terça-feira, 9 de agosto de 2011

LONDRES ANTES DAS CHAMAS


Shakespeare, Virginia Woolf, Charles Dickens, Oscar Wilde, Lewis Carroll, Isaac Newton, Charles Darwin, Chaplin, Beatles, Fred Mercury, Mary Quant. Parodiando Woody Allen em Meia-noite em Paris, andar por Londres é esbarrar em personalidades inglesas de outras épocas sempre vivas na memória, para no final rendermos tributo ao presente ao constatarmos que a cidade, dona de irresistível charme, é uma metrópole moderna que soube resistir ao tempo, preservar seu incalculável legado histórico.

Heathrow é um senhor aeroporto: organização, atendimento e limpeza impecáveis. O metrô, detentor de um prêmio de design, eficiente. Os célebres ônibus de dois andares e as cabines telefônicas vermelhas, imperdíveis. Os tradicionais táxis pretos ultra-espaçosos valem uma corrida. Com um bom mapa nas mãos consegue-se caminhar sem tropeço nas ruas, mas lembre-se de que a mão é invertida, os carros andam pela esquerda, cuide de olhar nas duas direções antes de atravessar. Não deixe de conhecer a palpitante Oxford Street (com intenso comércio), as lendárias Baker Street (que abriga o museu Sherlock Holmes) e Abbey Road (onde o famoso quarteto posou para a capa do penúltimo disco da banda) e um lugar chamado Notting Hill, sua feira de antiguidades aos sábados.

Aos domingos, no Speaker’s Corner do Hyde Park, qualquer um em cima de um caixote pode fazer o discurso que quiser. Embora a maioria interprete como exercício de democracia, de liberdade de expressão parece que o costume remonta há séculos atrás quando prisioneiros sentenciados à morte proferiam suas últimas palavras antes de serem enforcados num patíbulo instalado nesse exato local.

Principais pontos turísticos: o Parlamento e seu relógio, o Big Ben, emblemático da cidade. A Torre de Londres. A ponte sobre o rio Tâmisa. A Catedral de St Paul. A Abadia de Westminster. A troca da guarda do Palácio de Buckingham, residência oficial da monarquia. A Tate Gallery. O museu de cera Madame Tussauds. London Eye (a roda-gigante). Trafalgar Square (a praça mais importante da City). Piccadilly Circus. Marisfield Garden, 20 (um ilustre endereço, a casa onde Freud viveu e trabalhou depois que, foragido, deixou Viena ocupada pelos nazistas). E o mais deslumbrante: o colossal acervo do museu Britânico, com preciosidades tais como a Rosetta Stone (a pedra a partir da qual Champollion traduziu os hieróglifos), a bíblia de Gutenberg (o primeiro livro impresso), a sala de leitura da Biblioteca (frequentada por Bernard Shaw, Lenin e outros notáveis) e vasta coleção de antiguidades gregas, egípcias e romanas (o espólio do império foi grande, até hoje fonte de atrito entre os governos que exigem a devolução das relíquias).

Diversos entretenimentos noturnos estão à disposição do visitante: ópera, balé, sinfônicas, grandes espetáculos teatrais. Se a obra de arte há muito deixou de ser só objeto de contemplação para tornar-se também motor de inquietude, perco-me nesse redemoinho de imagens, deixo-me inundar por uma chuva de impressões que logo sulcam e fertilizam todo o meu ser, culminando numa verdadeira experiência estética de abandono e pacificação.

Por fim vou às compras na Harrods, loja de departamentos com 90 mil metros quadrados de espaço de venda, cujo lema é Omnia Omnibus Ubique (todas as coisas, para todas as pessoas, em todo lugar). Dizem que a primeira escada rolante apareceu aqui, em 1898, e os clientes eram esperados no topo com uma bebida, para acalmá-los; o Food Hall é uma atração à parte. Aliás, contrariando o estereótipo, a gastronomia muito tem a oferecer: fish&ships, chá das cinco e pubs, típicas e deliciosas instituições inglesas. Os restaurantes étnicos também são dos melhores, sendo a comida indiana a mais popular entre as estrangeiras, talvez porque a Inglaterra seja a segunda pátria dos hindus. Aproveite.

Ana Guimarães

4 comentários:

  1. "De resto, em matéria quase que sem chamas, menciono a novidade da moda: riquixás ou jinriquixás. Isso. Aqueles vastos velocípides de origem chinesa ou japonesa fazendo concorrência aos famosos black cabs londrinos. É, aqueles mesmo. Os táxis pretões (epa! Cuida-te, boca!) que, em número de 25 mil, constituem, uma das marcas registradas da cidade." Ivan Lessa, no BBC

    Uma pequena chama arde em Londres, mesmo antes das chamas e que se chama : inovação. "Velocípedes" para transporte urbano e pintados com a cor amarela. Mesmo uma cidade tão tradicional, ou porque tradicional, se permite uma novidade como essa. Custe o que custar.
    Obrigado por nos lembrar do velho Dickens, entre outros, tão amoroso com a sua City. Beijos.

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  2. Um dia estarei por lá, Ana.
    Para desfrutar destas beleza estéticas & culturais.
    Um belo roteiro narrado por mãos habilidosas.

    Beijão.

    Ricardo Mainieri

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  3. Ana o titulo é ótimo e inda bem que voce visitou Londres antes das ditas chamas...deu para viajar nas tua narrativa e recordar o que li apenas em livros.... como seria maravilhoso mesmo estar la com todos estes escritores que voce citou como no Meia Noite em Paris...adorei...beijos

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  4. Obrigada, meus amigos! É sempre uma alegria ver seus comentários aqui. Beijos
    Ana Guimarães

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