domingo, 11 de setembro de 2016

BERLIM, um exercício de inquietação

BERLIM, um exercício de inquietação

Logo depois da célebre queima de livros em Berlim, Brecht escreveu que um poeta, ao constatar que seu livro fora esquecido pelos nazistas, suplica: “Queimem-me/Não façam isso comigo!/Não disse sempre a verdade em meus livros?/E agora vocês me tratam como se fosse mentiroso?/Ordeno: Queimem-me!”.
Ao começar, não sabia se iria conseguir um relato mezzo objetivo da viagem ou apenas o registro de percepções, experiências e divagações sobre a semana em que lá estive, em abril de 2012. Soou anacrônico para quem sempre escreveu sem amarras a submissão a ordem cronológica fotográfica como roteiro, verdadeiro fio condutor, curioso fato que creditei a influência sub-reptícia de uma vibe disciplinar germânica, além da mais pura defesa, é claro.

Tentar desenhar uma cidade visitada cuja principal característica que dizem defini-la é pluralidade e, apesar do pouco tempo de estadia, pretender desconfiar da veracidade de tal assertiva, pelo menos sob a vertente que a entendo, aceitação das diferenças culturais, gerou solidão e um feixe de perturbadores pensamentos que emperraram a escrita esboçada naquela ocasião e desengavetada apenas agora, mais de quatro anos depois.

Confesso que quase me deixei embriagar (além de pela boa Pils, a cerveja, a terceira bebida mais consumida, perdendo apenas para a água e o café) pela atmosfera espetacularizada para os forasteiros, aparente tentativa de auto-expurgo da perversão que ali germinou e cresceu, o terror a que se refere Adorno quando se perguntou se seria possível fazer poesia depois de Auschwitz, de tal modo a razão foi dominada pela pulsão de morte. Porém não consegui comprar a imagem vendida, por isso, na volta, ao escrever, avancei com dificuldade, arrastando-me como os conhecidos protagonistas da História nos campos de concentração.

Antes de viajar garimpei os pontos ilustrativos deste marcante período, embora duvidando que teria estômago e nervos para conhecê-los. Inútil tentativa de evitação, eles estão por toda a parte, contundentes. Reconstruções também, aliás, muito se ouve falar da capacidade de depuração e renascimento das próprias cinzas, literalmente, o que de tão repetido acaba deixando transparecer um forte sentimento de orgulho e superioridade dos alemães, o que remete ao nacionalismo, por muitos apontado como o ovo da serpente daquela remota e nefasta época.

Nos primeiros dias, temerosa do enfrentamento com o real e insuflada por brasileiros que lá estiveram ou residem, tratei de turistar, aproveitar o belo e o artístico da cidade, o que não é pouco. A caminhada – apesar do frio, o bom tempo permitiu – começou na Alexander Platz, no Distrito de Mitte (ou meio, centro), no coração da antiga Berlim Oriental, onde eu estava hospedada, no Radisson Blu Hotel, do Aquadom (1), o maior aquário-elevador cilíndrico do mundo.

Nessa área encontram-se vários ícones: Rotes Rathaus, a Prefeitura Vermelha (seu nome deve-se a cor dos tijolos do prédio), a Fernsehturm (a Torre de TV (2), a construção mais alta, onipresente no céu da cidade), a Marienkirsche (a Igreja cuja idade é imprecisa, mas fala-se em algo em torno de 1292, com exterior elegante e interior repleto de obras de arte notáveis), a Neptun Brunnen (a Fonte com o deus grego Netuno ao centro, ladeado por imagens alegóricas dos quatro principais rios da Alemanha) e as gigantescas Estátuas de Marx e Engels (3).

Atravessando a Scholossbrucke ou Ponte do Castelo, chega-se a Ilha dos Museus, declarada patrimônio histórico da humanidade. Aí está situada Berliner Dom (4), a Catedral erguida entre 1895 e 1905, considerada a versão protestante da Basílica de São Pedro, no Vaticano (durante a Segunda Guerra Mundial, como quase todas as edificações, foi atingida por bombardeios e sofreu danos severos, tendo ficado abandonada por décadas, precisando ser restaurada, o que, por falta de recursos, começou a ser feito apenas em 1975, patrocinado pelo governo da então Alemanha Ocidental. Além de celebrações religiosas, também é palco de apresentações de música clássica e concertos em geral. O som de seu assombroso Órgão Sauer (5), de mais de sete mil tubos, emociona).

Comecei então uma calma e deliciosa jornada: conhecer a série de magníficos museus que dão nome à Ilha. Bode Museum (com vasta coleção de Numismática), Neues Museum (que abriga o busto da rainha egípcia Nefertite), Altes Museum (o mais antigo, com dezoito monumentais colunas na sua fachada frontal) e o meu preferido, o Pergamon (6), (templos trazidos de escavações arqueológicas na Babilônia, na Assíria e no Egito e reedificados quase na íntegra).

Partindo da praça gramada defronte a Berliner Dom tem início a principal avenida, a Unter Den Linden ou Sob as Tílias (originalmente tratava-se de uma trilha para cavalos que ligava o Palácio ao campo de caça, o Tiengarten; em 1647 foram plantadas tílias em toda a sua extensão, daí o nome), pontilhada de prédios clássicos elegantes, embaixadas, lojas de grife e de carros de luxo.

Mais à frente, na Bebelplatz, o memorial subterrâneo Bibliotek ou Biblioteca Vazia (7), no exato local onde, no auge da perseguição aos intelectuais, principalmente escritores, numa pretendida “limpeza da literatura”, em 10 de maio de 1933 nazistas e simpatizantes queimaram vinte mil livros de autores como Freud, Brecht, Kafka e outros (há uma placa de vidro no chão, através da qual podem ser vistas estantes vazias e a profética inscrição: “Começam queimando livrosno final arderão pessoas”, do poeta Heinrich Heine).

Até aqui observo, depois de quilômetros de andanças, que talvez por ser ampla e espalhada, Berlim parece ter poucos pedestres circulando e um trânsito que flui bem, a qualquer hora, diferente de outras grandes metrópoles, considerando-se que ela é, se não me engano, a quinta mais populosa do continente. A exceção é o emblemático Brandenburg Tor (8), o Portão cujo ornamento é uma quadriga, carro puxado por quatro cavalos, o cartão-postal mais famoso da capital alemã, aí sim, coalhado de gente já nas imediações. A cerca de um quilômetro de distância fica a Potsdamer Platz (9), com múltiplas ofertas de lazer.

Outro passeio proveitoso foi ao Schloss Charlottenburg (10), maravilhoso palácio concebido como casa de veraneio ou residência de verão de Sophie Charlotte, a esposa de Friedrich. Tudo extasia: os jardins, a Capela, o Belvedere, a Orangerie e, no seu interior, o estilo barroco da decoração. O Pavilhão Novo abriga uma belíssima coleção de artes, esculturas e mobiliário.

Filarmônica de Berlim (11), projeto de arquitetura produto da geração Bauhaus (um designer não pode deixar de ir ao Bauhaus Archiv (12)) , é considerado um dos programas culturais mais interessantes e concorridos.

A excursão a Potsdam, patrimônio cultural da UNESCO, a mais ou menos trinta minutos de distância, valeu a pena. Centro de acontecimentos durante a Guerra Fria, tem como destaque o complexo de Sansssouci (13), o Palácio de verão de Frederico, o Grande, Rei da Prússia. Visita para um dia inteiro e ainda assim não se consegue ver tudo.

Enfim tomei coragem para encarar o que, imagino, destroça a alma de viajantes de qualquer nacionalidade e credo: as trágicas ressonâncias do nazismo. Daí em diante, tudo orbitou em torno do assunto.

Comecei pela Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche (14 e 15), a igreja quebrada, com sua torre bombardeada não restaurada, deixada como símbolo do que houve. O complexo inclui as ruínas e a nova, construída ao lado.

Em seguida rumei para o Monumento ao Holocausto, ou Memorial (16), que consiste numa vasta área de 19000 metros quadrados coberta por 2700 blocos de concreto, um tributo aos judeus mortos na Europa. Lembra um cemitério e evoca dor.

Depois fui experimentar (o verbo é este) o Museu Judaico (17), uma construção formada por três eixos, o do Holocausto, o do Exílio e o da Continuidade. Numa fachada metálica, rasgos estreitos remetem a uma fortaleza. A entrada é difícil de ser encontrada, o piso levemente inclinado traz desconforto e desorienta, as paredes formam ângulos diferentes entre si. E um silêncio respeitoso grita, simbolizando que nada há a dizer, só sentir, a única palavra possível é sofrimento.

A seguir, Checkpoint Charlie (18), nome dado pelos aliados a um posto militar de fronteira entre a Alemanha Oriental e a Ocidental, durante a Guerra Fria. O Museu do mesmo nome, localizado a poucos metros desse antigo posto de fronteira, conta a história dos 28 anos do Muro de Berlim, as fugas e os meios criados para se alcançar a liberdade, mesmo correndo riscos. Impossível não chorar.

Berliner Mauer (19 e 20) dividia a cidade ao meio. Em 1989, após distúrbios civis afinados com uma onda revolucionária que varria o Bloco do Leste (União Soviética e Aliados), multidões subiram e atravessaram o muro. Partes dele foram destruídas e o resto da estrutura demolido. A unificação alemã foi, enfim, celebrada. Trechos por onde ele passava estão marcados no chão, como lembrança.

Por fim, o Reichstag (21) (prédio cujo incêndio, em 1933, pôs fogo na politica e provocou a assinatura de um decreto que suspendia a maioria dos direitos humanos), totalmente reconstruído e reinaugurado como sede do Parlamento, em 1999, com a transferência do governo alemão de Bonn para Berlim. Circular pelas rampas em espiral da enorme e deslumbrante cúpula de cristal de cunho ambientalista, almoçar no Käfer o melhor da cozinha alemã* e depois desfrutar da bela vista do terraço panorâmico perto do pôr-do-sol, com as luzes da cidade se acendendo, foi um bálsamo para concluir a minha jornada.

Fica a pergunta: o passado terá conseguido ensinar algo para a não repetição dos fatos? A ter compaixão para com países, vizinhos ou não, menos afortunados, em crise, em guerra, com graves e crescentes problemas econômicos, para com refugiados? Ou será que a visão do outro como diferente ainda é tão ameaçadora que ele precisa ser ignorado, silenciado, excluído, repatriado? O recalcado pode retornar aproveitando-se de fissuras do presente?

* Alguém já disse que Berlim é uma cidade tão cosmopolita que lá se come até comida alemã. É verdade. E bons restaurantes estão por toda a parte, mas só me recordo de três: do antigo Einstein (aconchegante casa na Kurfürstentrasse 58, outrora considerado um dos melhores da Alemanha), do 12 Apostel (pizzas no forno a lenha, servidas em salões decorados com afrescos italianos, cada uma com o nome de um Apóstolo) e do Le Buffet in KaDeWe, na movimentada praça de alimentação no topo da uber loja de departamentos, uma festa gastronômica.

Ana Guimarães








terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CARNAVAL

Silêncio percorrendo a madrugada. Um galo canta no morro ao lado, e ao longe, no outro extremo do bairro, um bloco passa. O toque do telefone – puro real – rompe com o imaginário que a consome. E aí, nada ainda? Quer que a gente volte? Bobagem, sinto-me só quando ele está aqui, nenhuma companhia, já me acostumei. Morro do que vivo, de solidão. Abraçada aos livros, quando posso, apenas eles me confortam, além dos filhos. Tenho sonhado que sou um pássaro, não sei o plano de vôo, mas mal estendo as asas começo a voar. Acho que preciso acordar. Ilusão. Há quem se sinta livre porque lhe falta a própria linguagem que possibilite formular a ausência de liberdade. Como naquela piada sobre a extinta República Democrática Alemã, lembra? Aquela das cartas recebidas escritas em azul dizerem a verdade, e as em vermelho, mentira: “Tudo aqui é maravilhoso: tem emprego, moradia, atendimento médico, só falta tinta vermelha”. Ninguém está bem, não se iluda, o mal estar é inevitável. Eu, por exemplo, escrevo a noite toda, em pleno carnaval, ou você me acha com cara de quem vê desfile de escola de samba na tv, copo de cerveja na mão? Escrever é uma forma de me sentir livre. Bem que gostaria de fazer igual, mas não posso. Primeiro porque tenho minhas obrigações de mãe e dona de casa de manhã cedo, a babá e a empregada folgaram. Além disso, não sou mais criança, não agüento uma noite em claro, amanhã estaria feia, com olheiras. Você ainda é jovem, e está muito bem. Imediatamente ela se transforma. Ergue os ombros caídos até então, tira do olho uma mecha de cabelo, bonito mesmo em desalinho, prende atrás da orelha. Olha-se no espelho. Seu rosto se ilumina. O roupão entreaberto deixa ver a boa forma com que a genética lhe sorrira, ainda bem, pois odeia exercícios. Ouvindo-se, recorda: uma doçura de voz, ele dissera um dia. Desanda a falar, num tom mais alto do que o habitual. Logo a filha mais velha, sono leve, vem reclamar, pedir silêncio. Sussurrando, daí em diante, conta dos carnavais do passado, das idas a Petrópolis, das fantasias, dos bailes, do lança-perfume. No início apenas os outros cheiravam, depois por que não? Dava uma euforia que só seus partos lhe proporcionaram, nunca mais! Agora sinto-me exilada do mundo, como se uma velha aliança comigo mesma tivesse se rompido, algo sido queimado, porque condenado. Foi ele dizer que tomaria conta de mim para sempre, e eu começar a morrer. Na minha singularidade, na minha sadia estranheza. Sem mais possibilidade de mudança, de movimento... O tempo a escorrer, feito naquele quadro de Dali. O amigo escutando suas associações, reflexões, confidências. Súbito, se cala. Cansada, escorrega o corpo sentado, as pernas esticadas, os delicados pés de unhas tratadas quase saindo das chinelas de dormir, a cabeça recostada no espaldar da cadeira, pálpebras semicerradas, distante. Ele espera. Ela recomeça, até que as pausas vão ficando cada vez mais longas. O bebê chora. Tenho que desligar, o dia está amanhecendo, preciso atendê-lo. Ciao, menina, sua vida parece um conto de Tchekhov!


Ana Guimarães

domingo, 19 de julho de 2015

GABRIEL

GABRIEL

Quando criança
eu tive uma tartaruga
chamada Turiga
Agora, enquanto a família viaja de férias
fico com Gabriel
o peixe do meu neto Felipe

Turiga morava
na área de serviço
mas sempre que podia eu a soltava
para que ela conhecesse
outros mares, terras, ares
não ficasse aborrecida

Mas não posso fazer o mesmo
com o Gabriel, senão ele morre
Que vida mais sem graça
preso nessa água
a girar pra lá e pra cá
a comer e dormir

O que será que peixe pensa, sente
além de saber que a comida vai chegar
(ele sobe à superfície
assim que a ração aparece)
Porque, acreditem,
o bichinho deu para me encarar

É só do aquário eu me aproximar
que ele vem e me olha de frente
- olhar de planície -
por muito tempo
feitos os peixões
lá do Oceanário de Lisboa

Terá pena de mim
da minha  suposta liberdade
das opções que me possuem
da ansiedade que me assalta
do vazio que me preenche
da morte que me espera?

Se eu o levasse
à porta de algum rio ou oceano
e o soltasse
o que lhe aconteceria
será que por fim ele conheceria
a inquietude humana?

Pergunto a ele todo dia
se já se acostumou com a nova casa
se sente saudade do dono
Você tem fome de que, Gabriel
ou simplesmente se contenta
em contemplar o mundo?

Ana Guimarães



quinta-feira, 28 de maio de 2015

DESOLAÇÃO

Foto de minha autoria, do pequeno cemitério nos jardins da Trinity Church, NY.

DESOLAÇÃO

Calorão de janeiro em plena primavera, o diferencial era o vento alísio soprando, refrescando quem ali chegava, anunciando chuva que terminaria por cair bem na hora dos serviços funerários. De outros refrigérios, no entanto, carecia.
O primeiro a ser avistado foi o filho mais velho que imediatamente se pôs a chorar, me abraçando. Cruzamos o pátio, olhares baços nos miravam sem ver. À entrada da sala, só desolação. Vestes negras predominavam, em sintonia com o funesto destino a que uma existência conduz.
Nenhum cheiro de santidade no ar que, pesado, parecia faltar a todos. As duas viúvas se entreolhavam, dividindo também nessa hora o que já partilhavam em vida.
Um familiar protesto contra a lentidão dos trabalhos burocráticos da ocasião se fazia ouvir. Bramia impropérios sem respeito algum senão ao morto, ao menos às senhoras presentes.
Crianças brincavam na escaleira de pedra, alheias a tudo. Na outra ponta do tempo, também alienados, idosos calejados – a maioria – nem se preocupavam em fingir reverência à situação.
O rumor aumentava à medida que o momento escorria. Quase se esqueciam do que acontecera: indisfarçáveis sorrisos alegres pelo reencontro, tapinhas nas costas cada vez mais efusivos, gargalhadas sem vergonha aqui e ali entreouvidas.
A todos recepcionando, uma voz diminuta e monocórdia discorria sobre o mal súbito que lhe acometera; rudemente prosseguia seu monólogo sobre a causa mortis, propagando um modus vivendi diferente do escolhido pelo defunto: asséptico, sem fumo, álcool ou stress, inclusive o advindo de dupla vida amorosa.
Uma jovem mulher, desconhecida e solitária, vagava pelo recinto apertando as alças da bolsa como se temesse ser assaltada.
No canto, depois de muito balançar de forma rítmica e hipnótica o previdente guarda-chuva, um senhor acabara por cochilar, deixando seu interlocutor falando sozinho.
Envolta no silêncio das recordações enquanto acariciava, pela última vez, suas geladas mãos, eu divagava. Da janela podia ver lápides adornadas por flores murchas, pendentes. Um pesar se abatia sobre mim.
Desejava ainda pudéssemos desfrutar daquelas intermináveis conversas telefônicas, por décadas e décadas. Mas a ligação caiu. Irremediavelmente.


Ana Guimarães

sábado, 9 de maio de 2015

A MINHA MÃE E A DA ADÉLIA

Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. (Adélia Prado)

Minha mãe achava sentimento a coisa mais fina do mundo.
Não é. A coisa mais fina do mundo talvez seja o estudo do sentimento.
Foi o que fiz, formalmente. É o que faço, no dia a dia.
Ficar entregue ao sentimento é ser barco à deriva.
Às vezes ele ilude, engana, até cega.
Sentimento sem razão, sem freio, sem respiração é nada.
Palavras - reflexões - urgem.
Elas orientam o sentimento, transformam-no, mudam sinais.
In-formam (gravam formas) na matéria bruta.
Ordenam o que antes era o caos.
Quem fala/escreve luta, não se entrega.
E um discurso/texto é sempre inacabado: 
Precisa de um receptor para ter significado.

Ana Guimarães

 Foto: Museu Freud, Viena, em 2009.