos despretensiosamente no primeiro restaurante aberto que encontramos, Il Campano, para logo nos encantarmos com prestimoso atendimento e a melhor massa caseira de todos os tempos, feita na hora, com farinha 00, levíssima.&lt;br /&gt;De trem partimos para Veneza. Meu último olhar para trás, mesmo contido, sem lágrimas, é um gesto que dói pela saudade antecipada. Quando voltarei? Voltarei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Guimarães &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/355101969437934981-6451160734948743287?l=ogozodaletra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/feeds/6451160734948743287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/04/primavera-de-2009-na-europa-florenca.html#comment-form' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6451160734948743287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/355101969437934981/posts/default/6451160734948743287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ogozodaletra.blogspot.com/2009/04/primavera-de-2009-na-europa-florenca.html' title='Primavera de 2009 na Europa – FLORENÇA'/><author><name>Ana Guimarães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10085683961106276191</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WPB6VhHpYas/Tx3mepicM6I/AAAAAAAAAbQ/9t5itD39_n8/s220/DSC02327.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4SktLyWmzD0/SfTjFeWKgoI/AAAAAAAAAB8/aPbD8BTz-sI/s72-c/P1010198.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry></feed>
