sexta-feira, 20 de março de 2015

DUAS ESTAÇŌES



DUAS ESTAÇŌES*

Quando o outono chegou
e você, como as folhas, tombou
na grama, debaixo de mim
despida de resistências, força cega
abriu seus braços e sorriu pro céu

o tempo parou de passar
o mundo, de girar
a natureza, imóvel, observou

olhos fechados, vimos o que importa
a música vinha de dentro
a letra era a da carne, a palavra inútil
o corpo tudo, incorporando a alma
que se deixou ficar, assim, em suspensão

nunca nos tornamos um só
fomos sempre dois
porque escritas diferentes

quando a neve caiu
e eu, pálido como ela porque você se foi
- espuma arrastada pela correnteza -
uma ponta de tristeza teimou em aparecer, mas logo se espraiou
deixando sonhos em frangalhos na janela

Ana Guimarães

*Já publicado em: http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=temdomes/2006/03/outono/otempoe17.php&tipo=poesia

2 comentários:

  1. Gostei do poema...senti a magia do outono. Poraqui, chegou hoje a primavera.
    Beijo
    Graça

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